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Supergirl: 3X01 – Minha Kara Danvers está morta!

Por Chris Rantin

Depois de muita espera finalmente tivemos o retorno de Supergirl (junto das outras séries heróicas da The CW), e nesta terceira temporada estou assumindo o posto do Léo Gravena nas reviews da série. Sem mais delongas, bora falar desse episódio!

Desde os primeiros materiais promocionais dessa temporada, já tinha ficado claro que nossa querida Garota de Aço não seria a mesma de antes. A difícil escolha que ela precisou fazer na última temporada – que resultou no seu namorado tendo que fugir da Terra para continuar vivo – iria assombrar a personagem e trazer uma grande mudança para ela. Tudo isso pode ser resumido em uma simples frase: Kara Danvers está morta!

Supergirl decidiu focar todas o seu tempo e atenção no combate contra o crime, se tornando uma heroína quase em tempo integral e negando qualquer folga ou contato com sua vida pessoal. A doce Kara que conhecemos, que é divertida, gentil e sempre tenta interagir com seus fãs não existe mais, dando lugar a essa versão mais séria, eficaz e sem tempo para brincadeiras.

Isso tem um resultado muito positivo na cidade, já que a criminalidade caiu mais de 60% graças a eficiência da heroína, mas o custo disso tem sido bastante alto – especialmente para aqueles que cercam Kara e veem o quão destrutivo é esse comportamento dela.

Ela se demitiu da CatCo, não está dando muita atenção para o casamento de sua irmã e está quase que completamente ausente da vida de Lena Luthor, que ainda se sente meio culpada pela despedida de Mon-El.

Quando confrontada por Alex, vemos uma Kara agressiva, arrogante e cruel, sendo deliberadamente maldosa em algumas falas e se recusando o menor contato com sua irmã. Entendemos que, como a própria personagem diz, ela decidiu se afastar do seu lado humano (o lado fraco), já que ela prefere ser a heroína que salva o dia, ao invés da garota triste por causa do namorado. Mas se sentir quebrado é algo que humanos fazem, e Supergirl é melhor do que isso.

Sim, é horrível o que Kara fez, especialmente com Alex que sempre esteve ao lado dela e só queria ajudar. É injusto que seja ela, que já tem seus próprios problemas, tenha que aguentar toda essa grosseria de Kara, a pessoa por quem ela mais se sacrificou em toda a vida, mas ao mesmo tempo, conseguimos entender o que faz com que a Kryptoniana aja dessa forma. Por mais auto-destrutivo que seja o seu comportamento atual, isso é, na verdade, uma tentativa desesperada de se proteger.

No instante em que ela parar de combater o crime, ou salvar o dia como Supergirl, ela terá que lidar com o que aconteceu com Mon-El, o grande amor dela, mesmo que seja um amor bem louco e intenso para alguém que só apareceu na série na temporada passada e nem era um namorado tão bom assim.

A pior parte que o peso dessa decisão está sobre os ombros de Kara, já que foi ela quem decidiu sacrificar seu interesse pessoal para proteger a Terra, algo que o próprio Superman seria incapaz de fazer.

E é para fugir disso – e lidar com o fato de que ela precisa seguir em frente – que ela decidiu “matar” Kara Danvers. Em The Vampire Diaries, por exemplo, isso seria como algum dos vampiros desligar a sua humanidade para não ter que lidar com as consequências do que fez, não ter que sentir a dor que passou.

Também é compreensível também a raiva que os entes queridos da Kara sentem. Não é fácil ver quem você gosta entrando em uma espiral de dor e escolhas autodestrutivas. E talvez, depois da cena que encerra o episódio com Kara indo até o bar, vejamos nossa querida Supergirl saindo desse padrão e finalmente começando a se curar e melhorar.

Além das críticas aos presidente dos Estados Unidos feitas pelas respostas irônicas – e lindas – de Cat Grant, que ironizou as pessoas que não acreditam no aquecimento global (como faz Donald Trump), a série voltou a apresentar outra questão importante da sociedade atual: O machismo.

Dessa vez acompanhamos isso através das interações de Lena com Morgan Edge, o novo personagem da série interpretado por Adrian Pasdar que sempre consegue fazer com que você pegue ranço nos personagens que ele interpreta – o que deve ser a prova de que ele é um bom ator, mesmo recebendo papéis pouco diversificados.

Logo na primeira cena dos dois fica claro que não só Edge desgosta de Lena pelo fato de que ela é uma Luthor e que, bem, a família dela não facilita as coisas, como também por ela ser uma mulher importante nos negócios que bate de frente com o empresário.

Aliás, Lena Luthor era a única mulher presente na reunião com os grande nomes da cidade, algo que por si só já fala bastante sobre como é a situação das mulheres nos negócios.  É interessante que isso volte a ser trabalhado na série, que sempre coloca isso de forma sutil e didática, sem deixar de criticar isso de forma clara, no entanto.

Mais interessante ainda foi ver, lá para o final do episódio, Kara ficando extremamente defensiva quando Edge surge no escritório de Lena para confrontar a moça. Duas mulheres fortes se apoiando e se protegendo é algo muito bacana de se ver, especialmente contra o cara que vai ser um grande antagonista na série.

Em resumo a série volta modificando um pouco sua proposta ao alterar o “tom” da Supergirl. Isso é algo bacana por mostrar consequências de suas ações, diferente do relacionamento entre Kara e James que foi abandonado logo no primeiro episódio da segunda temporada, mesmo sendo arrastado em toda a primeira temporada.

Colocar Kara, sempre alegre e feliz, como essa personagem machucada, irritada e triste é importante porque dá profundidade para a personagem, mas também assusta um pouco já que isso pode significar apenas uma trama sendo arrastada além da conta. É importante que isso continua sendo trabalhado nos próximos episódios mas que não dure tanto assim.

Interessante também ver que, mesmo que a atriz que interpreta Maggie não seja mais regular na série, eles não irão abandonar o relacionamento entre a policial e Alex. Seria muito injusto acabarem com todo o desenvolvimento que as duas personagens tiveram apenas por causa das questões contratuais da outra atriz.

Esse retorno da série também trouxe vários personagens novos e até mesmo reviravoltas interessantes no cotidiano de Kara (como a compra da CatCo por Lena), resta torcer para que essas tramas que começam a ser abertas sejam trabalhadas de forma satisfatória.

O que vocês acharam do episódio? Comentem!

Enquanto aguardamos a próxima segunda-feira, confira abaixo a nossa galeria com as imagens do segundo episódio da temporada:

Supergirl vai ao ar todas as segundas, na CW. A Review dos episódios sai toda quarta-feira aqui na LH.

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"