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The Gifted 1×05 – Quem mutante fere, por mutante será ferido!

Por Cristiano Rantin

Depois de um episódio de tirar o fôlego na semana passada, quando vimos Reed e Polaris sendo resgatados pela Resistência Mutante, o episódio desta semana começou como uma continuação direta do anterior mostrando a guerra do Serviço Sentinela contra os mutantes.

Antes de tudo, começamos tendo um flashback mostrando o acidente envolvendo mutantes em 15 de julho, quatro anos antes do tempo da série, algo misterioso (e que provavelmente veremos ser explorado ao longo da série) e que vitimou a filha de Jace Turner, aquele que está liderando as missões do Serviço Sentinela.

A gente já tinha ouvido ele falar que havia perdido a filhinha dele naquele dia e que, como ele mesmo afirmou, servia como motivo para odiar “mutantes perigosos”. Se essa aprofundação de Jace tinha a intenção de fazer com que a gente sentisse um pouco de pena dele – ou até que passássemos a entender o personagem – ela falhou miseravelmente.

Talvez seja por já termos acompanhado tanto sofrimento causado pelo Serviço Sentinela, talvez seja por eu não acreditar que um erro anula o outro, ou talvez seja simplesmente pelo fato de que o agente Turner não vê problema algum quando é ele condenando crianças e famílias inocentes – que não escolheram ser mutantes -, enviando elas para a prisão ou para lugares mais misteriosos.

Não dá pra sentir empatia por alguém que usa o argumento de “eles mataram minha filha” para simplesmente caçar pessoas inocentes – e que muito provavelmente nem estavam envolvidas no protesto de 15 de julho. Turner resume aquilo que eu já disse na review de outro episódio: Pimenta no mutante dos outros é refresco, ou seja a hipocrisia é tamanha que as coisas só são injustas, cruéis ou tristes quando acontecem com ele, quando é ele causando dor e sofrimento nos outros está tudo bem…

E tudo isso foi melhor explorado quando Polaris junto do Eclipse avançaram contra os agentes do Serviço Sentinela que estavam caçando os dois. Ao que tudo indica antes mesmo de ser presa Lorna já tinha alguns problemas para controlar a raiva – como vimos no piloto -, mas depois de ser presa, machucada, humilhada, ameaçada constantemente e de não poder usar seus poderes, a filha do Magneto está com sangue nos olhos e definitivamente não vai levar desaforo para casa.

Prova disso é quando ela simplesmente ignorou os avisos de Marco e partiu pra cima do agente Turner, eliminando todos os outros agentes que estavam com ele e sequestrando o humano para conseguir ter as informações que precisava sobre o Pulso.

A mutante não só gostaria de saber o que aconteceu porque Pulso era o melhor amigo do Pássaro Trovejante, como também está com medo de que os mutantes passem a ser utilizados como armas contra seu próprio povo. Em outras palavras: Ela está com medo de acabar se tornando um perigo para seus amigos.

Juntar a raiva que Lorna já estava sentindo com esse medo resultou na mutante quase iniciando sua tortura no agente Turner, não ficando minimamente abalada com a história da filha dele – até porque, como ela já disse para o Reed ela já viu muita gente sofrendo também.

Contudo, dá pra entender a resistência do Eclipse em ser mais extremista em relação ao humano. Ele acabou de reencontrar sua amada e definitivamente não gostaria de ter que enfrentar a polícia e o Serviço Sentinela de novo, fora que pelo que vimos no outro episódio, por um bom tempo de sua vida ele torturava pessoas – mesmo contra sua vontade – por causa do cartel de drogas onde ele vivia.

O meio termo entre os dois é Belos Sonhos. A mutante é levada para onde eles estão, sendo teletransportada por uma Blink que está cada vez mais desconfiada de que a ruiva teve alguma coisa a ver com suas memórias falsas.

Nesse momento – enquanto Polaris tentava manter os agentes longe – vimos o verdadeiro potencial dos poderes de Sonia, ela não só cria memórias falsas, ela também consegue ler as memórias alheias. Na falta de um telepata mais convencional, cabe a ela interrogar as pessoas e arrancar o que é preciso.

É interessante notar como que os poderes dos mutantes funciona como uma extensão deles mesmos, como é algo intrínseco a personalidade deles. Vemos isso nos dois Strucker – Lauren é mais protetora que seu irmão, ela consegue criar campos de força e escudos; Andy é mais irritado e agressivo, seu poder é ser capaz de destruir coisas – e nos outros personagens também. Belos Sonhos não é violenta, agressiva ou coisa do tipo, ela é gentil, delicada, sedutora. Ela é uma apaixonada e isso é demonstrado em seus poderes, que sempre envolve seu alvo como uma carícia, até mesmo quando ela está extremamente desesperada (como na situação envolvendo a Blink).

Mas toda essa doçura e delicadeza, no entanto, não significa que ela não seja perigosa. Como o próprio agente pode descobrir, quando ela não consegue encerrar sua busca por memórias de forma tranquila, ela causa dor ao alvo e chega até mesmo a bagunçar suas memórias.

Para encerrar essa trama envolvendo Blink e Belos Sonhos, a teletransportadora até ficou quieta durante a missão deles, mas ela entendeu o que está acontecendo com ela. Foi errado o que a Belos Sonhos fez? Sim, foi e a própria mutante admite que não gostaria de ter feito aquilo se tivesse outra chance, mas esse é o ponto: Ela não tinha escolhas. Ela precisava dos poderes da Blink e fez o que precisava ser feito para salvar seus amigos.

Por causa disso, por mais que dê pra entender a raiva de Clarice, não dá pra não achar ela um pouco mimada por surtar com a outra mutante, especialmente quando ela disse que poderia apagar a memória que deu pra ela. Mas no fundo parece que o destino da Belos Sonhos é salvar a vida de todo mundo, mas sempre tomar um esporro… Coitada.

Enquanto tudo isso acontecia, dentro da Resistência Mutante os Struckers enfrentavam olhares de raiva das outras pessoas que estavam ali – e tinha muita gente nova, já que o Serviço Sentinela atacou sem a menor piedade (e sem usar o argumento da busca por “mutantes perigosos”) todo e qualquer lugar que poderia ter ligação com os mutantes.

A razão para isso? Ted, o mutante com poderes de invisibilidade, caguetou o fato de que Reed tinha trabalhado para o Serviço Sentinela – naquele período em que ele estava separado de sua família. Não dá pra negar que isso foi um vacilo imenso do Reed, mas foi no mínimo suspeito Ted ter ignorado o fato de que ele pulou de um carro em movimento para poder proteger os mutantes.

Querendo se mostrar útil – e um aliado dos mutantes – Reed falou com Sábia (que precisa ter mais destaque na série) e o Pássaro Trovejante, mostrando como o Serviço Sentinela cria seus esquemas para pegar mutantes, provando que ele pode ser um integrante muito importante para aquela equipe.

Para desviar a atenção de todo mundo ele, que era um fugitivo da polícia, decide aparecer em um ponto bem aleatório da cidade, para que o Serviço Sentinela fique longe do abrigo deles. E quem o Pássaro Trovejante manda para ajudar Reed? Isso mesmo, Ted, o cara que estava querendo matar o humano. Mostrando mais uma vez que o mutante não sabe fazer escolhas muito inteligentes quando necessário.

Como era de se esperar, o homem-invisível de bigode não cumpriu sua parte do plano e fez com que Reed passasse por um grande nervoso e quase fosse pego pela polícia. Vale lembrar que Reed tinha as lembranças do abrigo mutante, ou seja, se ele fosse pego poderia acabar dando as informações para o inimigo, mas aparentemente esse risco desnecessário era algo que Ted estava disposto a correr.

Enquanto tudo isso acontecia Caitlin e seus filhos lutavam para salvar a vida do outro mutante capaz de ficar invisível, aquele que levou um tiro no episódio passado. Todos eles se sacrificaram além de suas capacidades para conseguir manter ele vivo, dando o próprio sangue – literalmente – para que ele ficasse bem.

Tudo isso enquanto um grande grupo de mutantes, que provavelmente poderiam ajudar os três – Qual é, nenhum deles tinha poderes de cura? – ficavam encarando eles com olhares raivosos.

Dá pra entender a desconfiança e raiva dos mutantes para os Struckers, mas assim como Blink parece que eles não estão conseguindo ver toda a situação e escolhendo ficar com birrinhas pequenas – que podem custar muito caro para eles – ao invés de lutar pelo bem maior dos mutantes.

De qualquer forma foi muito bom ver o lugar dos Strucker na resistência. Reed vai agir dando informações e ajudando nas investigações deles – como inclusive o que diabos está acontecendo com os mutantes como Pulso – enquanto Caitlin vai ser a médica deles e Lauren e Andy podem agir usando seus poderes quando a situação ficar mais complicada.

Não dá pra negar que foi muito fofinho ver eles unidos e, mesmo que desejando uma vida mais tranquila, querendo ajudar a causa mutante porque agora eles se importam com todo o sofrimento deles.

Em resumo o episódio serviu para desenvolver a trama mostrando que as coisas são mais complicadas do que achávamos. Não só tivemos algumas respostas sobre o acidente de 15 de julho, que pode ou não ser quando os X-Men e a Irmandade dos Mutantes desapareceram, como também vimos toda essa questão dos experimentos mutantes ser desenvolvido.

Vale lembrar já tivemos um cientista bastante misterioso aparecendo em algumas cenas, o que deve ser a relação com o que aconteceu com o Pulso. Será que ele vai acabar capturando o Andy e fazendo ele se tornar o vilão? Afinal o rapaz tem um belo potencial para isso – e o drama de fazer ele lutar contra a própria irmã seria algo interessante de se explorar na série…

Enquanto esperamos mais novidades, me respondam: O que vocês acharam desse episódio?

Semana que vem devemos ver Polaris treinando os novos mutantes da Resistência, incluindo Lauren e Andy para o desconforto de Caitlin. Confira o promo abaixo:

Confira abaixo a nossa galeria sobre a série:

The Gifted vai ao ar às segundas-feiras, na FOX. No Brasil, a exibição acontece no dia seguinte, na mesma emissora. Já a review sai toda quarta-feira, aqui na LH.

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação Social pela UEL • Twitter: @ChrisRantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"