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Deuses Americanos: 1.05 – O Velho e o novo!

Por Lucas Rafael

Afinal, sobre o que é Deuses Americanos? Essa pergunta tem sido jogada pelos comentários de vários fóruns de discussão desde a estreia da série, inclusive aqui na LH. As pessoas não querem afundar horas do seu tempo em algo que não lhes interessa, então vale o questionamento, sobre o que se trata Deuses Americanos? Qual é a história? O objetivo do herói? Tem um vilão? Quais seus propósitos? Acreditem, parte da graça aqui é a ilusão, deixe-se levar pela narrativa, por mais sem pé nem cabeça que ela possa parecer em dados momentos. Deuses Americanos é uma obra elusiva por natureza, você não quer que ninguém estrague a experiência para você. Vai lá, arranja os episódios, dê play, curta a experiência, vai por mim, é diferente do que você está acostumado.

Pra quem não leu o livro de Neil Gaiman e entrou nessa cego, sendo atingido com força pelos momentos psicodélicos e pinceladas não convencionais de narrativa, talvez esse quinto episódio seja o melhor até agora. Algumas peças do quebra-cabeça começam a se juntar aqui, a temática da série se entorna, as coisas ficam um pouco mais evidentes e menos obtusas. Um pouco. Se no quarto episódio tivemos uma interrupção para contar a história de Laura Moon (Emily Browning), retornamos ao formato padrão em “Lemon Scented You”, quinto episódio dessa primeira temporada de Deuses Americanos. O episódio abre com um conto da vinda dos Deuses, mas para dar aquela diferenciada, temos uma bela animação gélida que demonstra o esquecimento de um Deus tribal durante a imigração de seu povo. É visualmente chamativa, embora não tão impactante como algumas das aberturas anteriores.

No episódio em si, Shadow lida com o choque da ressurreição de Laura por conta da moeda de Mad Sweeney, questionando a personagem mais pela sua infidelidade em vida do que pelo seu retorno à ela.  Enquanto isso, Mad Sweeney está envolto em uma odisseia comicamente trágica.

A dinâmica entre Shadow e Laura é boa, com a série fazendo dele literalmente a razão para ela sentir-se viva. Agora que Laura está dotada de sua super-força, a personagem demonstra uma vez mais seu carinho protecionista pelo protagonista.

Esposas mortas a parte, o episódio dispara quando Shadow e Wednesday são presos. O interrogatório dos personagens é hilário, Ian McShane como Wednesday é uma das melhores coisas que agraciaram o mundo televisivo em 2017. Desde sua reação a perguntas até sua entonação, postura e reações ao falar com um corvo, o cara é destaque em praticamente qualquer cena que apareça. Em uma delas ele chega a vomitar o plot inteiro da série até agora em uma confissão, e é tão absurdo, fantástico e cativante que só nos resta aplaudir. Nem dividir uma sala com deuses modernos consegue diminuir o brilho do personagem, e aqui temos a sequência chave desse quinto episódio. Mídia (Gillian Anderson), Garoto Tecnológico (Bruce Langley) e Sr. Mundo (Crispin Glover) trocam uma ideia com a dupla dinâmica da série.

O Sr. Mundo de Crispin Glover é bem articulado, demonstrando uma postura de líder empático que busca o “melhor” para todos. Anderson oferece uma atuação propositalmente afetada de mídia, prestando homenagem a figuras pop icônicas (Starmaan waiting in the sky), enquanto o garoto tecnológico está aqui para oferecer desculpas e, basicamente, ter seus dentes arrancados como uma oferenda para Odin.

Mas, finalmente temos uma visão mais clara do embate oferecido pela série: o novo tendo de lidar com antigo, reciclando o velho para torná-lo interessante e reconhecível, destituindo-o de sua essência, enquanto ele bate o pé para se manter tradicional.

A praticidade suplantando a tradição. Ninguém reza para um Deus abençoar suas colheitas com máquinas que aram e nutrem a terra. Olá, tecnologia, adeus, divindades. Deuses Americanos é sobre isso. Ou é sobre um monte de gente esquisita fazendo coisas estranhas, acredite no que preferir, afinal, não deixa de ser uma série sobre o poder da crença.

O quinto episódio de Deuses Americanos está disponível para stream pela Amazon Prime.

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sobre o autor Lucas Rafael

Redator. Entusiasta de coisas demais