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Fugitivos: 1×04 – Da frigideira para o fogo!

Por Gus Fiaux

Atenção: Alerta de Spoilers!

Há um termo em inglês que eu gosto bastante, e cuja adaptação para o português é bem difícil. “Slow burn” significa, em uma tradução mais literal, “queima lenta”, e é usado para dizer que algo está sendo lentamente desenvolvido, e por isso seus resultados podem estar demorando para acontecer. E é justamente assim que eu posso descrever a temporada de Fugitivos até aqui. Então, pense bem antes de reclamar que eles ainda não fugiram de casa, até porque isso está bem mais perto de acontecer do que você imagina.

Os três primeiros episódios fizeram um trabalho muito bom ao apresentar os personagens e inseri-los no mesmo contexto da trama criada há mais de dez anos por Brian K. Vaughan Adrian Alphona nas HQs. Óbvio, várias diferenças em relação ao material original foram inseridas, para criar uma maior complexidade na televisão. E ao contrário do que os fãs mais xiitas pensam, essas diferenças têm um papel realmente importante na trama, como bem pudemos observar pelo quarto episódio.

Fifteen” – não confundir com a música da Taylor Swift – dá uma continuidade normal aos eventos dos capítulos anteriores. Aqui, vemos os seis adolescentes lidando, de formas bem diferentes, com a situação que presenciaram. Enquanto isso, seus pais – ainda desconfiados -, tentam corrigir os erros do último ritual do Orgulho, e por causa disso, acabam entrando em situações ainda mais incriminadoras.

Porém, o episódio toma mais tempo para desenvolver alguns mistérios da temporada – especialmente referentes à falecida irmão mais velha de Nico Minoru. Aqui, embora não saibamos ao certo o que aconteceu com Amy, damos um profundo mergulho na filha mais nova dos Minoru, e como a perda de sua irmã afetou sua vida. Tenho que levantar e bater palmas para Lyrica Okano, que ao lado de Ariela Barer (a maravilhosa da Gert), é uma das melhores atrizes da série.

Outro plot explorado diz respeito à Karolina Dean. Ela, aliada de novos amigos, está descobrindo mais de sua natureza e de seus poderes, enquanto pequenas pistas de sua homossexualidade são jogadas para quem quiser ouvir. Aliás, a cena onde ela demonstra seus poderes me deixou extasiado no LSD. Fico mais que feliz que estão retratando com perfeição os poderes da personagem, que em minha opinião, são os mais trabalhosos de serem construídos em CGI.

E por falar em CGI, gostaria apenas de ressaltar algo: MINHA ALFAZEMA TÁ VIVA!

Sério, quando prometeram que o dinossauro estaria na série, eu fiquei em um meio-termo entre feliz e preocupado. Não dá pra adaptar Fugitivos sem Alfazema, mas ao mesmo tempo, é meio difícil conceber a criação de um dinossauro realista com orçamento de televisão. E eu não faço ideia de como, mas a Hulu e a Marvel conseguiram. Mesclando tecnologia prática e doses razoáveis de computação gráfica, a futura pet de Gert aparece pouco, mas além de convencer, está muito bonita. Tá linda, linda.

No que diz respeito aos pais, aqui temos uma evolução em relação aos episódios anteriores – que já estavam muito bons. Dessa vez, conhecemos melhor os vilões individualmente – eu te abomino, Tina Minoru, filha do capeta -, e também podemos ver algumas relações mais inusitadas. Devo dizer que fiquei bem tenso com a cena envolvendo Robert Minoru Victor Stein, ainda mais considerando o background extraconjugal do primeiro.

E, é claro, eu não ia deixar de mencionar a cena bizarríssima entre Leslie Dean e a criatura que achávamos que era seu pai – na realidade, ele ainda pode ser o pai dela, mas eu estou rezando para todas as entidades possíveis que não seja, porque a cena dos dois nesse episódio foi perturbadora em um nível assustador. Por enquanto, estou bem ansioso para ver até onde vai essa trama dos Gibborim, e o que eles devem fazer de diferente em relação às HQs.

Outro destaque positivo – como se houvesse um único negativo para se falar – diz respeito a personagens que estão realmente me surpreendendo: Dale Stacey Yorkes. Apesar de fazerem parte do clã maligno, eles parecem ser os pais mais gentis e realmente preocupados com a situação de sua(s) filha(s). Não consigo sentir um pingo de maldade vindo dos dois, e acho que isso acrescenta um nível de complexidade tão grande a esses personagens e sua relação com o Orgulho, que só posso – e perdão pelo trocadilho – ficar orgulhoso com a forma como a série tem adaptado as HQs.

A direção do episódio me deixou feliz. É bom ver que a série está investindo em uma produção quase cinematográfica, mas sem perder o gostinho gostoso de série adolescente – ainda que as tramas sejam mais maduras e sem espaço para um dramalhão ruim. E a título de curiosidade, vale mencionar: o episódio foi escrito por Tamara Becher, a roteirista do único episódio decente de Punho de Ferro, o oitavo.

Claro, terminamos “Fifteen” em clima de desespero, com as coisas apertando para o lado dos nossos queridos (futuros) Fugitivos. Creio eu que na próxima semana, já veremos eles deixando suas casas e seus pais para trás. E quando isso acontecer, vocês verão que a “queima lenta” valeu a pena.

Abaixo, confira algumas imagens do episódio dessa semana:

Fugitivos vai ao ar às terças-feiras, na Hulu. Não perca minhas resenhas semanais, aqui na LH!

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux