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iZombie: 3.01-03 – Uma nova ordem mundial não é feita sem cérebros e drama!

Por Cristiano Rantin

Caso você tenha caído nesta resenha mas ainda não tenha assistido essa série, recomendo que você dê uma lida na minha lista com 10 bons motivos para você assistir iZombie. Sério, a série é ótima e você precisa dar uma chance pra ela!

Agora sim, hora de falarmos sobre a série. O primeiro episódio dessa temporada, Heaven Just Got a Little Smoother (O paraíso acabou de ficar mais tranquilo, em tradução livre), começa sem nenhum novo caso para Liv e Clive resolverem, o que causa um certo estranhamento justamente por quebrar o padrão já estabelecido no seriado.

Aqui vemos a continuação direta dos eventos da segunda temporada, quando conhecemos a perigosa Vivian, a zumbi que declarou que em breve Seattle será a capital dos mortos-vivos e deu um ultimato para Liv, que deveria decidir se estava junto com ela ou iria lutar contra essa causa.

Todo o episódio, basicamente, nos apresenta essa nova ordem mundial e a ideia de que em pouco tempo as pessoas irão descobrir que existem zumbis entre elas e que, muito provavelmente, devem reagir de maneira violenta tentando eliminar essa “ameaça”. Por isso é necessário estar pronto para revidar os ataques.

Apesar de ser muito interessante ver como alguns zumbis começaram a se organizar como uma sociedade com escolas e exército, tudo é apresentado muito rápido para Liv e seus amigos e o resultado disso é que não conseguimos digerir muito bem o impacto do que Vivian sugere.

Isso vai acontecer, de maneira muito suspeita, no final do episódio. Depois de alguns comentários preconceituosos e violentos sobre pessoas que começaram a desconfiar que existiam zumbis  no mundo real, finalmente somos apresentados ao caso da semana. E então descobrimos que a família do adorável Wally, amigo de Clive, e o próprio garoto, foram assassinados possivelmente por serem mortos-vivos.

As repercussões disso acontecem no segundo episódio, Zombie Knows Best (Zumbi sabe mais, em tradução livre), que apesar de ser bastante confuso ao misturar diversos momentos do passado, presente e do futuro na narrativa do episódio, consegue servir para aprofundar Clive e mostrar um lado mais humano do detetive.

Enquanto o episódio prossegue, vemos fragmentos de memória do policial que nos permite conhecer como ele se relaciona fora do trabalho, interagindo com Wally, o filho de sua gentil vizinha que estava presa em um relacionamento abusivo, que foi o responsável por viciá-lo em Game of Thrones.

Outro acontecimento que vale a pena ser citado e que graças a um “acidente” que mata pai e filha, finalmente vemos Major, que voltou a ser um zumbi, comer uma cérebro junto de Liv para ajudar no caso.

Ao longo dessas duas temporadas já vimos Liv ser artista, psicótica, gótica e até mesmo uma madame, tudo isso enquanto Major seguia em sua jornada de justiceiro (ou assassino de aluguel), sempre muito sério e centrado. Por isso é hilário ver Major se comportando como uma garota de 15 anos, enquanto Liv assume o papel de seu pai. As piadas estão ótimas e o entrosamento dos dois faz com que você deseje que ele abandone sua carreira militar para poder continuar trabalhando com a legista.

Mas é apenas em Eat, Pray, Liv (Comer, rezar e Liv, em tradução livre), o episódio desta semana de iZombie, é que vemos a série voltar ao seu estado normal e nos apresentar um caso policial sem ficar quebrando o ritmo da investigação com memórias de Clive.

No episódio, um mestre de meditação encontra a verdadeira paz interior ao ser morto com um buda. Infelizmente todo o peso e reviravoltas desse caso – incluindo a revelação do assassino – acabam ficando em segundo plano já que o episódio é, basicamente, focado no triângulo amoroso formado por Peyton, Ravi e Blaine.

Depois dos três episódios a impressão que fica é que iZombie tentou dar um passo maior que a perna, fazendo uma escolha ousada demais para começar uma temporada. A trama do preconceito contra os zumbis, o aprofundamento emocional de Clive e até mesmo o drama amoroso entre os amigos (e inimigo) de Liv parecem receber mais tempo de tela do que a própria protagonista da série.

Com isso, o humor e os casos policiais, os pilares que sustentam a série, acabam sendo sacrificado em diversos momentos para dar lugar ao sofrimento e aos planos grandiosos sobre o que veremos no futuro.

Outra coisa que me incomodou é a maneira em que Clive aceitou rápido demais a realidade de que zumbis existem. É claro que ela já conhecia a Liv e suas excentricidades e, para todos os efeitos, sobreviveu ao apocalipse zumbi do final da terceira temporada, mas pular desses acontecimentos direto para ele assistindo um cérebro ser preparado pela zumbi sem demonstrar muita repulsa ou confusão, parece fácil demais. Isso deixa a impressão de que essa parte importante da trama foi apressada sem muito aprofundamento, só para colocá-lo no Time Zumbi.

Sobre a questão da morte de Wally e sua família, a maneira como essa trama foi apresentada – e sua repercussão – deixa muito espaço para que tudo isso tenha sido um plano de Vivian para conseguir o apoio de Liv e seus amigos. Até porque essa nova personagem parece ser o tipo de zumbi que faz o que for preciso pelo bem maior, por isso eu realmente não ficaria surpreso em ver que ela esteve por trás dos assassinatos brutais.

O triângulo amoroso que surgiu na série é irritante em diversos níveis. Não só eles acabam tirando o foco do fato de que Major está morrendo como efeito colateral da primeira cura, como também é um drama desnecessário.

Blaine, que ao que tudo indica realmente está fingindo a perda de memória para sair impune de seus atos do passado, acabou obcecado por Peyton rápido demais. Enquanto Ravi parece culpar a própria Peyton por ter sido sequestrada e resgatada pelo ex-zumbi.

Ficar revoltado com ela porque ela se relacionou com Blaine, enquanto ela ainda não conhecia seu passado sanguinário, é bastante incoerente. Especialmente quando, antes mesmo de conversar com ela sobre seus sentimentos, ele dormiu com sua ex-chefe. É bastante hipócrita e acaba reduzindo Ravi a um completo babaca.

Falando em personagens reduzidos, eu realmente espero que Peyton não tenha sido promovida como regular na série apenas para servir como desenvolvimento tanto para Ravi como para Blaine.

A personagem tem um grande potencial para a equipe de Liv e, até agora, sempre se mostrou muito independente e forte. Reduzir ela para apenas uma donzela indefesa ou mocinha apaixonada seria triste de assistir.

Fora que, uma vez que ela sabe sobre os zumbis, passou da hora de termos mais momentos de amizade entre ela e Liv. É estranho imaginar que a legista tenha mais momentos com Ravi, que ela conheceu há poucos anos, do que com Peyton que ela conhece desde a adolescência.

Aliás, precisamos falar sobre Liv. A protagonista da série, nesses episódios, acaba sendo ignorada e mal aproveitada e você, em diversos momentos, esquece dos próprios problemas dela em consequência do drama alheio.

Em meio a tantas reviravoltas – e foco nos outros personagens – ela mal teve tempo de sofrer por ter matado seu namorado, no final da temporada anterior, ou de reagir ao fato de que Major não só começou a treinar no exército de zumbis, como também deve escolher entre a morte definitiva ou a perda de todas suas memórias.

Outro ponto que chega a ser bastante incômodo é que agora que Major e Liv finalmente são zumbis e não possuem segredos entre eles – ou relacionamentos com outras pessoas – surge um novo empecilho para eles ficarem juntos, dessa vez personificado na zumbi suicida e desaparecida que conhecemos na temporada anterior.

Por mais que a história dela tenha sido triste e fofa, servindo para desenvolver Major com as questões inerente da vida de um zumbi, não tem como eles terem essa forte ligação. Os dois se conheceram em um episódio e, apesar de todas as promessas que foram feitas sobre a cura para a condição dela, fazer com que o relacionamento entre Major e Liv seja atrapalhado por causa da busca heroica por ela é um pouco forçado.

Em suma, os três primeiros episódios da série acabam errando a mão ao incluir tramas grandiosas demais ou trabalhar os outros personagens da série de uma maneira estranha. Seja alterando a “linha do tempo” do episódio, misturando as lembranças de Clive, com o seu interrogatório (que só acontece no final do segundo episódio) e sua investigação do caso da semana ou ao criar um triângulo amoroso cheio de dramas desnecessários.

Tudo isso acaba fazendo com que o humor – e Liv – sejam colocados de lado, o que não só é uma pena como pode ser perigoso para o futuro da série. Felizmente, as coisas parecem estar caminhando de voltando para a normalidade e com o próximo cérebro que Liv deve comer parece ser mais interessante, já que pertencia a uma fofoqueira. 

Confira abaixo a galeria com as fotos de Wag the tongue slowly o episódio 4 da terceira temporada:

Erro: Galeria/Lista não encontrada ou não publicada

iZombie é exibido toda terça-feira pela CW.

 

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Mestrando em Comunicação Social pela UEL • Bruxo • Twitter: @ChrisRantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"