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The Flash: 03.20 – Preferia não saber quem era o Savitar!

Por Mike Sant'Anna

Atenção: Alerta de Spoilers!

Provavelmente este era o episódio mais aguardado da temporada, o episódio que finalmente iria revelar a identidade do vilão Savitar, e no fim tivemos diversos altos e baixos no episódio, momentos louváveis para a série e alguns momentos de profunda decepção com a equipe de roteiristas e o showrunner da série.

O episódio começa com um belo momento romântico e “desconsertante” entre Joe e Cecile, mais uma vez o ator Jesse L. Martin mostra que é uma das joias mais raras do elenco de The Flash, conseguindo trazer sinceridade e credibilidade para uma cena tão cotidiana e humana como o primeiro momento em que uma pessoa ouve o famoso “eu te amo”. Ao longo do episódio, este relacionamento entre ambos personagens foi retratado mais uma vez de forma exemplar, onde Jesse continuou mostrando a qualidade de seu trabalho.

O episódio por muito se focou em duas partes, uma delas sendo a busca pela doutora Tracy Brand que poderia ser a grande salvação para deter Savitar. Aqui nós entramos em outra decisão positiva da CW em trazer a atriz Anne Dudek para o elenco, a atriz que já participou de muitos projetos de comédia, trouxe uma leveza e um carisma excepcional para a personagem, abrilhantando um pouco mais o episódio. Em outra parte tivemos a busca por Caitlin Snow, ou melhor, Nevasca.

Danielle Panabaker estava de parabéns como vilã, inclusive, eu mesmo já não sei se quero que Caitlin volte ao normal, pois Nevasca vem se mostrando uma das melhores vilãs que a série já teve. Um destaque para a cena onde Nevasca persegue Tracy Brand voando em uma ponte feita de gelo, essa foi uma cena que com certeza trouxe um ar meio quadrinhos meio “desenho da Liga da Justiça” que fez muito bem para o episódio, com certeza foi um dos pontos mais altos que tivemos.

Mas infelizmente os pontos altos do episódio param por aí, já que a CW resolveu trazer todas as coisas mais irritantes que a série costuma ter para um dos episódios mais importantes. Ao longo da temporada, a série trazia elementos já batidos pelos últimos anos de exibição, mas sempre com uma conclusão diferente. Isso fazia com que tivéssemos a percepção de que os erros anteriores estavam sendo corrigidos, seja na diminuição de discursos motivacionais, na maior independência do Flash, no foco em Wally.

O episódio foi repleto de discursos piegas e clichês, principalmente entre Julian e Cisco. O fato de Cisco de repente ficar com medo de matar Caitlin usando seus poderes é completamente infundado considerando o histórico do personagem até aqui, visto que Cisco já utilizou seus poderes por diversas vezes, em diversas pessoas e nem sequer as machucava gravemente.

Um episódio com esta importância, abordando os personagens que abordou, e tivemos Iris sendo deixada completamente de lado durante todo episódio e um Wally indo dar um passeio na Terra-3, algo completamente sem o menor sentido, visto também o que a série vinha construindo para o personagem. Kid Flash vinha sendo um centro muito importante de toda a temporada e, justamente quando Barry tem uma solução para derrotar Savitar, no episódio onde sua identidade seria revelada, Wally vai dar um passeio em uma terra paralela. Isso sem contar no foco que o pior personagem da temporada teve, H.R, mais uma vez sendo o bobo da corte indesejado, que agora tem uma função no time, ele é o “convencedor” e galanteador, a CW permanece tentando enfiar este personagem na garganta do espectador e criando funções para ele que simplesmente qualquer pessoa medíocre poderia ter.

E claro, para finalizar, a cereja do bolo: Barry Allen é Savitar. Isso é decepcionante em tantos níveis que mal cabem dizer em uma análise simples de episódio. Primeiramente, essa é uma escolha extremamente clichê, o caminho mais fácil, pois pelo terceiro ano seguido temos um vilão velocista -até aí tudo bem, pois eles tratavam Savitar como algo completamente diferente e inovador – mas, também pelo terceiro ano seguido, temos um vilão velocista movido pelo ódio ao Flash.

A série tinha tantas opções melhores – visto até mesmo como Arrow vem tratando a identidade de Prometheus de maneira tão exemplar – do que colocar uma versão sombria de BArry Allen para matar Iris West. Fora que isso coloca em jogo todo o status quo do herói, já que na primeira temporada, ao descobrir que Eobard Thawne era um descendente distante, Eddie não pestanejou e descobriu que tirar sua vida talvez fosse a melhor solução, Barry descobrindo que essa ameça tão descomunal que existe no mundo é na verdade uma versão futura dele, me fará questionar a índole do herói se ele sequer considerar esta opção.

E eu prefiro não pensar muito à respeito de como a CW decidiu que faria Barry descobrir sobre a identidade de seu nêmesis, aplicando de forma medíocre um Deus Ex Machina, a CW praticamente subestima a inteligência de seus espectadores com uma cena digna do meme de Nazaré Tedesco. Para aqueles que não são familiarizados com o termo Deus Ex Machina,  termo refere-se ao surgimento de uma personagem, um artefato ou um evento inesperado, artificial ou improvável, introduzido repentinamente numa trama ficcional com o objetivo de resolver uma situação ou desemaranhar um enredo. 

Um episódio que tinha tudo para ser a Força de Aceleração que a temporada precisava, acabou sendo um grande banho gelado, onde em uma hipótese onde eu teria que escolher entre continuar sem saber a identidade do vilão, ou descobrir que ele era Barry Allen do futuro, eu preferia não saber quem é Savitar.

Confira uma galeria de imagens da série:

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sobre o autor Mike Sant'Anna

Eu sou o melhor no que eu faço, mas o que eu faço... É bem retardado.