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Game of Thrones: 07.03 – Os Lannisters sempre pagam suas dívidas!

Por Márcio Jangarélli

Esse é um momento um tanto engraçado para os fãs da Casa Lannister – mais especificamente da Cersei e do Jaime, afinal de contas, só sobraram eles e o Tyrion. No final da sexta temporada, quando a Leoa foi coroada Rainha, 90% dos comentários apontavam que ela não duraria nem os primeiros episódios do ano seguinte no Trono.

Assim como os seguidores fiéis da série, os outros membros do Jogo dos Tronos subestimarame muito – o poder residente em Porto Real e esse foi um erro de cálculos terrível. A “Justiça da Rainha” do título é sobre a Cersei, não sobre a Daenerys.

Como nos outros episódios, vamos por partes, porque muita coisa aconteceu e precisamos ficar ligados em pequenos pontos que a narrativa nos deixou. Bora?

 

Em Pedra do Dragão:

Alguém me dá uns títulos plmdds

Seja você fã dessa dupla ou não, todos que acompanham Game of Thrones estavam no ápice da ansiedade para assistir o encontro que rolou nesse episódio. Pela intervenção da Melissandre, a canção de Gelo e Fogo começou ganhar forma quando Jon Snow e Daenerys Targaryen se conheceram.

Se vocês esperavam algo mais conto de fadas que isso, vocês estão assistindo a série errada. Estamos tratando de dois egos imensos, principalmente no caso da Rainha dos Dragões. Mesmo com o Tyrion ali, que rendeu diálogos fodas com o Jon, a Daenerys fez questão de exibir seu poder de batalha para os visitantes desde o momento em que ele pisou na ilha. Nada sutil. Foram dothrakis. O castelo gigante. Dragões. Títulos. Mais títulos. E de cara um “Você veio aqui para se ajoelhar, certo?”.

Uma coisa interessante sobre a Daenerys: até algumas temporadas atrás, a personagem era relacionável e simpática pelo seu crescimento, mesmo quando atingiu o trono de Meereen. Depois do quinto ano, porém, estamos conhecendo um lado cada vez mais estranho da moça, incrivelmente arrogante e que, se não fosse pelo Tyrion, talvez ela não estivesse muito longe de estar no mesmo patamar que a Cerseino entanto, pior, porque estaria mascarando suas intenções com princípios falsos.

Na reunião com o Jon, ela mostrou toda essa arrogância e, por mais que ele não seja meu favorito, não tem como não simpatizar pelo rapaz se recusando veementemente a se ajoelhar perante a Khaleesi. De qualquer forma, existe uma curiosidade mútua ali, principalmente quando ela declama todo seu passado sofrido e o Sor Davos revida com a jornada do Jon até agora.

Também é curioso a Daenerys acreditar em dragões e se recusar completamente a crer que existem seres perigosos chegando com o Inverno. Dragões eram quase mitologia, se não fossem pelos crânios em Porto Real, até ela surgir com os dela. Os Caminhantes Brancos também estão na história, só são muito mais antigos.

QUE?

Mas a conversa para por aí, Lord Varys chega com a notícia de que, bom, no Jogo dos Tronos você… faz o primeiro movimento, ou você morre. Os dois primeiros desfalques são da Khaleesi; de toda a frota de navios Greyjoy, restaram no máximo três, todos os outros foram abatidos e afundados, junto com os soldados de Dorne. Digamos que ela não ficou muito feliz com a notícia.

Falando no Varys, ele teve uma conversa interessante com a Melissandre um pouco antes. Essa é a última aparição da Sacerdotisa nessa temporadaa Carice só estava confirmada em dois episódios – onde ela anuncia que seu trabalho ali está feito e agora irá para Volantis, que é meio que a “capital” dos Sacerdotes Vermelhos. Nos livros, a cidade possui uma descrição bem interessante, esperamos vê-la na série.

No entanto, o curioso fica no seguinte: nós sabemos que o Varys não gosta dos seguidores do R’hllor. Eles foram os responsáveis por torná-lo eunuco quando ainda jovem, em uma experiência traumática, jogando seus genitais no fogo, quando uma voz falou com ele. Varys diz para Melissandre não voltar mais para Westeros e ela, plena, responde que retornará mais uma vez. É seu destino morrer naquele continente estrangeiro, assim como é o do Senhor das Aranhas. Pela reação, ele já escutou aquilo em algum lugar e talvez um futuro sombrio esteja à espreita do tecelão.

No fim, depois de um diálogo sensacional entre Jon e Tyrion, a Daenerys resolve dar um voto de confiança para o Rei no Norte e deixa que ele minere Vidro de Dragão na ilha. A relação entre os dois é estranha, mas tem potencial. Vocês sabem disso. Eu sei disso. Logo retornamos para Pedra do Dragão novamente.

 

Em Porto Real:

A plenitude no olhar de quem derrubou três Casas em dois episódios

Dando início à sequência da “Justiça da Rainha”, Euron Greyjoy chega em Porto Real, em uma entrada que faz referência à “Caminhada da Vergonha”, trazendo Ellaria Sand e sua filha, além da Yara, em coleiras, desfilando até o trono, para oferecer os presentes à Cersei.

Nem precisa falar que esse era o presente ideal, né? Se tem uma coisa que a Rainha gosta é vingança e essa não é qualquer uma. É pelo assassinato de sua filha, Myrcella. Por isso, ela nomeia Euron como seu aliado e dá a entender que ele terá seu prêmio assim que a guerra acabar – para o desgosto do Jaime. A gente sabe bem que a Cersei não liga muito para casamentos e sexo, mas ela também gosta de dizer o que as pessoas querem ouvir.

Enfim, chegamos a uma das cenas mais brutais do episódio. Ellaria e Tyene amordaçadas em um calabouço, quando Cersei e o Montanha entram. A visão do Sir Gregor, por si só, já deve matar as Serpentes por dentro um pouquinho. E assim como fez com a Septã Unella, é com as palavras que a Rainha de Westeros machuca mais.

Porque ela faz questão de relembrar tudo. Ela fala do Oberyn. Fala do quão bonita foi a luta e de como ele estava lindo e poderoso portando a lança, mas que foi descuidado. Fala do som que o crânio dele fez ao explodir nas mãos do Montanha e do grito de dor da Ellaria. Mas o melhor momento é quando ela se mostra mais humana. Quando ela fala da Myrcella.

Cersei deixa explícito o quanto amava a menina, quando ela mesma não teve uma mãe, que morreu quando o Tyrion nasceu. Ela fez questão de dar uma figura materna para sua filha. E aí pergunta, olhando no olho da Ellaria, o porquê dela ter feito aquilo. E naquele momento, que são apenas alguns segundos, você consegue ver que, por um instante, ela se arrependeu. Tarde demais.

UÉ?

Por que esse episódio se chama “Justiça da Rainha” e não existe justiça maior do que fazer alguém passar pela mesma dor que você, certo? Cersei usa o mesmo veneno que Ellaria, beija Tyene da mesma forma, e faz questão de dizer que vai manter a Dornesa viva para ver o cadáver de sua filha apodrecendo na sua frente. Afinal de contas, ela mesma não pôde nem se despedir da Myrcella. E esse é o capítulo final de Dorne.

Feliz da vida, Cersei dá umazinha com o Jaime – e isso é importante, garanto pra vocês – e não se importa depois em atender a porta e deixar a empregada ver o irmão na cama. “Eu sou a Rainha dos Sete Reinos, eu faço o que eu bem entender”. Realmente.

Para fechar Porto Real com chave de ouro, muita gente estava questionando a inteligência e as capacidades de governar da Cersei. Ela tem um encontro com um dos representantes do Banco de Ferro de Braavos e digamos que o espírito do Tywin desceu ali.

Ela não foi ali para fazer amigos, ela foi ali para vencer. Foi um jogo rápido e bem pensado da Rainha: sim, nós estamos quebrados, mas eu acabei de sair vitoriosa da primeira batalha nessa guerra. Ela tem dragões, mas é uma revolucionária e já deu prejuízos para o banco acabando com o comércio de escravos. Lannisters sempre pagam suas dívidas; Dragões, dothrakis e revolucionários pagam? Existe um brilho dourado no horizonte da Rainha de Westeros nesse momento.

 

Em Winterfell:

Lady Sansa nasceu para governar. Finalmente, depois de tanto tempo, estamos vendo a moça mostrando TODO o seu potencial – e veremos mais depois que a Arya chegar. É interessante que, de todas as pessoas em Westeros, ela é uma das únicas que reconhece os perigos como um todo, incluindo a Cersei. Afinal, ela aprendeu com a Leoa, não só com o Mindinho.

Winterfell foi legal até a chegada do Bran. Mas não dava para esperar algo diferente do Stark/Corvo. Foi algo esquisito, frio. Vale nota a expressão no rosto da Meera, que não estava das melhores. Alguma coisa aconteceu no caminho – além de todas as outras desgraças?

Aí chega aquela conversa entre o Bran e a Sansa no Represeiro. Ele diz que precisa conversar com o Jon. Até aí, beleza. Corvo de Três Olhos difícil de explicar? Nem tanto, mas vamos relevar. Agora QUE COISA CREEPY FOI AQUELA DELE RELEMBRANDO O ESTUPRO DA IRMÃ? Não só isso, mas falando que a noite e ela estavam muito bonitas. A reação da Sansa foi a mais adequada possível.

 

No Rochedo Casterly:

Não é todo dia que a gente ganha, né?

Todos esses anos e nunca tínhamos visto a verdadeira casa dos Lannister. Por mais que as “guerras” em si não tenham sido mostradas – e convenhamos, galera, se mostrar cada batalha que vai rolar a partir de agora, além de não ter dinheiro pra isso, as que realmente importam vão perder o impacto – foi uma sequência poética que deixa explícito o erro de cálculos do Tyrion.

Depois de tanto prejuízo, Daenerys quer pelo menos uma vitória, então seu objetivo é o Rochedo Casterly, a sede dos Leões. A cena é toda guiada por um discurso do Tyrion, contando como seu pai, Tywin, reconstruiu o lugar da ruína e o transformou em uma fortaleza praticamente impenetrável. Que para entrar lá, muitos soldados cairiam. Mas, em toda sua arrogância, Tywin deixou os esgotos para o anão construir e, assim, o Rochedo possui uma passagem secreta, por onde os Imaculados conseguiriam sua vitória, mesmo com o exército esmagador dos Lannister.

O discurso, em si, é bonito. A estratégia, bem feita. O Rochedo poderia ser tomado dessa forma. E foi, na verdade. O problema é que, em toda sua narrativa, o Tyrion só considerou a Cersei no fim. Era como se ele estivesse lutando contra seu pai, não contra sua irmã. Por isso, o plano deu errado.

Porque a Cersei sabia, como o Tyrion mesmo apontou, que ele atacaria o lugar. Mas ela nunca ligou para o Rochedo. Muito menos agora que ela tem o Trono de Ferro. Claro, ela quer o lugar para manter a reputação, mas isso é algo que pode ser trabalhado depois.

Assim, a Casa Lannister foi deixada quase vazia, com um exército suficiente para distrair os Imaculados tempo suficiente para eles entrarem no castelo enquanto o Silêncio, a frota do Euron, chegava por trás para afundar seus navios. Galera, o nome da frota do Euron NÃO é à toa. Os Imaculados caíram na cova dos Leões.

 

Na Cidadela

Antes de chegar ao final, só vamos dar um pulinho da Cidadela para fechar o caso do Sor Jorah com o Sam.

Sim, senhores, menino Samwell Tarly conseguiu curar o escamagris do fiel escudeiro da Daenerys e este já está dispensado para voltar para o lado da Rainha dos Dragões – o que não deve demorar muito, agora que ela está em Westeros.

Ele leva uma bronca, mas seu talento foi reconhecido pelo Arquimeistre que o coloca para reescrever alguns pergaminhos antigos. Parece um castigo, mas soa mais como um daqueles plots de “oh, descobri coisas importantes nesses pergaminhos velhos”. O Sam está servindo como um momento para respirar no meio das tensões da série.

 

Finalmente, o Jardim de Cima!

No Jardim de Cima:

Para finalizar: Se os Lannisters não estavam em Rochedo Casterly, onde eles foram parar? Bom, o final do capítulo é mais uma dose da “Justiça da Rainha”.

Assim como o Rochedo, essa é a primeira vez que vemos o Jardim de Cima, a sede da Casa Tyrell, e é exatamente para lá que o exército dos Leões, mais o exército Tarly, estava marchando, enquanto os Imaculados estavam atacando um castelo vazio.

Existem três pontos cruciais para essa abordagem. Primeiro: Vingança. Se existe alguém que a Cersei odeia em Westeros, essa é Olenna Tyrell. Assim, chegou a hora de acertar as contas. Segundo: a Coroa está quebrada, a Rainha precisa pagar suas dívidas com o Banco de Ferro e, de todas as Casas, a Tyrell é a mais rica atualmente. Terceiro: Eles são grandes aliados da Daenerys, assim como a dupla Greyjoy e os Martell. Motivo suficiente, não?

E como o Rochedo, a sequência aqui é poética também. Não vemos batalha – e, de novo, garanto para vocês que NÃO é necessário. Temos um vislumbre do Jardim de Cima e, de sua janela, Olenna vê que a Cersei finalmente chegou até ela.

Daí somos levados em um plano seguindo o Jaime pelo castelo, que está sendo saqueado, onde podemos ver ouro e pilhagens por todos os cantos, até que chegamos à sala onde a Rainha dos Espinhos aguardava a chegada do Kingslayer.

Uma personagem digna do começo ao fim.

Sem dúvida, essa foi uma das melhores cenas da temporada – talvez da série – onde assistimos Olenna Tyrell fechando com chave de ouro sua participação na trama. Não é uma discussão entre inimigos, mas uma conversa final entre antigos rivais. O problema da Olenna sempre foi com a Cersei e vice-versa, quem estava no caminho era só uma casualidade.

É um momento triste, afinal, ao longo de tantas temporadas, Lady Olenna roubou cenas e criou uma das melhores dinâmicas de GoT com a Cersei. Quando as duas estavam em cena, nós sabíamos que viria um diálogo sensacional. Mas o fim dela foi digno. Ela reconheceu, sim, que a Rainha a superou, mas em crueldade, e que subestimá-la foi seu grande erro. Também afirma que ela será o fim do Jaime.

Algo peculiar, porém: em todo esse tempo, a única vez que vemos um relance de espanto ou medo no rosto da Senhora dos Espinhos foi nessa cena, quando o Jaime explica os planos que sua irmã tinha para a morte da Lady Tyrell. Foi rápido, mas aconteceu.

Como ela não poderia ir embora sem um último ataque, Jaime lhe dá o veneno, ela toma tudo em uma golada e, enfim, confessa, relembrando de forma detalhada, o assassinato do Joffrey. Conte para a Cersei. Eu quero que ela saiba”.

Mas e aí, pessoal, o que acharam do episódio? Qual será a reação da Daenerys ao descobrir que MAIS UMA de suas alianças caiu? No trailer do próximo capítulo, Arya está chegando em Winterfell e, pelo visto, Drogon está entrando em ação! Não esqueçam de comentar!

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Game of Thrones vai ao ar todos os domingos, pela HBO. Não perca nossa review semanal da série, todas as segundas, aqui na LH!

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.