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Deuses Americanos 1.06 – No calor da forja!

Por Lucas Rafael

Atenção: Alerta de Spoilers!

Cognição, segundo o dicionário do Google, é o processo ou faculdade de adquirir um conhecimento, percepção. As pessoas têm diferentes cognições. Em um episódio de Deuses Americanos, Wednesday revela que existe mais de uma versão de Jesus Cristo por aí. Se cada cognição de cada pessoa enxerga Jesus de uma maneira, não é de se surpreender que esse seja o resultado. Duas pessoas leem a bíblia, duas pessoas criam uma imagem diferente de Jesus, dois Jesus se manifestam como entidades. É por aí.

A abertura do episódio dessa semana apresenta essa contradição entre crenças de maneira violenta e incisiva. Não existe sutileza na mensagem aqui, ela é martelada de maneira quase visceral. Imigrantes mexicanos são salvos por Jesus, antes de serem aniquilados por tropas que portam cruzes e dizeres bíblicos em suas armas, e nem o próprio Jesus (em sua versão hispânica) sai impune dessa. Uns veem um salvador, outros veem uma justificativa para matar, exacerbar preconceitos e por aí vai. Depende da cognição.

A trama central do episódio se divide em duas vertentes: Shadow e Wedsneday visitando o deus Vulcan e um trio inesperado formado por Laura, Mad Sweeney e Salim/Não Salim viajando pela América.

Sim, o episódio é o que mais destoa do material fonte até o momento. Se no livro alguns personagens não passam de fiapos narrativos, aqui eles ganham um propósito maior. A dinâmica do trio funciona bem, com Laura Moon (Emily Browning) criando uma certa empatia por Salim e vice-versa. Mad Sweeney ainda é o alívio tragicômico, mas é um ótimo alívio tragicômico. Se esse arco for pra onde indica que vai, possivelmente teremos ainda mais personagens intrigantes saindo daqui.

Já no arco Shadow/Wednesday, conhecemos o deus Vulcan (Corbin Bernsen). Ele é basicamente uma demonstração do que acontece quando um Deus antigo cede às ofertas dos Deuses Modernos. Prevalecendo através de sacrifícios em sua fábrica de armas (tem uma referência a ela no começo do episódio, inclusive), Vulcan prospera com seu culto supremacista que ama armas e, pela escolha de figurantes do episódio e das faixinhas vermelhas no braço, odeiam negros. Rola até um desconforto sutil com Shadow.

Na mitologia, Vulcano é um deus romano do fogo que forjava armas e raios. A série aproveita para modernizar o conceito de forja e ferreiro, fazendo Vulcano prosperar em um império armamentista, uma faceta bem conhecida da América.

A desconfiança exala da comunidade erguida por Vulcano, girando em torno de sua fábrica de armas até seu desfecho, sendo sacrificado a força por Wednesday em seu próprio caldeirão fumegante, se tornando munição com um ingrediente extra de mijo divino.

A cena em que Odin decapita Vulcano é surpreendente, mostrando um lado do personagem não visto até agora, e a reação de Shadow ao ato de violência é impagável.

Temos aqui um episódio nada discreto, extremamente incisivo e charmoso, com diversos acordes de jazz acompanhando as andanças de leprechauns, gênios e esposas mortas, assim como chuvas de bala, acordos entre divindades e Odin mijando em um poço de lava. Tem uma espada bem f*da também. É um bom episódio que levanta uma questão importante para os fãs da obra de Gaiman: no que essas alterações gritantes na trama da história vão dar? Você gostou delas? Odiou? O que sua cognição te diz?

O sexto episódio de Deuses Americanos está disponível para stream pela Amazon Prime.

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sobre o autor Lucas Rafael

Redator. Entusiasta de coisas demais