Capa da Publicação

Midnight, Texas: 1.07 – Cidade dos Anjos (e de um adorável demônio)!

Por Chris Rantin

Quando comecei a assistir esse episódio, devo confessar que fiquei com muito medo de ser uma trama mal trabalhada ou desenvolvida de forma superficial. Por mais que adore Midnight, Texas não consigo ignorar o fato de que, até o momento, todas as ameaças apresentadas na série – da Succubus até o perigoso Hightower – foram mal exploradas, sendo derrotadas de forma simples, fácil demais.

Costumam dizer que uma série só é tão boa quanto o seu protagonista, e por sorte a série possui um conjunto de protagonistas carismáticos e interessantes, mas e os vilões? Até o momento nenhum deles foi memorável, nenhuma ameaça grandiosa e um antagonista interessante, apenas o temível inferno e os demônios que podem surgir quando o véu se fragmentar que só mostrou suas garras até agora.

Assim sendo, já estava imaginando que por mais tenso que fosse Bowie, a anjo que surgiu em Midnight para caçar Joe Strong – que como sabemos chamou a atenção por causa do uso dos seus poderes – ela seria apenas mais uma personagem interessante que seria descartada sem muito impacto. Felizmente eu estava enganado.  

Logo de cara já somos apresentados à vilã, que aparece ao lado de Joe em Midnight um milênio atrás, exterminando demônios e deixando claro o quanto aquilo lhe dava prazer. Nosso anjo, como era de se esperar, não parecia curtir tanto a matança proposta por Bowie que logo iríamos descobrir possuía mais interesse em Joe do que apenas a relação professora-aluno.

Não é preciso pensar muito que alguém que odiava tanto os demônios – e que conforme descobrimos despreza as criaturas sobrenaturais tanto quanto os Filhos de Lúcifer -, não ficaria nada feliz ao descobrir que seu maior pupilo havia abandonado a glória divina, especialmente quando a razão para isso é Chuy o adorável meio-demônio por quem Joe se apaixonou.

A partir do momento em que todas as revelações são feitas para os Midnighters, gerando reações chocantes entre os heróis (e a total compreensão de Olívia, que sabe muito bem o que é tentar seguir em frente depois de uma origem sombria) , tudo o que temos no episódio é Bowie espalhando o terror pela cidade.

Nenhuma outra vilã foi tão ameaçadora quanto a ruiva angelical, que além de ler as mentes dos humanos da cidade, mostrou ser extremamente cruel ao se divertir com os segredos mais profundos deles. Pega pelas garras de Bowie, Creek se tornou a presa perfeita para a anjo caído, não só por ter uma clara relação por Manfred – que já havia sido investigado por Bowie -, como por estar lidando com MUITOS problemas.

Por mais forte que Creek havia se mostrado no último episódio, a garota está extremamente fragilizada pelo fato de que seu irmão era um psicopata. Sem saber quem ela é, já que sempre foi “a filha” ou “a irmã”, além de projetar sua culpa em várias pessoas, especialmente Manfred que, basicamente, não utilizou seus dons para ajudá-la a descobrir as coisas antes que fosse tarde demais, ela foi um prato cheio de culpa para Bowie, que amou torturá-la psicologicamente.

A crise de identidade e todos os problemas que Creek enfrentou neste episódio (e provavelmente vai continuar enfrentando) é algo muito positivo para a personagem, que finalmente começa a ter a profundidade que merece, além de ter uma reação mais humana aos terrores que passou. Eu realmente duvido que a moça vai continuar sendo a criaturinha sem sal que ela era nos primeiros episódios.

Enquanto tudo isso acontece, Chuy e Joe contam com a ajuda de seus amigos para se defender. O plano é simples, apenas um demônio tem chances reais de matar um anjo e como Chuy perde o controle quando está em sua forma mais macabra, Manfred e seus amigos querem atirar Bowie para o inferno, utilizando um portal parecido com o que foi aberto acidentalmente pelo médium.

Quando achamos que tudo será simples e que este realmente será o fim da ruiva, depois de ser empurrada por Lemuel para o espelho/portal criado por Fiji, somos surpreendido pela luz divina ainda presente em Bowie que simplesmente explode o portal instantes antes de atravessá-lo.

Cabe, então a Joe enfrentar sua adversária, já que todos os outros são impotentes contra ela. A sequência de luta na igreja é muito boa e realmente mostra o potencial da série para criar combates interessantes, mas como era de se esperar, a sanguinária Bowie é muito melhor em combate do que o pacífico Joe.

Sem outra alternativa – e assistindo seu amado ser surrado pela ruiva – Chuy deixa seu lado demoníaco tomar o controle, surgindo no meio da luta e rasgando o pescoço de Bowie com seus dentes. Incapaz de se conter, a ameaça aos midnighters, agora, é o gentil manicure que se apresenta como uma criatura feia – sem chifres, asas ou cauda, o que pode ser justificado pelo fato de que ele é apenas meio-demônio.

Mesmo não sendo um demônio completo, não existe ninguém além de Joe que consegue pará-lo, nem mesmo Lemuel. Para a sorte do nosso coração de shipper, Chuy conseguiu voltar ao normal – ainda muito fragilizado – depois de quase ter seu coração arrancado por seu marido, que deixou claro que faria aquilo para proteger seus amigos, mas que ter que matar seu amado seria demais para ele, ou seja, ele morreria por amor.

A questão é: Se um meio-demônio deu tanto trabalho, como os Midnighters tem a menor chance contra a legião de demônios (completos, perigosos e assustadores) que pode invadir a cidade quando o véu se romper por completo? Pelo visto Manfred não quer descobrir isso, mesmo ouvindo da boca de Joe que ele deve ser o responsável por liderar as forças do bem contra o mal, o médium decidiu partir de Midnight depois de levar um pé na bunda de Creek, que decidiu tirar um tempo só pra ela e entender quem ela é depois de tantas tragédias.

Em suma o episódio foi MUITO BOM, não só por ser quase inteiramente focado na história de um casal gay (representatividade, algo muito bem trabalhado nessa série), mas por ter uma vilã que realmente foi capaz de representar um perigo real para toda a cidade, não apenas para os seres sobrenaturais. Tudo isso enquanto desenvolvia melhor Creek, explorando seus traumas e aprofundava a personagem para o público;

O que vocês acharam do episódio? 

Agora, será que Manfred, o herói covarde vai retornar logo para a cidade? Isso a gente vai descobrir na semana que vem, no episódio cuja será uma criatura sobrenatural sem rosto, que tentará acelerar a destruição do véu, tentando trazer os demônios para a terra. Tudo isso enquanto Olivia e Bobo, os humanos, fazem seus próprios planos para defender a cidade.

Confira abaixo a nossa galeria sobre o episódio:

Midnight, Texas vai ao ar toda segunda-feira pela NBC, já a review do episódio sai toda quarta-feira aqui na LH!

Imagem de perfil
Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"