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Midnight, Texas: 1.10 – Dançando com o diabo no final mais surpreendente que poderíamos ter!

Por Chris Rantin

Quando falamos de séries com temática sobrenatural, especialmente aquelas que correm o risco de serem canceladas, sempre nos deparamos com uma espécie de padrão no final de temporada: Alguém morre, temos alguma revelação chocante e praticamente todas as tramas terminam em cliffhanger, o recurso de roteiro que, bem, deixa tudo em aberto – criando um suspense desgraçado nisso – para que a outra temporada venha finalizar essas histórias. Midnight, Texas, de maneira surpreendente, não fez isso.

Depois de uma semana com dois episódios, que prepararam o terreno para o grande desfecho da temporada envolvendo o confronto contra a figura demoníaca Colconnar, o final deste primeiro ano do seriado preferiu uma conclusão mais segura – e feliz – ao criar poucos cliffhangers.

A ideia é muito boa pois ainda existe a incerteza se teremos uma segunda temporada de Midnight, Texas, mas não é esse o único motivo para o final ter sido tão agradável. O que acontece é que, ao escolher uma conclusão mais alegre – tendo casamentos e não velórios – a série quebra esse padrão que já havia sido estabelecido. Ela deixa as coisas mais interessantes justamente por não cair nesse clichê.

Mas vamos começar do início! Aceitando seguir de volta para a cidade, em uma tentativa louca de proteger seus amigos, Fiji é acompanhada por Jeremy – O namorado que ela matou acidentalmente durante a primeira vez deles. Quando chega na sua casa, no entanto, a bruxa entende que ele não é o espírito do seu amado, mas apenas mais um dos espectros que estavam espalhando terror pela cidade, alguém que vestia o rosto de Jeremy apenas para atacá-la.

Infelizmente isso não significa que eles são menos letais, já que ele acaba queimando a feiticeira, ordenando que ela se prepare para a chegada do demônio que deseja dormir com ela, conseguindo ter poder suficiente para romper o véu completamente. Romântico, não?

Mas é claro que Fiji tem seus próprios planos, afinal ela não seria a bruxa fodona que amamos se ela não fosse assim. Mesmo que pareça que ela está se rendendo, ela na verdade planeja repetir o que aconteceu com Jeremy – dessa vez de forma intencional – e destruir Colconnar enquanto eles estiverem juntos.

A moça explica isso para Bobo, que aparece de volta na cidade – junto com o resto dos amigos de Fiji – para resgatá-la e finalizar o véu. Mesmo descobrindo que Manfred continua vivo, a bruxa continua irredutível e acredita que ela é a única que pode parar o demônio, afinal ele não desistir enquanto não tiver o que deseja.

E o que é que o demônio mais quer? Tomar a virgindade da bruxa e conquistar ainda mais poder. Aparentemente Bobo finalmente teve a mesma ideia que o resto dos telespectadores e, como eu havia sugerido na última review, sugeriu finalmente concretizar esse shipp ao dormir com Fiji.

A feiticeira, é claro, fica chocada com essa ideia. Afinal, para Fiji, faz muito mais sentido ela se sacrificar pela cidade, sendo uma isca para Colconnar e tentar matar o demônio enquanto eles transam do que ficar com o rapaz bonito pelo qual ela é apaixonada. Quando ela finalmente se livra do choque, o momento é bem fofo, já que os dois começam a falar como gostam um do outro – e Fiji reclama que não gostaria que isso acontecesse naquelas circunstâncias, que ela gostaria de cozinhar para ele e assistir um filme juntos (sabe, algo bem parecido com aquele jantar que ela preparou para Bobo no começo da temporada… )

Aceitando a possibilidade de morrer queimado – e dizendo que valeria a pena – Bobo finalmente se une a sua amada, acabando com a chance de Colconnar tinha de quebrar o véu de uma vez por todas. O poder do momento foi tão grande que, de uma só vez, todos os espectros da cidade foram destruídos.

Mas e quanto aos outros midnighters? Bem, enquanto Fiji finalmente tinha a felicidade que ela merecia, as coisas não pareciam muito boas para os outros personagens. Ao chegar na cidade eles se dividiram em dois grupos: Um tentaria ir na loja de penhores para que Manfred conseguisse encontrar uma forma de parar Colconnar; já o outro grupo, composto pelos três humanos Olívia, Bobo e Creek estavam responsáveis por ir até Fiji e resgatá-la.

Não é preciso dizer que essa divisão não faz sentido né? Veja bem, o foco dos espectros não era a loja dos penhores, mas sim a defesa daquela que era o alvo de Colconnar, assim sendo não seria mais lógico mandar o anjo, o homem-tigre e o vampiro resgatar a bruxa? Aparentemente não é assim que Manfred pensa.

O resultado disso é que, apesar de conseguirem chegar até Fiji, Olívia é queimada de forma severa por um dos espectros, ficando em um estado muito grave. Creek segue para um dos hospitais na cidade vizinha, já que não havia muito o que a bruxa pudesse fazer ali.

Manfred, no entanto, continua na loja de penhores, já que a dica do xamã para ele – a mensagem que ele recebeu no último episódio – era que ele deveria conhecer o mal para deter o mal. Como ele faz isso? Deixando que os piores espíritos presos na loja o possuam.

Acontece que, ao longo dos anos, diversos itens amaldiçoados acabaram indo parar na lojinha de Bobo, quatro deles em específico marcados por uma história tão sangrenta que estavam diretamente relacionados com uma série de mortes brutais.

Assim, depois de fazer um acordo de que libertaria os espíritos daqueles objetos – permitindo que eles voltassem para o inferno -, Manfred marcha contra Colconnar que finalmente deu as caras na cidade, pronto para encontrar sua noiva.

No confronto entre os dois, os quatro espíritos dentro de Manfred, que garantem poderes sombrios para ele, até conseguem chamar a atenção do demônio, deixando-o mais irritado do que enfraquecido. Quando o confronto aperta e parece que o time do bem vai perder – especialmente porque nem mesmo o anjo Joe conseguiu ser muita resistência contra o vilão – Lemuel decide adotar um plano mais arriscado e entrega para Manfred um objeto ainda mais amaldiçoado, que, segundo ele, continha o próprio Diabo.

O espírito ali deixa Manfred com um visual ainda mais bizarro, tendo sangue negro escorrendo por todos os orifícios do rosto, mas é o suficiente para que ele consiga destruir Colconnar. O médium manda todos os outros espíritos embora e é isso.

Depois de tanta menção ao poder do demônio – tendo até a profecia de Joe e Xylda para criar um clima de suspense – eu realmente esperava mais disso, talvez um episódio com o vilão realmente espalhando destruição e caos. Mais uma vez, no entanto, Midnight, Texas escolheu focar no viés humano dos personagens, ao invés de criar um confronto épico. Funcionou para concluir a série, mas é algo que precisa ser melhorado na próxima temporada (se tivermos uma): Precisamos de bons vilões!

Para encerrar a série, temos Lemuel marchando para o hospital onde Olívia estava – pouco se importando se o sol ainda estava iluminando o dia (e queimando sua carne). A escolha mais dramática aqui seria ele transformá-la em uma vampira, criando toda uma trama de conflito entre os dois já que, em diversos momentos, a mercenária já deixou claro que não queria isso. No entanto, de forma surpreendente – e muito fofa – Lemuel respeitou a decisão dela e utilizou apenas as propriedades curativas do seu sangue para acelerar sua recuperação.

Isso não é muito saudável, mas era a melhor opção no momento. O que resulta disso? Um casamento! Contrariando todas as expectativas, o final de Midnight, Texas é o casamento de Lemuel e Olivia, enquanto todos os outros casais (Joe e Chuy, Creek e Manfred, Fiji e Bobo) ficam felizes. Até mesmo o Mr. Snuggles, o gato da feiticeira, apareceu para garantir que tudo estava bem com ele.

De pontos em aberto para serem resolvidos na segunda temporada temos: A revitalização do hotel da cidade – extremamente assombrado por espíritos – que promete transformar Midnight em um ponto turístico, tudo o que os midnighters não queria; O fato de que Manfred não parece estar muito bem depois de todos aqueles espíritos demoníacos possuindo seu corpo – podendo sugerir até que ainda existe alguma influência deles em seu corpo; E a revelação de que Madonna Reed, a dona do restaurante da cidade que, até o momento, parecia ser apenas uma humana gentil da cidade é, na verdade, uma espiã trabalhando para o pai de Olivia – ou seja, ainda existem muitos segredos na cidade.

Em resumo a série conseguiu criar uma história envolvente sobre a relação dessas criaturas sobrenaturais – e a família disfuncional que eles formam. Ainda que a série tenha pecado em alguns pontos, continua sendo uma boa fonte de entretenimento, merecendo uma segunda temporada com toda a certeza. Fiquemos na torcida para que isso aconteça.

Confira na nossa galeria abaixo algumas imagens deste último episódio:  

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"