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Midnight, Texas: 1.08-09 – Sacrifícios, demônios e uma bruxa fod*#@!

Por Chris Rantin

Por conta do furacão Irmã, os planos da NBC de exibir os dois últimos episódios de Midnight, Texas, sendo assim um grande evento de duas horas, precisou ser alterado, o que garantiu que tivéssemos um episódio segunda e outro quarta.

O que isso significa? Significa que além de torcer para que a série seja renovada, temos que esperar mais alguns dias para termos as respostas sobre o ficamos loucos querendo respostas sobre os eventos dessa reta final insana. Vamos começar pelo começo.

O oitavo episódio da temporada começa depois que Manfred abandonou Midnight, quando Creek pediu um tempo para lidar com seu drama familiar. Enquanto o médium seguia com Xylda em meio ao deserto do Texas, tivémos algumas pistas sobre o passado dele. Ainda quando um garoto, ele foi abandonado por sua mãe junto da velha cigana Xylda, outra médium como ele, que seria capaz de ensiná-lo a lidar com os mortos.

Infelizmente, a tendência que Manfred adquiriu de fugir de situações complicadas – e usar bebidas e remédios para fazer com que os dons ficassem dormentes. Enquanto recebemos essas informações importantes sobre o personagem, finalmente entendendo o que fez com que ele se comportasse dessa forma, descobrimos também que, no instante em que a velha cigana notou que não conseguiria sobreviver ao câncer, ela preferiu cometer suicídio.

Toda a cena é muito bonita, especialmente por termos um lado bem mais humano – e vulnerável – de Manfred e sua avó que sempre apareceram como personagens bem decididos e até mesmo distantes.

Fora dos flashbacks, vemos que a jornada de Manfred pelo deserto serviu para desintoxicar seu organismo de todos os remédios que ele tomava para ficar sem ter que interagir o fantasma. Isso é importante por que, como Xylda reconhece, ela não deveria ter ensinado neto a trapacear, mascarar seus dons e fugir, já que desde pequeno ele dava indícios de ser extremamente poderoso podendo controlar os espíritos e não apenas vê-lo.

Toda essa culpa da cigana era a razão pela qual ela não conseguia seguir em frente, estando como um fantasma no trailer. Felizmente, ela consegue encontrar a paz e seguir para o outro plano quando ajuda Manfred – que esteve perambulando pelo deserto depois que seu veículo quebrou –  a pegar uma carona de volta para Midnight, podendo finalmente cumprir o seu destino para liderar seus amigos contra o mal – uma visão que a própria Xylda teve.

Não seria Midnight, Texas, no entanto, se as coisas não dessem errado. A carona de Manfred é ninguém menos que o monstro do episódio, uma figura com a habilidade de roubar rostos alheios (escolinha Arya Stark de assassinos) que tem como objetivo acelerar a chegada dos demônios na Terra, fazendo um grande sacrifício para isso.

Enquanto Manfred consegue avisar Fiji de que o monstro está chegando, as coisas não parecem, a bruxa já está trabalhando em seus feitiços para proteger seus amigos, já que aqueles que não estão se tornando mais violentos pela influência do véu, estão sendo tentados a cometer suicídio – alimentando assim o demônio.

Nesse momento vemos o quão perto de um colapso nervoso Fiji está. Depois de ser perturbada pelo demônio esse tempo todo, a bruxa já está mais do que cansada de ter que ouvir a voz dele – ou ser atacada enquanto dorme. A gota d’água, no entanto, é ver que seu inimigo está atacando os humanos que ela costuma ajudar com magia, aqueles que, diferentemente dela, são completamente indefesos.

Mas ser sobrenatural não é garantia de muita proteção contra as forças do mal. Lemuel, o nosso vampiro, tem sofrido com uma sede de sangue crescente, se tornando especialmente agressivo com sua amada, Olívia, que no episódio anterior havia deixado claro que, eventualmente, iria abandoná-lo, já que não gostaria de se transformar em uma vampira e não queria ficar perto dele quando começasse a envelhecer.

Temos então o momento mais dramático do episódio, quando depois de ser agarrada pelos cabelos por Lem, vemos que Olívia os cortou para facilitar sua luta contra seu namorado. A luta, muito bem coreografada, mostra que por mais que ela seja uma humana, a coragem está em seu sangue, e ela parte para o ataque – mesmo que não muito efetivo.

A dor no olhar de Olivia quando ela grita que Lem, agora de volta ao seu estado normal graças a poção de Fiji, fique longe dela é devastador, mostrando o quão frágil nossa mercenária é, por mais que tenha toda a fachada de guerreira fria e sem coração.

Não sobra muito tempo para o drama, já que a criatura sem face chegou em Midnight e está pronta para queimar uma pilha de cadáveres em honra ao demônio que assombra Fiji. Antes de seguir até lá, no entanto, Manfred vai em busca de Creek, que por estar extremamente abalada por conta do seu irmão-psicopata, é tentada a se matar.

Garota salva, o médium se reúne com os Midnighters em uma tentativa de impedir o sacrifício. Nesse momento descobrimos que Colconnar, o demônio, não precisava de ajuda para criar uma pira para os corpos trazidos por seu seguidor – que além de tudo tenta arrastar Fiji para o inferno já que, aparentemente, ela foi escolhida como a Noiva do Diabo.

No auge dos seus poderes, já que se livrou de todo o efeito dos remédios, Manfred convoca os espíritos para ajudá-lo a empurrar o monstro sem face de volta ao inferno, salvando a bruxa – ao menos por enquanto – de Colconnar.

Já no nono episódio, que foi praticamente todo focado em Fiji, vemos que a bruxa continua sendo atormentada pelo demônio, mas que agora ela parece ter tido um surto de sonambulismo, atacando com chamas um espírito que apenas ela podia ver – quase queimando seus amigos no processo.

Graças ao sacrifício feito no outro episódio, o fim do mundo está mais próximo, com o véu sendo aberto e iniciando a invasão das forças demoníacas. Por causa disso, Manfred pede que Creek mande todos os humanos de Midnight – que devem totalizar umas 40 pessoas, já que todos estavam no restaurante – fugirem da cidade enquanto eles tentam lidar com o apocalipse.

Enquanto isso, vemos o passado de Fiji, que chegou em Midnight 10 anos atrás, sendo quase que uma outra pessoa. Não, sério, realmente parece que trocaram de atriz, já que ela aparenta ser bem mais jovem, mesmo que tudo que tenha mudado nela é seu cabelo e roupas.

Acompanhamos assim, a jornada da moça que descobre ser uma bruxa e, possuindo um grande poder natural, precisa aprender a controlar suas emoções já que, mesmo sem a intenção, elas conseguem manipular a realidade.

A maneira que Fiji aprendeu isso foi bem trágica já que, quando iria ter sua primeira vez com seu namorado – um rapaz de Midnight que estava perfeitamente confortável com as criaturas mágicas da cidade, além de completamente apaixonado por Fiji – a moça se deixou levar pelo calor do momento e acabou incendiando o garoto.

Quando recebemos essa informação, Manfred e seus amigos perceberam que a melhor escolha era fugir de Midnight, que agora já está abarrotada por demônios – capazes de queimar com o toque, como Bobo descobriu. Não é o melhor dos planos, mas todos concordam que vai garantir que eles possam descobrir como fechar o véu, impedindo a chegada de Colconnar.

Mas tentar fugir da cidade – e da violenta tempestade – não é tão fácil, já que ela está perseguindo Fiji. A moça finalmente revela, depois de muita insistência por parte dos seus amigos, que a razão para Colconnar estar tão louco por ela é bastante simples: Ela é virgem.

Depois que matou seu primeiro namorado, a bruxa não teve coragem de se relacionar com outras pessoas com medo de machucá-las. Isso é relevante porque, por ter se mantido virgem por tanto tempo, isso gerou um poder muito grande em Fiji, algo que o demônio deseja obter – indo para todo aquele lance de sacrifício de virgens.

Aparentemente a mente dos personagens funciona de um jeito menos prático, já que, ao invés de ficar sofrendo com o medo de que isso aconteça, meu primeiro pensamento foi deixar o relacionamento dela com Bobo ainda mais intimos. Isso não só iria diminuir os perigos do vilão, como também não representaria uma grande baixa para a equipe, caso o humano acabasse morrendo durante o processo.

Seguindo em outra direção, no entanto, vemos Manfred finalmente reconhecer que ser um bom líder significa ser capaz de delegar funções. Não cabe a ele ser a linha de frente nesta batalha, especialmente quando Fiji é a mais poderosa entre os seus amigos. Unindo maldições ciganas com a magia negra das bruxas, os dois conseguem criar um ritual que, se tudo der certo, vai permitir que eles consigam encontrar uma maneira de fechar o véu entre os mundos.

O preço para isso, no entanto, é uma vida. Mesmo que o reverendo Emílio se voluntarie, em uma forma de equilibrar a balança pelas vidas que ele já tirou como Homem-Tigre (algo prontamente rebatido por Olívia, que pontuou que todos naquele grupo já haviam participado da morte de alguém), o gato de Fiji – que antes disso era o familiar de sua tia Mildred -, começa a falar e se voluntaria como o sacrifício.

Sendo o dono de um gato que se chama Salém por causa de Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira, eu tenho um apego muito forte por gatos de bruxas que falam. Assim sendo, já comecei a me desesperar com a ideia de perder o Mr. Snuggly da série. Nas poucas vezes que ele apareceu, seus comentários venenosos e sua falta de paciência com os humanos já me conquistou.

Mesmo assim, por mais que boa parte do grupo estivesse chocado com a revelação de que Fiji possuía um gato mágico, eles decidem aceitar essa ideia – especialmente depois que Snuggly deixa claro que nunca gostou da bruxa, que só ficou com ela porque Mildred faleceu.

O ritual não aceita a vida do gato como sacrifício, ao invés disso é Manfred que parece ter que pagar esse preço, já que para a surpresa de todos, é ele quem cai morto. Acontece que tudo isso fazia parte do feitiço, aparentemente, já que o médium foi capaz de se comunicar com o Xamã que, há muitos anos atrás, selou o véu com sua magia, pagando o feito com a própria vida.

Infelizmente, Fiji e o resto dos seus amigos não sabia que ele retornaria. Devastada com a possibilidade de ter matado mais um inocente, a bruxa decide confrontar o espírito – mais um dos lacaios de Colconnar – que a estava aterrorizando. Ela descobre que se trata do seu primeiro namorado, aquele que ela matou acidentalmente, e acaba aceitando a oferta dele em se render ao demônio em troca da seguranças dos seus amigos. Neste momento Manfred retorna à vida com as informações que precisava, mas agora o grupo vai precisar ir atrás da feiticeira antes que seja tarde demais.

Em resumo os dois episódios foram muito bons, conseguindo trabalhar – e criar – um drama importante para o desenvolvimento de todos os personagens da série, fazendo com que eles lidassem com as marcas do seu passado trágico ou com os problemas causados pelo demônio. Assim, é impossível não ficar extremamente ansioso para ver a conclusão disso será na semana que vem, no episódio chamado de O Sacrifício da Virgem, que finaliza essa primeira temporada, que teve uma reta final muito boa.

Agora, o jeito é torcer não só para que essa conclusão seja bem feita, mas que a série seja renovada para uma próxima temporada. Enquanto aguardamos isso, vocês podem conferir nossa galeria com as imagens do próximo episódio:

Midnight, Texas vai ao ar toda segunda-feira pela NBC, já a review do episódio sai toda quarta-feira aqui na LH!

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"