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The Gifted: 1×01 – A série que todo fã dos X-Men sonhava em ver!

Por Chris Rantin

Desde que The Gifted foi anunciada, a série que prometia explorar o universo mutante sem os X-Men, muito fã dos heróis dos quadrinhos torceu o nariz e olhou com desconfiança o projeto que estava sendo executado em parceria da Marvel com a Fox.

Conforme o projeto foi avançando, fomos tendo alguns mutantes queridos das HQs sendo confirmados no seriado como Polaris, Sábia, Pássaro Trovejante e Blink, aumentando a expectativa dos fãs. No entanto, nada poderia ter preparado os fãs dos quadrinhos para a estréia insana de The Gifted.

Logo nos primeiro cinco minutos da série, quando acompanhamos o resgate de Blink pelas mãos dos heróis – o que resulta na prisão de Polaris, depois que a moça tem um surto de raiva ao ver seu amado ser baleado e luta contra os policiais -, já é possível saber que o seriado não veio para perder tempo e que, mesmo sem lidar com os X-Men diretamente, vai abordar todo o preconceito dos humanos para os mutantes, algo que, inclusive, não vemos sendo elaborado como deveria nos filmes focados na equipe.

A sociedade alternativa em que nossos personagens vivem é extremamente sombria para os mutantes, que são caçados e presos por motivo nenhum além de serem diferentes, tudo isso sob o discurso de que eles são um perigo para os seres humanos comuns, mesmo que, pelo que vimos, na maioria das vezes os ataques parta dos humanos contra os mutantes – e não o contrário.

E um dos homens à frente dessa iniciativa contra mutantes é Reed Strucker, que surge interrogando Polaris, a filha do Magneto, mostrando que não possui um pingo de piedade para a moça.

O grande X da questão (piada totalmente intencional) é que Lauren e Andy, os filhos de Reed, também acabaram desenvolvendo poderes mutantes, entrando em contato com essas habilidades durante momentos de tensão: Ela em um acidente de carro, usando seus poderes para salvar sua vida e a de sua mãe, enquanto o rapaz acabou mostrando toda sua força destrutiva depois de ser atacado por valentões no colégio.

Quando Andy usa suas habilidades, no entanto, o impacto na escola é tão grandioso que machuca vários inocentes, incita o pânico nas pessoas e é classificado como um Ato Terrorista Mutante, chamando a atenção de uma agência governamental conhecida como a Força Sentinela, que como os fãs dos quadrinhos podem esperar, caça e acaba com os “mutantes perigosos”.

Para a Força Sentinela pouco importa se os mutantes envolvidos no acidente na escola eram menores de idade, muito menos que eles fossem filhos de Reed Strucker, assim sendo eles partem para o ataque pouco tempo depois das crianças terem se assumido mutantes para a mãe, Kate Strucker.

Durante essa cena, muito maravilhosa por sinal, Kate pergunta à Lauren, que sabia ser mutante há muito mais tempo do que Andy, porque ela não havia falado sobre isso, algo que Lauren responde prontamente com “Você tá falando sério? Nosso pai coloca gente como nós na cadeia”.

Essa saída do armário de Lauren e seu irmão é extremamente parecida com o que, infelizmente, muitos jovens do mundo real precisam enfrentar quando decidem se assumir como LGBT+. Não é algo fácil especialmente pelo medo de deixar de ser tratada como filho para ser tratado como algo monstruoso (algo que precisa ser mandado pra longe, como Reed fazia com os outros mutantes). Na série a realidade dos mutantes é opressora, repleta de medo e preconceito, algo que infelizmente fala diretamente com a comunidade LGBT+.

É claro, na série, que as coisas são diferentes quando falamos da nossa própria família, por isso vemos Reed abandonando tudo que tinha para proteger sua família, fugindo e lutando contra os oficiais da Força Sentinela e até mesmo entrando em contato com os parceiros de Polaris, fazendo uma espécie de parceria com eles, tudo em busca de um lugar para que seus filhos possam ficar em segurança.

Enquanto o resto de sua família consegue escapar em segurança graças ao portal de Blink, o pai dos novos mutantes acaba baleado pela Força Sentinela e ficando para trás – algo que, como já pudemos ver nos materiais promocionais, vai colocá-lo na mesma prisão de Polaris e dos outros mutantes.

O primeiro episódio dessa série, que serve para apresentar esse universo em que a série irá acontecer, bem como os membros da Família Strucker e da Resistência Mutante, foi muito bem construído especialmente por não perder tempo construindo a relação entre os personagens.

Polaris e Eclipse já são um casal, o relacionamento dos dois já está estabelecido e fica claro o quanto um é importante para o outro. O amor dos dois fica muito claro especialmente quando a filha do Magneto perde todo o controle ao ver que Marco foi machucado. Naquele instante ela não se importa mais com a missão ou com a fuga, tudo que ela quer é punir o policial que machucou seu namorado. 

O mesmo acontece com os irmãos Strucker. Pra começar, diferente da maioria das tramas envolvendo adolescentes na ficção, os dois não se odeiam ou ficam irritadinhos com a presença um do outro. Lauren se preocupa com Andy e, como pudemos ver na cena do baile, mesmo quando ela está se divertindo com seu namorado, ela não fica incomodada com o fato de que seu irmão mais novo está ali. Eles são uma família e irão cuidar um do outro.

Aliás, a cena de Lauren se recusando a sair dali sem o seu irmão, arriscando sua própria vida na sua caminhada até o banheiro e se expondo para toda a escola como mutante, resume muito bem sobre o que a série fala: Família. Naquele momento tudo importa pra ela é salvar seu irmão, mesmo que ela acabe se machucando.

E o melhor de tudo é que tanto as cenas de Polaris e Eclipse, quando a de Lauren e Andy, flui de forma muito natural sem ficar algo forçado para quem assiste. A razão para isso ter dado certo vai além do roteiro, já que é graças a interpretação dos atores, que conseguiram entregar cena emotivas excelentes, que tudo ficou natural e fluído.

É interessante citar também como os poderes dos dois irmão refletem suas personalidades e a situação que fez com que essas habilidades se manifestassem. Lauren, que entrou em contato com esses dons quando precisava impedir um acidente de carro, é extremamente defensiva e protetora com seu irmão, conseguindo ter poderes que até o momento são utilizados principalmente na forma de escudos. Já Andy, que entrou em contato com seus poderes durante uma situação horrível, repleta de violência e dor, e possui vários problemas de raiva e irritabilidade, funciona melhor ao causar destruição, sendo mais ofensivo que sua irmã.

Kate e Reed, os pais dos novos mutantes, também conseguiram apresentar reações reais para essa situação absurda em que estão passando – o que deixa tudo mais realista e próxima do público. Kate, por exemplo, possui uma certa dificuldade para aceitar o que está acontecendo, especialmente quando se dá conta de que eles não podem voltar para casa e que tudo que eles possuíam foi perdido. Mesmo assim ela não hesita nem por um segundo quando é preciso proteger seus filhos, o mesmo que acontece com Reed que até se alia com “criminosos” pelo bem da família.

Em menos de uma hora o piloto da série consegue apresentar personagens interessantes, relações bem estabelecidas (que só precisam continuar sendo desenvolvidas), efeitos bacanas e uma trama intensa, tudo aquilo que gostamos de assistir.

Mas mais do que os poderes especiais e personagens queridos dos quadrinhos, no entanto, são as questões políticas e sociais que fazem de The Gifted a série que todo fã dos X-Men gostaria de ter visto acontecer, já que os quadrinhos sempre trazem debates importantes sobre problemas do mundo real – utilizando os mutantes como metáfora para isso.

Em suma, o primeiro episódio da série termina fazendo um excelente trabalho em apresentar a trama e os personagens, presenteando os fãs dos quadrinhos com várias referências – incluindo a presença do Stan Lee e o toquinho clássico da série animada dos anos 1990 – e inúmeras questões sociais importantes.

Agora o jeito é torcer para que The Gifted continue acertando, para que Marvel e Fox continuem apostando em séries para explorar o universo dos mutantes, já que sempre acreditei que este é um formado muito mais adequado para contar as histórias dos X-Men.

Mas o que vocês acharam do episódio? Gostaram de como tudo foi trabalhado? Comentem!

Confiram abaixo a nossa galeria com as imagens dos próximos episódios da série:

The Gifted vai ao ar às segundas-feiras, na FOX. No Brasil, a série é exibida às terças, na mesma emissora. Já a nossa review sobre episódio sai toda quarta-feira aqui na LH!

 

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"