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Mr. Robot: 3×01 – “…o que você estaria disposto a sacrificar por isso?”

Por Leo Gravena

Faz mais de um ano que deixamos Elliot caído no chão, sangrando, perdido e surpreso. Talvez, de uma maneira tão surpreendente quanto, também descobrimos que Tyrell Wellick não era um fruto da imaginação do protagonista. Uma gigantesca estrutura está sendo construída por Whiterose. Angela está cada vez mais indo para um caminho obscuro e, então, veio Trump. E, de alguma maneira, simplesmente faz sentido termos viagens no tempo no meio disso tudo. 

A segunda temporada de Mr. Robot não agradou muito os fãs. A trama contida, complexa e misteriosa da primeira temporada deu espaço para uma história muito mais aberta, com os personagens separados e uma lentidão nas tramas que realmente parecia apenas que a série estava com medo de avançar. Contudo, nos últimos dois episódios, isso começou a mudar. Mesmo este episódio sendo mais lento, ele não parece ser lento de maneira proposital, lento apenas para que existam mais episódios na temporada, ele é lento porque precisa ser, porque em setembro de 2016 deixamos Elliot caído no chão em uma poça de seu próprio sangue e precisamos desse tempo para voltarmos para o mundo de Mr. Robot. 

Logo de começo, acompanhamos Irving, o novo personagem que é interpretado por Bobby Cannavale – ele chega como alguém extremamente misterioso, porém, também trabalhando para Whiterose e o Dark Army. É difícil achar um personagem que não esteja relacionado à Whiterose, ainda assim, ela é o ser mais misterioso da série. 

Contudo Irving traz não apenas sua excentricidade como um certo alivio cômico, como também nos permite acompanhar um novo personagem no meio de todo esse caos. Porém, também descobrimos que ele não é um “novo personagem”, já que mesmo sendo novo para o espectador, ele está envolvido na trama já tem um bom tempo.  

Elliot, praticamente passa o episódio inteiro perdido, assim como nós assistindo a série. Ele sabe o que quer fazer, porém, sempre está encontrando adversidades. A cena em que Elliot anda pelas ruas e faz seu monólogo sobre como tudo o que ele fez, toda a sua revolução, foi por nada é excelente. O fato de que uma série foi feita sobre a fsociety e os eventos das suas primeiras temporadas é simplesmente genial, fazendo uma piada de maneira metalinguística com a própria série.

O discurso sobre como a revolução se tornou repressão e que ele não havia começado uma revolução, mas sim havia “deixado as pessoas dóceis o bastante para o abate” é o momento de virada no episódio e onde realmente vemos o “fantasma” da segunda temporada se afastando e entramos definitivamente na terceira temporada de Mr. Robot. 

Agora, após ver que seus planos simplesmente falharam, ele quer desfazer tudo o que ele e o Mr. Robot passaram as duas últimas temporadas fazendo. Certamente isso não vai dar muito certo, já que seu plano consiste em voltar a trabalhar para a Evil Corpdessa vez diretamente na empresa, e fechar as pontas soltas. Isso sem saber que a própria Angela está contra ele

Angela é uma personagem que vimos crescer de uma maneira extremamente gratificante na série. Se nos primeiros episódios ela definitivamente não atraia a atenção e era apenas “sem sal”, agora ela é facilmente a minha favorita. Temos um abismo entre essas duas personagens, essas duas versões da Angela. Realmente não duvido de que, no final, Angela se torne a maior inimiga e antagonista de Elliot na série. 

Além disso, a personagem traz uma das cenas mais interessantes desse inicio de temporada. Todo fã da série que acredita nas teorias de que teremos algo relacionado a viagem no tempo ficou com os olhos grudados em Angela quando ela dizia: 

 

“E se eu te dissesse que poderíamos fazer com que nada disso tivesse acontecido? […] Eu digo, tudo. Incluindo o que aconteceu com nossos pais…Se pudéssemos refazer tudo… Do começo… O que você estaria disposto a sacrificar por isso?” 

 

Em seguida, Elliot diz a ela que isso não é possível. Ela lhe responde novamente com uma pergunta: “E se eu te dissesse que é?”Junte esta cena com os planos misteriosos de Whiterose, a fixação dela com o tempo, a gigantesca máquina que parece ser um grande colisor de hádrons... Se isso diz respeito a viagem no tempo, manipulação da realidade ou a teoria de Bell de que a realidade é não-local, provavelmente vamos demorar bastante para descobrir, porém sempre é divertido teorizar sobre o assunto. 

O episódio também nos mostrou um pouco mais de Darlene, que está completamente aterrorizada com a ideia de que o Dark Army está atrás dela. Provavelmente isso deve fazer com que ela realmente se una a agente Dominique DiPierro, que infelizmente não deu as caras neste episódio, e lute contra o Dark Army.

Também devemos notar que durante todo o episódio, mesmo nas cenas iniciais que se passam durante o fim da tarde, toda a fotografia do episódio apostou em um tom mais escuro e sombrio. Todo o episódio acontece com o apagão ainda ocorrendo, o que explica as cenas escuras, Tão escuras que às vezes incomodam, porém, utilizar as imagens capturadas para causar desconforto é algo que Mr. Robot faz de forma exemplar. Mesmo não nos afetando diretamente, o fato de que eles estão sem luz nos incomoda o tempo todo, assim como os personagens, ao assistir o episódio também estamos sem luz. 

Porém, a energia voltou, junto de uma nova temporada que promete ser bem diferente das duas anteriores. 

Mr. Robot, assim como uma colcha de retalhos, não nos permite saber exatamente o que está preparando até ser tarde demais para termos outra reação além da surpresa e choque. A série, assim como os personagens dela, prospera no caos. E enquanto as possibilidades não são infinitas, a nossa ansiedade para saber o que está acontecendo (ou o que é real) as vezes parece ser… 

 

Confira também algumas imagens do próximo episódio da série abaixo e não deixe de comentar sobre o episódio! 

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sobre o autor Leo Gravena

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