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Supergirl: 3×04 – Deuses são reais se acreditamos neles!

Por Chris Rantin

Eu confesso que quando foi anunciado que teríamos um culto religioso na série que iria idolatrar a própria Supergirl, fiquei bastante animado porque achei que seria algo mais positivo e alegre, já que a Garota de Aço é um símbolo de esperança e proteção. Tinha achado muito bacana o fato deles explorarem isso já que, convenhamos, faz todo sentido idolatrar um salvador de carne e osso, que você consegue ver realizando os milagres diariamente.

Eu realmente não estava esperando o fanatismo religioso cego, capaz até mesmo de usar bombas e arriscar a vida de centenas de pessoas apenas pra provar seu ponto de vista, talvez porque Supergirl sempre tenha passado essa mensagem de amor, paz e tudo mais. Mas é esse o ponto.

O que é mais genial nesse episódio é que a gente conhece a Supergirl, a gente sabe qual é a mensagem dela, o que ela aprova e o que ela odeia e combate. Mas o que os fanáticos fizeram foi deturpar todos os ensinamentos dela, assim como os de Rao.

E não é isso que acontece com todo fanático religioso? Eles sempre deturpam a mensagem para os seus propósitos mesquinhos, sempre ignoram aquilo que é contraditório com as ações deles e, principalmente, sempre tentam forçar a religião deles – e sua visão de mundo – nas outras pessoas.

A história é cheia de momentos horríveis que foram causados por fanáticos religiosos e, como vocês devem saber, atualmente não é diferente. É por isso que esse episódio é tão importante, porque mostra que nem sempre a ação dessas pessoas representa a religião delas, ao menos não os elementos centrais.

Quando Kara foi confrontar o líder do culto, falando com todas as letras que ele deveria parar com aquilo e que ela não era uma Deusa, tudo que ele entendeu era que ela precisava ser salva – como costuma acontecer com MUITOS fanáticos religiosos que acham que qualquer pessoa que não concorda com o que ele prega é alguém que está perdido e precisa dele para achar seu caminho de volta. (Se você é uma dessas pessoas, vocês viram que não é legal fazer isso, né? Então é melhor rever esse comportamento…)

Toda a irritação de Kara foi muito interessante, especialmente porque a fé dela em Rao é algo muito pessoal, está carregado de memórias do seu planeta, da sua família. É algo carregado de dor e saudade, saindo até desse aspecto místico e religioso. Por isso ver que eles não só estão pegando a mensagem do Deus dela e pervertendo de uma maneira que não é bacana, assim como o fato de que eles estão cultuando a Supergirl a incomoda tanto.

Ela não quer ver os ensinamentos do seu Deus sendo manipulado por humanos fanáticos, ela não quer ser uma Deusa. Até porque isso é um fardo colossal para carregar, algo ainda maior do que ser uma heroína. Um Deus não pode falhar e, como a gente sabe, Kara não é perfeita. Por mais poderosa que ela seja, ela também comete erros, ela também sofre, ela também sangra.

É injusto que as pessoas comecem a cobrar ela como uma divindade, que comecem a cultuar seu nome, até porque, como ela mesmo fala no episódio, algumas pessoas são salvas na sorte – como o fanático religioso, que só foi salvo por estar no mesmo avião que a Alex. É um peso muito grande que, especialmente neste momento, ela não pode ou quer ter em suas costas.

Falando sobre a parte heróica do episódio, não chegou a ser algo muito satisfatório, especialmente porque ainda parece meio absurdo que um cara qualquer tenha conseguido colocar suas mãos em um artefato tão grandioso de Krypton.

A bomba no culto serviu, mais uma vez, como uma metáfora para o extremismo e fanatismo religioso que temos nos dias de hoje, criando uma atmosfera de tensão para Supergirl e provando que ela não era a grande salvadora que boa parte do culto imaginava.

Não deu pra entender muito bem como ela achou mais fácil abrir um buraco imensamente fundo com sua visão de calor – um esforço que em outras ocasiões a deixou sem poderes – ao invés de simplesmente sair voando com a bomba. Afinal, ela já estava enfraquecida por causa da Kriptonita e eu duvido muito que voar mais difícil do que o que ela fez.

É claro que tudo isso foi mais um recurso do roteiro para ir avançando a trama, já que no final do episódio vimos que existe algo vivo na nave sob a cidade, o que dificilmente deve ser uma boa notícia para Kara e seus amigos.

Ainda nesse episódio tivemos o que parece ser a formação de uma irmandade com as amigas de Kara. Foi muito bacana ver essas cinco mulheres poderosas, cada uma da sua própria forma se reunindo e se apoiando, seja para falar de negócios, rapazes (ou garotas) e família.

Isso é importante principalmente porque sabemos que Samantha está caminhando para ser a Régia – que já teve até sua imagem oficial divulgada – e se tornar a grande vilã da temporada. Fazer com que conheçamos esse lado humano da personagem antes dela passar por sua transformação vai fazer com que a trama fique mais dramática e tensa, fora que também vai afetar todas as outras mulheres desse grupo, o que deve ser muito interessante de assistir.

Falando em Régia, vimos mais uma vez Samantha entrando em contato com esse seu lado, agora ao ser assombrada por uma figura assustadora, que prometeu que “em breve era iria reinar”, o que nos faz pensar que a sua transformação deve trazer alguns aspectos mais sombrios de Krypton, já que ela veio de lá.

Em suma o episódio foi muito bacana por trazer críticas importantes, além de mostrar uma Kara mais alegre e focada, algo que fazia um tempo que não víamos. Parece que a moça finalmente começou a superar a partida do Mon-El e começou a voltar a ser a personagem que conhecíamos e amávamos.

Os problemas no relacionamento de Alex e Maggie devem continuar sendo trabalhados, o que talvez justifique o afastamento de Maggie – já que a atriz não será regular nessa temporada, uma vez que elas precisam resolver essa diferença fundamental antes de subir no altar.

Mas o que vocês acharam desse episódio? Estão gostando de como a trama está avançando? Comentem!

Semana que vem Lena deve enfrentar alguns problemas bem tensos, como podemos ver no promo do episódio:

Não deixe de conferir nossa galeria sobre a série:

Supergirl vai ao ar todas as segundas, na CW. A Review dos episódios sai toda quarta-feira aqui na LH.

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"