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Como a Marvel conseguiu colocar o Homem-Aranha em seu Universo Cinematográfico!

Por Felipe de Lima

Falta apenas algumas horas para que o público brasileiro possa finalmente assistir ao aguardado Homem-Aranha: De Volta ao Lar. O filme crava a presença do Peter Parker no Universo Cinematográfico da Marvel e amplia as suas interações com os outros heróis da editora americana, mesmo que os direitos do personagem ainda pertençam a Sony.

O que muita gente não sabe é como aconteceu toda essa história de direitos compartilhados e tudo mais, ou como a Sony acabou ficando responsável pelo herói escalador de paredes mesmo com a Marvel possuindo um estúdio próprio. E é isso que eu vou tentar explicar aqui.

>INDO À FALÊNCIA

Cartaz de divulgação de Homem-Aranha

O final dos anos 90 foi um período complicado para a Marvel. A editora havia enfrentado muitos problemas financeiros, quase chegando à falência. Isso fez com que os direitos de seus grandes heróis fossem espalhados por várias empresas diferentes para que a Casa das Ideias pudesse encher o cofrinho novamente. A Fox comprou os direitos dos X-Men e Quarteto Fantástico na metade da década de 1990 e logo começou a trabalhar em adaptações dos quadrinhos.

Já o Homem-Aranha teve sua propriedade migrando de estúdio em estúdio até chegar à Sony em 1999. Foram necessários três anos de produção para que o filme dirigido por Sam Raimi e estrelado por Tobey Maguire chegasse aos cinemas em 2002. Duas sequências de grande sucesso financeiro foram produzidas, com Homem-Aranha 2 sendo lançado em 2004 e Homem-Aranha 3 em 2007.

Todos os filmes da trilogia quebraram recordes de bilheteria e se tornaram referência por mostrar como balancear o humor dos quadrinhos com a triste realidade do início do novo milênio, algo que ficou de fora dos filmes dos X-Men, por exemplo. Apesar de Homem-Aranha e Homem-Aranha 2 serem até hoje ovacionados pelo público, a terceira parte da saga de Peter Parker se mostrou controversa e polêmica, sendo rejeitada por boa parte do público e não atingindo os resultados que a Sony esperava.

>O FIM DE UMA ERA

A venda dos direitos cinematográficos dos personagens foi o que evitou um destino fatídico para a Casa das Ideias. Contudo, com o orçamento em dia, a editora começou a planejar a expansão de seu universo para o cinema. Em 2009, a Marvel Entertainment foi vendida para a Disney por quatro bilhões de dólares, ganhando os direitos de centenas de personagens. O problema era que grandes nomes como o Homem-Aranha, X-Men e Quarteto Fantástico não estavam incluídos no pacote.

Nesse meio tempo, a Sony buscou formas de lidar com a má recepção de Homem-Aranha 3 e lançar um quarto filme da franquia. Sem um acordo entre os atores, o diretor e o estúdio, a Sony anunciou em 2010 que Raimi e Maguire haviam se afastado da produção de Homem-Aranha 4. Um reboot já era certo a essa altura e o estúdio começo uma intensa busca por novos diretores.

>O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA

Pôster de O Espetacular Homem-Aranha

Marc Webb havia ficado muito famoso após ter dirigido 500 Dias Com Ela. Como a ideia da Sony para a nova franquia era uma abordagem mais romântica e misteriosa, o cineasta acabou sendo contratado para assumir o reboot, que escalou Andrew Garfield no papel principal. Webb, no entanto, se viu sabotado pelo estúdio. O primeiro filme dirigido por ele contou com graves alterações durante o processo de pós-produção. Houve mudanças no roteiro e na história dos personagens. Até mesmo cenas importantíssimas foram filmadas, mas nunca chegaram às telonas.

Pra piorar, o resultado nas bilheterias não foi dos melhores. Chegando aos cinemas em 2012, O Espetacular Homem-Aranha foi bem-recebido pela crítica especializada e se deu bem com boa parte dos fãs. No entanto, o reboot teve a pior arrecadação dos filmes da franquia lançados até aquele momento, um indicativo de que a situação nos bastidores não andava bem.

Mesmo assim, a Sony decidiu investir em uma sequência. O estúdio estava confiante de que o segundo filme da franquia Espetacular seria um sucesso absoluto e chegaria a casa do bilhão nas bilheterias mundiais.

Confiante de que conseguiria emplacar a franquia, a Sony – antes mesmo de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro chegar às telonas – anunciou um novo universo compartilhado em torno dessa versão do herói escalador de paredes, dando início a produção de filmes do Sexteto Sinistro e do Venom.

Na prática, entretanto, as coisas foram um pouco diferentes. O Espetacular Homem-Aranha 2 acabou sendo bastante criticado pela maneira como mudou de tom em relação ao filme anterior, além de trazer muitas tramas que não puderam ser devidamente trabalhadas, desenvolvidas ou finalizadas. Nas bilheterias, o longa se saiu pior do que seu antecessor, freando qualquer iniciativa para dar sequência aos os planos de expansão.

>O ACORDO

Ao final de 2014, a Sony começou a promover o que seria o terceiro filme da franquia Espetacular. Nos bastidores, as coisas estavam ficando cada vez mais tensas, até que um grande vazamento trouxe a tona conversas sobre o Homem-Aranha passar a integrar o Universo Cinematográfico da Marvel. A resposta dos fãs foi imediata e o apelo para que as negociações fossem levadas adiante só cresceu.

Nesse meio tempo, surgiram rumores sobre a introdução de um ator ainda mais jovem como Homem-Aranha no filme do Sexteto Sinistro. Outro rumor dizia respeito a um novo reboot da franquia, mas os fãs estavam empolgados mesmo era com a possibilidade do Cabeça de Teia aparecer ao lado de medalhões como Homem de Ferro e Capitão América.

Depois de 16 anos com os direitos do personagem e a produção de cinco filmes do herói, a Sony não sabia o que fazer com uma de suas maiores franquia. A dúvida levou os executivos do estúdio a finalmente ouvirem a proposta dos chefões da Marvel no início de 2015.

Ao longo de 7 anos, a Marvel havia conquistado uma multidão de fãs no cinema e arrecadado mais de 12 bilhões de dólares nas bilheterias mundias, mesmo sem contar com os personagens mais famosos da editora. A introdução do Homem-Aranha nesse universo poderia gerar muitas possibilidades que antes eram impensáveis, como, por exemplo, a participação de Robert Downey Jr. – um dos atores mais rentáveis de Hollywood – em um filme de herói produzido pela Sony.

Ficou, então, decidido que Kevin Feige seria o produtor do longa e a Marvel ficaria encarregada de toda a parte criativa, enquanto a produtora Amy Pascal – representando a Sony – participaria ativamente de decisões estratégicas, como a escalação de Tom Holland e a contratação de Jon Watts como diretor. Ainda assim, o filme seria financiado pelo estúdio detentor dos direitos do herói.

Outro aspecto que impulsionou o acordo a se concretizar foi o fato da Disney já possuir a prerrogativa de merchandising do personagem, estando em posição para abrir mão dos lucros em bilheteria e deixar todo o dinheiro para a Sony.

>EM MEIO À UMA GUERRA CIVIL

Em fevereiro de 2015, Sony e Marvel anunciaram oficialmente que o Homem-Aranha passaria a fazer parte do Universo Cinematográfico da Marvel. Os dois estúdios começaram a compartilhar os direitos do personagem, assim, o Cabeça de Teia foi novamente rebootado para ganhar uma história atrelada aos Maiores Heróis da Terra.

Primeira imagem divulgada do novo Homem-Aranha em Capitão América: Guerra Civil

A primeira participação do novo Homem-Aranha aconteceu em Capitão América: Guerra Civil, onde – apesar de ter um papel muito diferente do que tem na saga dos quadrinhos – o personagem foi aclamado pelos espectadores em sua estreia. A princípio, um dublê foi usado nas cenas do herói, até que Tom Holland foi oficialmente escalado. Alguns dos fatores que levaram a escolha do ator inglês para o papel foram a altura a dinâmica com Robert Downey Jr., que mais tarde levaria os dois a compartilharem tela no filme solo do escalador de paredes.

Em seguida, o diretor Jon Watts foi escolhido para comandar o filme, auxiliando Joe e Anthony Russo no desenvolvimento da primeira aparição de Peter Parker. Um traje chegou a ser produzido para o personagem em Capitão América: Guerra Civil. Contudo, mas ele era muito semelhante às versões anteriores e acabou sendo usado apenas para os testes de tela. Sem uma versão finalizada do visual do personagem, todas as cenas em que o Homem-Aranha aparece caracterizado no filme foram feitas com computação gráfica e captura de movimentos.

>DE VOLTA AO LAR

Pôster IMAX de divulgação de Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Após uma estreia muito bem-recebida, foi anunciado que o primeiro filme solo do Cabeça de Teia se passando dentro do Universo Cinematográfico da Marvel se chamaria Homem-Aranha: De Volta ao Lar. O filme pega diversos elementos que foram cravados nos universos dos quadrinhos do herói desde a década de 1960, ao mesmo tempo em que busca fazer uma modernização de forma balanceada para o século 21. Mesmo sendo um grande filme de herói, ele ainda se prende a níveis menos megalomaníacos, fazendo um meio termo os heróis de rua e os grandes nomes que já integraram os Vingadores. (Você pode ler nossa crítica aqui).

Homem-Aranha: De Volta ao Lar estreia dentro de algumas horas nos cinemas brasileiros, mas ainda é cedo para afirmar se essa tradução de gibis para as telonas vai mostrar resultados satisfatórios ou saber exatamente o que a participação mais ativa do Cabeça de Teia dentro do Universo Cinematográfico da Marvel nos reserva.

A única coisa que posso afirmar com certeza é que meu eu de 12 anos já está inquieto na poltrona do cinema… E não vê a hora das luzes se apagarem.

 

Lançamento não encontrado.

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sobre o autor Felipe de Lima

Pelo poder da verdade, eu, enquanto vivo, conquistei o universo. Me segue no twitter @tearsgodown