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Harry Potter e a Geração que Sobreviveu!

Por Gus Fiaux

Hoje, dia 26 de junho de 2017, completam-se vinte anos desde o lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal. A estreia editorial de J.K. Rowling marcou o início de uma saga extremamente bem sucedida na literatura, nos cinemas, nos games e em diversas outras mídias, e bem recebida por uma multidão voraz de leitores, que apadrinharam a franquia como a nova representante da fantasia moderna.

Não é preciso olhar muito longe para ver os efeitos de Harry Potter no mundo. Sete livros. Oito filmes. Uma franquia spin-off. Diversos jogos. Plataformas midiáticas como o Pottermore e muitos – muitos – fãs. A geração millennial respirou, ao longo desses vinte anos, a história do Menino que Sobreviveu de todas as formas possíveis, incorporando-a à cultura mundial e tornando-a um clássico instantâneo.

Mas a um nível pessoal, como ela afetou os fãs? Aí é uma questão subjetiva. Cada um teve sua própria experiência com a saga, embora todos tenham passado por situações em comum – como por exemplo, esperar incansavelmente os trailers e notícias a respeito dos próximos livros a serem publicados e filmes a serem lançados. E não esqueçamos das sessões nos cinemas, acompanhados por amigos fantasiados, principalmente nas pré-estreias de meia-noite.

O que eu posso relatar aqui é a minha experiência, como fã, e como ela me ajudou a moldar minha perspectiva sobre o mundo. Infelizmente, pouco menos de um ano após a publicação do primeiro livro. Meu primeiro contato com a série seria em 2003, durante uma sessão de Harry Potter e a Câmara Secreta realizada em uma das minhas primeiras escolas.

A partir daí, ainda criança, surgiu uma grande paixão pela saga do jovem bruxo. Logo forcei meus pais a comprarem todos os livros lançados até o momento, e em menos de um ano, estaria vendo o meu primeiro filme da saga nos cinemas, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Antes mesmo de chegar à adolescência, eu já era o expert entre os meus amigos quando o assunto era a história tão bem construída por J.K. Rowling.

Com o passar dos anos, e uma maturação emocional e psicológica maior, alguns temas foram se tornando mais claros, enquanto a história se tornava mais sombria e mais complexa. Heróis mostravam tons sombrios em sua personalidade, enquanto mesmo os mais terríveis vilões tinham pedaços ensolarados.

A Ordem da Fênix – livro – foi um divisor de águas em minha vida. Tendo lido anos após tê-lo adquirido, foi a primeira vez que senti que estava lendo algo muito mais importante do que apenas mais um livro infanto-juvenil com proposta fantástica e protagonistas carismáticos. Tinha em mãos uma história com grandes inspirações políticas, discutindo questões como ditaduras e interferências midiáticas nos governos.

Em 2007, uma grande tristeza: o final do fenômeno… ao menos, na literatura. O lançamento de Harry Potter e as Relíquias da Morte foi marcado por diversos recordes de vendas e prêmios internacionais. Me lembro de ter ganhado o livro em um Natal – ou melhor, de tê-lo achado escondido antes de ter realmente o ganhado… e lido tudo antes mesmo do Natal chegar, às escondidas.

E embora a história do Menino que Sobreviveu tivesse chegado ao fim nos livros – aham… pelo menos era o que parecia na época – ainda havia espaço nos cinemas, uma vez que ainda restavam aos fãs alguns anos antes do derradeiro final.

Final esse que aconteceu em julho de 2011. Sucesso em diversos países, a segunda parte da adaptação cinematográfica do último livro veio para concretizar o fenômeno que Harry Potter havia se tornado no mundo, chegando a ocupar a posição da terceira maior bilheteria da história, na época.

E eu acompanhei isso tudo de perto, sempre atento aos eventos de fãs e às pré-estreias dos filmes. Eu também estive nos eventos desesperados por notícias a respeito do futuro da franquia. Também tive dor de cabeça na corrida para me cadastrar no Pottermore e descobrir minha casa de Hogwarts – que acabou sendo Corvinal, para minha surpresa. Também fiquei animado com o retorno do Mundo Bruxo em Animais Fantásticos e onde habitam, e também arranquei diversos cabelos com a atrocidade causada em Harry Potter e a Criança Amaldiçoada.  

Hoje, Harry Potter continua sendo uma parte bem presente da minha vida. Afinal de contas, trabalho em um site onde constantemente faço matérias e notícias sobre o tema, tenho uma coleção bem considerável dedicada à franquia e, mais recentemente, uma tatuagem inspirada pelo jogo mais popular do mundo bruxo.

Durante boa parte da minha vida, a jornada de Harry, Rony e Hermione foi um guia central em termos de moralidade e esperança, e uma fonte infindável de entretenimento e diversão orgulhosa. Criado em meio a esses personagens, pude diversas vezes enfrentar algumas situações nada agradáveis, como alguns períodos de depressão profundos.

E embora, como citado por Alvo Dumbledore, Não vale a pena mergulhar em fantasias e esquecer de viver”, foi a fantasia de Harry Potter que ajudou a moldar uma pessoa melhor e um leitor voraz, com gosto pelo mistério, pelo suspense e por personagens marcantes e bem desenvolvidos.

Foi uma jornada sem dúvida alguma encantadora e mágica, que me levou à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, conhecendo os mais adoráveis professores – e alguns detestáveis, é claro. Que tirou um jovem bruxo órfão morando com seus cruéis tios e o colocou junto de dois bravos amigos, enquanto eles viviam em uma aventura espirituosa, agitada, perigosa e mais de uma vez, letal.

E por mais que eu tenha consciência dos detalhes que tornam a minha relação com Harry Potter única, também sei que sou parte de toda uma geração que cresceu ao lado desse herói simpático, tímido e até mesmo chato. Uma geração que sobreviveu a momentos de grande reviravolta no mundo, mas que sempre se viu apegada a uma fagulha de esperança, por vezes aprendida com a série.

Trata-se da geração que viu, na obra de Rowling, mais do que uma simples fábula moderna, mas também um universo ilimitado de possibilidades e debates, que ajudou amizades a serem construídas e incentivou, dentre muitas outras coisas, a leitura e a busca por conhecimento.

Uma geração que descobriu, nas entrelinhas da magia e da bruxaria, temas humanos e socialmente relevantes, desde a luta pelas minorias representada por Hermione em Harry Potter e o Cálice de Fogo ou toda a clichê jornada de amadurecimento emocional dos personagens, enquanto descobrem temas importantes como o amor.

E mesmo que tenha um grupo vocal contrário à série, ainda assim o alcance da franquia é muito maior que a de sua crítica, tendo sido exportada para dezenas de países em diversos idiomas. É um fenômeno global, que uniu as mais diversas tribos em torno de uma história em comum, e que até hoje se mantém como referência entre o gênero de fantasia infanto-juvenil.

Talvez mais do que qualquer outro fenômeno cultural “jovem” – como a Marvel e a DC Comics, por exemplo – Harry Potter conseguiu tocar em seu público de uma maneira nunca antes vista, trazendo para a realidade um toque essencial de fantasia, e inserindo pontos necessários de veracidade nos sonhos mais excêntricos.

Por conta disso, temos em mãos uma história que, sem a menor sombra de dúvidas, será lembrada por muitos anos após sua criação. Em algumas centenas de anos, a obra literária de J.K. Rowling será tão estudada nas escolas quanto o trabalho teatral de William Shakespeare ou a prosa de Machado de Assis e de Dostoiévski.

Mais do que dinheiro e fama internacional, Rowling ganhou uma posição cultural de extrema influência, sendo uma das escritoras mais importantes de todos os tempos. E tudo isso por conta de uma história de um bruxinho, concebida pela primeira vez durante uma viagem de trem em Londres. Uma história que continuará sendo amplamente divulgada por longos anos.

Poderíamos passar horas falando sobre todos os louros conquistados pela saga, ou então mergulhar novamente em diversas discussões sobre a importância desses personagens e o que eles simbolizam para o público – como já fazemos diariamente. Mas em vez disso, preferimos tomar uma posição confortável e analisar a mudança que transformou um simples livro em uma obra monumental que transcende a linguagem.

Não há qualquer dúvida: Harry Potter já faz parte da cultura mundial. É o ícone de uma geração, representando jovens que cresceram em meio a uma realidade com pouco espaço para a magia e a fantasia. E ainda assim, a magia brotou da mesma forma que flores resistentes brotam do concreto. Uma história lançada há vinte anos, que dialoga tão bem com seu público como se ainda fosse o ano de sua primeira tiragem.

Afinal, como já dizia Minerva McGonagall, “Ele vai ser famoso, uma lenda. Eu não me surpreenderia se o dia de hoje ficasse conhecido no futuro como dia de Harry Potter. Vão escrever livros sobre Harry. Todas as crianças no nosso mundo vão conhecer o nome dele!

Vinte anos depois, com mais de milhões de cópias vendidas em todo o planeta, e trilhões arrecadados nos cinemas e em outras mídias, o Menino que Sobreviveu continua encantando novas gerações. Não é a toa que iniciativas de reviver a franquia estão cada vez mais presentes, seja com a controversa peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada ou com a nova franquia Animais Fantásticos, e embora a magia tenha alterado consideravelmente desde 26 de junho de 1997, ela continua mais viva do que nunca.

E você? Qual sua experiência com Harry Potter e o Mundo Bruxo de J.K. Rowling? Deixe nos comentários, e nos diga quais seus momentos favoritos da franquia!

 

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux