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Game of Thrones: 07.04 – Dívidas pagas em Fogo e Sangue!

Por Márcio Jangarélli

Mesmo estando do lado da Cersei nessa jornada, eu mesmo preciso admitir que o jogo entre ela e a Mãe dos Dragões estava precisando ficar mais equilibrado e, bom, finalmente a Daenerys conquistou uma vitória em Westeros. E que vitória! Ela só não contava com uma flecha no caminho, mas nem tudo é um mar de rosas – ou chamas – nessa vida, não é mesmo?

E não foi só o Campo de Fogo que foi sensacional nesse capítulo. Os Lobos estão reunidos no Norte, Jon Snow está cavando no Leste e, querendo ou não, a atual Rainha do Trono de Ferro está riquíssima e pronta para chamar uma ajudinha especial.

Foram muitos espólios deixados por essa guerra, então vamos por partes, para ficar mais organizado. Começando com:

 

Em Porto Real:

Rica, porém preocupada

Dessa vez, Porto Real ganhou apenas uma cena, mas foi uma interação importante entre a Cersei e o Tycho Nestoris, o representante do Banco de Ferro de Braavos. Seguindo a derrota Tyrell e a conquista de todo o ouro da Campina, agora a Rainha pode pagar toda a dívida da Coroa, então o banqueiro se diz impressionado, afirmando que nem mesmo Tywin Lannister foi capaz de conceber tal proeza em tão pouco tempo.

O destaque, porém, fica para dois pontos: um implícito, na própria Cersei, e outro no diálogo. Em todos os episódios, até então, a Leoa parecia muito confiante e não demonstrou um pingo de dúvida sobre alguma coisa. Dessa vez, ela estava diferente.

Cersei estava nervosa. Extremamente nervosa, como se estivesse esperando algo. Considerando a besta enviada junto do exército Lannister, é possível afirmar que ela estava preparada para um ataque da Daenerys lá. Porém, visto sua preocupação – que também pode estar relacionada apenas com o ouro – talvez ela também tenha pensado na possibilidade da Rainha dos Dragões mirar em Porto Real de vez.

Em segundo plano, durante a conversa, ela cita que o Qyburn está planejando chamar a Companhia Dourada para complementar seus exércitos e “retomar o controle do continente e o controle do povo”. A Companhia Dourada é um dos maiores grupos de mercenários das Cidades Livres que, nos livros, apoiam o Jovem Grifo, o “possível Aegon”, em sua jornada para conquista do Trono. Interessante essa citação justo agora.

No fim, Tycho reafirma que a Cersei terá todo o apoio do Banco de Ferro… assim que o ouro chegar. Spoiler: felizmente – para mim e para a Cersei, pelo menos – o ouro chegou intacto.

 

There’s no place like home

No Norte:

A segunda melhor cena do episódio aconteceu no Norte, mas não vamos nos afobar. Em Winterfell, tudo começa com uma conversa entre Bran e Mindinho, quando o Lorde Baelish, em toda sua esperteza, tenta jogar com o Stark recém chegado, lhe entregando a adaga que foi usada para tentar matá-lo, lá atrás, na primeira temporada. Já vamos adiantar que isso não foi à toa e que o Mindinho não lida bem com o sobrenatural, né?

O Bran, por sua vez, continua tão frio quanto o Inverno e esfria a espinha do visitante respondendo suas divagações com, “O caos é uma escada”. Depois de tanto tempo, o Mindinho encontrou alguém que REALMENTE consegue enxergar o jogo todo.

Seguindo o Lorde Baelish amedrontado, descobrimos o porquê da Meera estar estranha no último episódio. Nada aconteceu na viagem, ela só estava cansada do Bran/Corvo mesmo. Vejam bem: ela entrou naquela aventura maldita por ele, viu os maiores horrores do mundo, todos morreram e no final ela só recebe um obrigado e até logo. A reação dela foi mínima, pra ser sincero.

Enfim, Arya Stark chegou em casa. Podemos comemorar? Obviamente. Na real, melhor que Jon e Daenerys se encontrando, Bran e Sansa, Jon e Sansa ou qualquer outra grande coisa esperada, a saga da Arya de volta pra sua terra foi uma das mais pesadas dessa série. Ver a menina no Norte foi uma das melhores coisas dessa temporada.

Mas, né, até então ela estava morta pra todo mundo desde… a primeira temporada? Nem lembro mais. Acho que nem ela. Tanto que ela quase tem que entrar à força em Winterfell para se encontrar com a Lady Stark. Não sei dizer se a melhor parte do reencontro entre ela e Sansa é a emoção das irmãs falando sobre a escultura do Ned, a Arya perguntando se a Sansa realmente matou o Joffrey ou o riso de nervoso da Lady Stark quando a recém-chegada fala da sua lista de pessoas que quer matar.

Então é aquela hora: três lobos reunidos. Faz quanto tempo desde que isso não acontece? O Jon não ficou tempo o suficiente em Winterfell para ver o Bran, então vamos chutar que é mais um evento épico. Diferente da Sansa, a Arya parece entender melhor a situação do Bran – talvez seja porque ela troca de rostos e etc, né?

Eu já nem sei mais o que pensar…

Ela ganha a adaga do irmão, que deve fazer justiça mais tarde na temporada, e uma coisa legal acontece. A Sansa fica muito interessada pela lista da Arya, ao ver que não era brincadeira. “Quem mais está nessa lista?”. “A maioria deles já está morto”. Maioria. Não todos e uma lista sempre pode aumentar.

Agora vamos para a segunda melhor cena do episódio: Arya vs Brienne. Meus amigos, isso sim foi um duelo digno. Brienne estava lá, tranquila, dando um couro no Podrick, até que chega Arya e diz que faz tempo que não treina decentemente. Melhor ainda. Ela quer lutar com aquela que derrotou o Cão. Só nessa já deu pra sentir o drama.

A coisa melhora ainda mais quando a Brienne fala que a espada da Arya é muito pequena, e a moça responde que promete que não vai cortá-la. Foi tipo aquela chegada da Mulher-Maravilha em Batman vs Superman, quando ela olha pro Apocalypse querendo mais luta. Então.

Para compensar a falta de luta com a Waif na sexta temporada, esse duelo com a Brienne valeu todo o treinamento da Arya. Basicamente se você é fã de RPG, foi um duelo entre uma classe furtiva/assassina e uma classe tank! E foi uma batalha rápida! Enquanto isso, a Sansa assistiu tudo com cara de “eu nem sei mais o que está acontecendo” e o Mindinho com todos os buracos do corpo trancados. ¯\_(ツ)_/¯

 

Precisou desenhar, né?

Em Pedra do Dragão:

Antes do ápice do capítulo, precisamos dar um pulo em Pedra do Dragão. Antes de descobrir os eventos em Jardim de Cima, Jon Snow leva a Daenerys para a caverna para mostrar a mina gigante de vidro de dragão que ela estava sentada em cima – e provar um ponto. Não só isso, mas as Crianças da Floresta literalmente deixaram escrito nas paredes “olha aqui, os Outros existem”. Chega de negar agora, né?

Um problema, porém. A história dos Caminhantes Brancos é uma das únicas coisas que me preocupa em Game of Thrones. Sendo sincero, não me importo muito com quem vai acabar no Trono de Ferro, desde que a guerra tome um rumo digno. Mas, desde a sexta temporada, quando mostraram a criação do Rei da Noite, existe essa sombra meio esquisita na série.

As Crianças da Floresta criaram os Caminhantes Brancos para se defender dos Primeiros Homens e eles se rebelaram contra os dois? Isso precisa de uma explicação MUITO boa, ou Game of Thrones acabar como a Lost dessa década. Mas não pensemos nisso por enquanto, temos mais de uma temporada pela frente ainda.

Daenerys continua firme e forte na tentativa de fazer o Jon se ajoelhar e o Rei no Norte está quase cedendo. Se as coisas continuarem nesse ritmo, mais dois episódios e teremos um novo Rei que se Ajoelhou. Inclusive, se vocês são do time que torce por um romance entre os dois, galera, está para acontecer a qualquer momento.

Logo, as notícias chegaram e, bom, chega de planinhos espertos. Já deu pra perceber que o Tyrion é inteligente, mas ele subestimou demais a Cersei e o Jaime, então é hora de contra-atacar. Como a falecida Rainha dos Espinhos aconselhou, “Seja um dragão”.

Depois que Khaleesi partiu, o Theon chegou e o Jon deu uma ameaçadinha básica nele, mas ficou nisso. Esperava pelo menos um soco – afinal de contas, o cara destruiu Winterfell, mas vamos lá.

É hora de incendiar as coisas.

 

Na Campina:

Vish

Antes de qualquer coisa, precisamos deixar uma coisa clara. O episódio começa do lado de Jardim de Cima, mas a guerra acontece já no meio do caminho para Porto Real. No tempo, a série continua sem furos. Como a Daenerys chegou com todos aqueles Dothrakis lá, porém, é um mistério.

Vamos do início. Partindo do saque do Jardim, duas caravanas são montadas – por isso, sim, o ouro da Cersei chegou em Porto Real. Escoltando suprimentos e outras coisas, os Lannisters seguem pela Roseroad, a estrada principal usada pelos Tyrell para ir do Jardim de Cima para a capital, enquanto Randyll Tarly organizou um outro grupo para o ouro, que seguiu um caminho distinto.

Por um lado, sim, eles estavam esperando um ataque da Daenerys. Dois caminhos, dois exércitos, dois comandantes, ouso dizer que o grupo do ouro também tinha uma besta. O problema é que, depois de um tempo, como nada aconteceu, eles baixaram a guarda e o inferno veio à tona.

Não tem muito o que dizer da batalha, além de ter sido épica. SE fossem só os Dothraki, talvez os Lannister tivessem dado conta. Talvez não. É aquele caso onde nenhum dos lados conhece o tipo de ataque do outro e o Jaime e o Randyll são peritos em guerra. Mas, quando o Drogon surgiu no horizonte, os dois sabiam que essa luta estava perdida.

Se você é um Lannister ou vem da Campina, você conhece a história da Conquista e sabe o que aconteceu quando os exércitos Gardener e os Leões tentaram bater de frente com o Aegon e suas irmãs: o Campo de Fogo. A situação aqui é similar. Daenerys usa o Drogon para atacar e fritar soldados, mas também para queimar o campo e os suprimentos, criando uma barreira de fumaça no lugar. Assim, é um massacre completo, com Lannister queimando e correndo para todo lado, Dothrakis manchando o chão de sangue e muito, muito fogo.

Parando para analisar, isso lembra bastante a filmagem da Batalha dos Bastardos, principalmente as tomadas do Bronn indo até a besta. Não é uma crítica, aliás. Sobre o Bronn, nessa sequência, o personagem brilhou como nunca. Foi uma das poucas vezes na série que o vimos agindo por outro motivo além de ganância – raiva. Quando ele perde seu ouro, ele vai até a besta por pura raiva.

Ninguém é imortal em GOT… menos o Montanha.

E a melhor cena do episódio fica para quando a arma secreta da Cersei é revelada. Todo o nervosismo da batalha está concentrado ali. Quando a primeira flecha passa voando do lado da Daenerys, ela sente uma ameaça real que não via desde a época dos Filhos da Harpia. O Tyrion entendeu logo de cara e viu o que poderia acontecer. Se você assistiu “O Hobbit“, você também sabe o que poderia acontecer.

No fim, não foi uma derrota completa para Cersei. Em todo esse tempo, essa foi a primeira vez que alguém fez a Daenerys e seu dragão favorito entrarem em completo desespero. Nem na arena a coisa foi tão complicada. A besta funciona. O Bronn foi um herói, aos olhos dos Leões. Os dragões não são invencíveis.

Para finalizar um capítulo tão épico, contamos com o Jaime. Depois de ver seu exército todo queimado pela filha daquele que ele matou por, adivinhem, ameaçar queimar o reino inteiro, o Kingslayer estava desnorteado no meio da batalha. Até que o dragão caiu e ele viu a loira tentando salvar seu filho.

Sem pensar muito, com os protestos do Tyrion de longe, o Jaime pega uma lança e parte para tentar terminar o que começou muitos anos atrás, quando matou o Rei Aerys II. Kingslayer e Queenslayer. Mas o Drogon não estava tão fraco assim, quase leva o Leão para outro mundo, se não fosse pelo Bronn. Fim de episódio.

Para a semana que vem, parece que teremos guerra no Norte, Cersei planejando uma vingança e Daenerys usando seu poder de persuasão draconiano em Westeros. Ansiosos? Não esqueçam de comentar!

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Game of Thrones vai ao ar todos os domingos, pela HBO. Não perca nossa review semanal da série, todas as segundas, aqui na LH!

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.