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The Gifted: 1×02 – Pimenta no mutante dos outros é refresco!

Por Chris Rantin

Depois de um início incrível que não perdeu tempo, The Gifted retorna para um segundo episódio tão bom quando o primeiro – e continuando a história exatamente do ponto em que havia terminado no piloto.

Enquanto a família Strucker está desesperada para resgatar Reed, a teleportadora Blink sofre um colapso depois de gastar tanta energia transportando seis pessoas a uma distância absurda. O resultado disso é nossa querida mutante ficando instável, sofrendo dores horríveis e abrindo seus perigosos portais sem controle algum – que, naquele momento, eram fechados pelo poder de Lauren.

O destaque do episódio é Caitlin, que acaba sendo a grande protagonista do episódio. A mãe dos novos mutantes, que é enfermeira, passa por um verdadeiro choque de realidade em sua jornada ao lado de Eclipse para conseguir os medicamentos que Blink precisa.

Veja bem, até o episódio passado (que na série se passou em dois) a vida da senhora Strucker era tranquila. Seu marido processava mutantes, mas isso não era problema dela porque seus filhos não eram mutantes. Ela tinha uma boa casa, um bom emprego, e sua maior preocupação era o bullying que seu filho recebia.

Mas aí temos todos os problemas do piloto, onde ela descobre que seus filhos são mutantes e que eles estão sendo caçados pelo Serviço Sentinela por serem “perigosos”. Mesmo sem entender muito bem, Caitlin abandona tudo pelo bem de suas crias, mas as proporções disso ainda não foram assimiladas pela enfermeira. Ela ainda acredita que o Serviço Sentinela só caçava os mutantes perigosos, que Blink poderia ir até um hospital para ser tratada, que Eclipse estava exagerando ao falar sobre o preconceito e os perigos que eles enfrentam.

É só quando a moça vai até o hospital com o mutante que ela entende como as coisas são, porque passa por constantes choques de realidade ao conversar com Eclipse. Logo de cara, quando ela exige que ele cumpra o acordo que ele tinha com Reed, Eclipse responde que ele estava tentando prender Polaris. Caitlin continua tentando defender a ação dizendo que ele simplesmente estava seguindo a lei.

A Strucker continua dizendo: “Ele processa mutantes? Sim, mas…”

 

“Alguns dos seus melhores amigos são mutantes?”, interrompe Eclipse.

“Tente nossos filhos”

 

“Esse é o meu ponto. Me responda isso: Se não fosse suas crianças naquele ginásio, você iria se arriscar por eles? Seu marido faria isso?”

E é aí que a moça começa a ver sua própria hipocrisia. Até que fossem suas crianças correndo os riscos ela realmente não se importava com os mutantes (como pudemos ver no flashback que teve no episódio). Ela só começou a agir e questionar as coisas quando a situação se inverteu. Você consegue ver claramente no rosto de Caitlin depois desse diálogo que ela começou a pensar sobre o assunto de outra forma.

No hospital, depois que Eclipse tem seu ferimento suturado, Caitlin é chamada para um particular com o médico que questiona se ela está sendo vítima de violência doméstica (por causa do ferimento na testa que ela tem). A situação poderia ser bacana, mostrando um médico preocupado com a segurança dela se, como ela mesmo nota, isso não fosse motivado pelo fato do seu “parceiro” ser um mutante. “O que o gene X tem a ver com isso [a violência]?”

Mais uma vez, ela entende que não importa a situação em que eles se encontrem – até quando eles são a vítima da situação – os mutantes SEMPRE serão acusados e punidos por aquilo. Isso aconteceu com a menina mutante do Flashback, isso aconteceu com os filhos da Caitlin, isso acontece em todo lugar. Por ser quem eles são – algo que eles não escolheram, como acontece na cor da pele, por exemplo – eles sempre são mal vistos pela sociedade.

Prova disso é que policiais foram chamados ali, mesmo que nenhum crime tivesse sido cometido. Caitlin, que nesse momento já está mais ciente da realidade, pergunta para o Eclipse se as coisas são sempre tão ruins para os mutantes, mas para ele aquilo ainda foi algo bom, já que cuidaram do ferimento dele antes da polícia ser chamada. Ou seja, ele já passou por coisas piores na vida.

Descobrimos então que, quando seus pais descobriram que ele era um mutante, eles simplesmente o jogaram na rua (mais uma vez, algo que costuma acontecer com pessoas LGBT+) e ele precisou fazer coisas das quais ele não se orgulhava para conseguir sobreviver.

O mesmo aconteceu com Blink, que foi enviada para a prisão simplesmente por usar seus poderes para roubar um pouco de comida de um mercado. O que a fez cometer esse crime? Ser mutante. Cabelo roxo, olhos assustadoramente verdes e uma marca rosa na cara não deixou que ela tivesse muitas oportunidades na vida, especialmente em uma sociedade que odeia mutantes. Sem outra escolha, ela precisou roubar para viver.

Essa situação faz um paralelo interessante com o que acontece no mundo real, onde nem todo mundo que rouba faz isso porque gosta (especialmente aqueles que roubam comida em mercados), mas sim por não ter outra escolha. Mesmo assim, eles são punidos de uma forma muito mais severa do que havia sido seus crimes.

Ao final da jornada de Caitlin e Eclipse, quando eles finalmente conseguem retornar para a base secreta da Resistência Mutante – e vendo que o mundo virou de pernas pro ar graças aos inúmeros portais abertos por Blink – vemos o quanto aquela enfermeira mudou.

Caitlin Strucker do final do episódio não é a mesma Caitlin Strucker do começo. Ela entendeu como a vida dos mutantes é horrível, ela reconheceu sua hipocrisia inicial e, agora, ela se sente parte daquele grupo. Isso fica claro no momento em que ela arrisca a própria vida para salvar Blink, se jogando através do portal que, como ela mesmo viu, é capaz de cortar coisas ao meio. O cuidado que ela tem pela mutante, agora, é quase maternal. Ela sente orgulho dos seus filhos e garante que não irão apenas resgatar Reed, mas sim todos que forem necessário (o que inclui Polaris).

É bom que eles ajam rápido, porque as coisas não estão fáceis para a filha do Magneto. Usando uma coleira que inibe seus poderes mutantes, Lorna sofre agressões gratuitas na prisão, é provocada e xingada sem ter feito nada contra as presidiárias e é rejeitada até pelas mutantes que estão ali.

Confiante de que seu namorado vai resgatá-la, e acostumada a usar seus poderes, ela confronta confronta outra presidiária (a “dona” dos mutantes), apenas para ser agredida de forma brutal – incluindo chutes na barriga que, quando lembramos que Lorna está grávida, deixam tudo ainda mais agoniantes.

Os policiais – que estão ali para garantir a segurança das presidiárias – só interferem depois que Polaris consegue usar seus poderes e lançar uma mesa contra sua agressora. Quem eles punem por causa da confusão? A mutante, mesmo que ela só estivesse tentando se defender.

Vemos então que a moça foi lançada em uma solitária e deve ser isso que a personagem está sentindo agora, pois para todos os efeitos ela realmente está sozinha. Não tem Eclipse e a Resistência Mutante para lhe dar forças, não tem seus semelhantes para ajudá-la a passar por aquele inferno. Não existe ninguém para lhe ajudar, apenas ela, sozinha e no escuro (algo que não deve fazer bem para seus distúrbios mentais).

Em suma, The Gifted continua sendo uma série incrível ao nos apresentar problemas reais, que acontecem constantemente no mundo real, através da metáfora dos mutantes. Além disso, o desenvolvimento dos personagens – e das relações deles – está sendo trabalhado de forma exemplar, sem ser arrastado ou apressado demais.

Mas o que vocês acharam do episódio? Gostaram de como tudo foi discutido?  

Não esqueçam de comentar e conferir a nossa galeria com as imagens do próximo episódio, intitulado eXodus:

The Gifted vai ao ar às segundas-feiras, na FOX. No Brasil, a exibição acontece no dia seguinte, na mesma emissora. Já a review sai toda quarta-feira, aqui na LH.

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"