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Supergirl: 2.09 – Menos bobo, mais destemido!

Por Leo Gravena

Kevin Smith é uma figura conhecida no mundo nerd, o diretor, roteirista e apresentador está mais do que nunca envolvido com a DC e, recentemente, dirigiu dois episódios excelentes de The Flash. O vigésimo primeiro da segunda temporada – The Runaway Dinosaur, episódio em que Barry fica preso na força da aceleração – e o sétimo desta terceira – Killer Frost, no qual vemos Caitlin Snow lutando contra sua transformação em Nevasca.

Quando foi anunciado que Kevin Smith dirigiria um episodio de Supergirl, não era esperado algo menos do que o excepcional. Contudo, não tivemos um episódio excepcional, muito pelo contrário: Supergirl Lives é um episódio “normal” da série… e é justamente ai em que ele encontra sua força.

No episodio, Kara descobre um sistema de tráfico humano sendo conduzido por Roulette, contudo, isso está acontecendo em outro planeta, onde há um sol vermelho, o que retira os poderes de Kara e Mon-El. Eles são presos por Roulette e os aliens, porém Supergirl inspira os outros jovens que estão presos a causarem um motim e eles conseguem fugir. Este é um episódio simples, com uma trama que novamente faz alusão a problemas reais enfrentados na nossa sociedade, porém, traz algo a mais quando analisado a fundo.

Supergirl Lives não é o melhor episódio da série, definitivamente não é o pior, no entanto, ele traz alguns questionamentos importantes. Nele, vemos que Roulette continua uma ótima vilã, que provavelmente deve aparecer mais vezes durante essa temporada. A vilã é uma versão completamente oposta de Supergirl, ela não possui ligações significantes, ela vê pessoas apenas como objetos a serem utilizados para ela conseguir riquezas e prazer e – acima de tudo – Roulette simplesmente não se importa. Ela é completamente vazia e mesquinha, o que faz dela um perfeito contraponto da Supergirl.

Logo no começo, Kara fala sobre como está entediada por não estar mais fazendo uma grande diferença, nas últimas semanas ela está apenas lidando com crimes pífios e quer algo a mais, ela quer inspirar, se provar. Isso cria um paralelo interessante não apenas com o clímax do episódio, no qual a Supergirl inspira os vários jovens que estavam presos a ajudarem e se prova, novamente, mesmo sem seus poderes, como também mostra uma trama interessante com Winn: o que para ela foi apenas mais um dia normal, para ele foi um grande evento traumático.

Winn, inclusive, após um bom tempo sendo apenas o “sidekick” da Supergirl e agora de James, tem ótimas cenas no episódio, após ter quase morrido em uma missão com O Guardião, ele fica traumatizado e decide parar de se colocar em situações de risco. Um dos momentos mais divertidos é quando ele acredita ser um “redshirt”, fazendo referencia aos figurantes de Star Trek que serviam apenas para morrer.

Winn, contudo, tem grande auxilio de Alex, que lhe diz sobre como é compreensível ele ter medo dessas situações iniciais onde ele coloca sua vida em risco, porém, é para um bem maior. Além de claro, ela estar dando ordens como sua superiora.

Outro ponto importante do episódio – e da série – é o relacionamento entre Alex e Maggie. Após Supergirl desaparecer, Alex fica desesperada e acredita que isso é causado pelo fato dela estar sempre com sua nova namorada, tendo deixado sua irmã de lado. Mais do que isso, Alex afastar Maggie é quase que um mecanismo de defesa, Alex está acostumada com pessoas a abandonando, ela não acredita merecer um relacionamento saudável, ela acredita que, de um jeito ou de outro, vai acabar – por fim ela percebe que isso não é uma realidade e que Maggie está lá para ficar.

A cena em que elas falam sobre como Kara e Supergirl são a mesma pessoa é divertida e fofa, assim como a primeira cena delas no episódio. Alex e Maggie estão facilmente se tornando um dos melhores casais das séries de heróis, pois além da incrível química entre as atrizes, elas realmente funcionam bem juntas, não apenas como um casal, mas como parceiras na luta contra o crime.

Falando em casais, a série também continua a construir um romance entre Kara e Mon-El. Cada vez fica mais claro que o jovem guerreiro de Daxam é, na realidade, o príncipe daquele planeta. Mon-El também começa a mostrar mais de seu lado heroico, sendo inspirado pela Supergirl a ajudar as pessoas. Mon-El, cuja personalidade e trama simplesmente não evoluíram em nada na primeira metade da temporada, porém agora o personagem parece que finalmente começará a enfrentar melhor seu passado – deixando de ser bobo (Goofus) e tornando-se mais destemido (Gallant)

Com Mon-El também é que tivemos mais uma referência a Legião dos Super-Heróis, em determinado momento do episódio ele grita “Grife!”, algo como “Droga!” na língua dos heróis nos quadrinhos. Tivemos também um Dominion, do mais recente crossover entre as séries, aparecendo e uma referência a Besta Thanagariana, um monstro que apareceria no filme do Superman, protagonizado por Nicolas Cage, que foi cancelado.

Por fim, Supergirl Lives não foi um episódio completamente excepcional e memorável da série, porém trouxe um bom desenvolvimento para vários dos personagens, além de ter dado o inicio em transições que devem ocorrer no futuro; como Winn se tornando um agente melhor e aprendendo a se defender e lutar; Supergirl cada vez mais inspirando e tornando-se um símbolo de esperança; e Alex e Maggie continuando a desenvolver seu romance.

Confira abaixo algumas imagens do episódio:

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