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Batman & Robin – Os 20 anos do filme que quase matou o cinema de super-heróis!

Por Felipe de Lima

A franquia Batman teve seu início no cinema pelas lentes de Tim Burton, que dirigiu o primeiro grande filme do personagem interpretado por Michael Keaton. Lançado em 1989, Batman foi um sucesso de crítica e público, sendo até hoje considerado por muitos fãs o filme definitivo do Homem Morcego.

Entre as inspirações para a produção, estavam histórias em quadrinhos mais adultas, como A Piada Mortal, de Alan Moore e Brian Bolland, e O Cavaleiro das Trevas, escrita e ilustrada por Frank Miller. O resultado foi um filme escuro e vigoroso, que captava a atmosfera dos gibis do herói da DC Comics.

Michael Keaton e Jack Nicholson como Batman e Coringa em cena do filme de 1989

Apesar de não ser um grande fã de histórias em quadrinhos, Tim Burton declarou que foi a proximidade do Batman com a realidade – ilustrada nas graphic novels – que tornou as ideias para um filme do personagem mais aceitáveis. Contudo, isso foi se perdendo após o primeiro longa, com a franquia gradativamente mergulhando na falta de sentido.

›MUDANÇAS PELA FRENTE

Os primeiros indícios da mudança de temática apareceram na sequência intitulada Batman: O Retorno, o último filme da parceria Tim Burton e Michael Keaton. Depois, vieram duas sequências Batman: Eternamente e Batman & Robin, ambos dirigidos por Joel Schumacher.

Com uma nova equipe na frente e por trás das câmeras, a franquia mudou completamente de tom. Saíram os visuais sombrios, entraram trajes carnavalescos; saiu a fotografia escura, entraram luzes de néon; saiu um Cavaleiro da Trevas, entrou uma abominação.

O trio de protagonistas de Batman & Robin, Alicia Silverstone, George Clooney e Chris O’Donnell

Ninguém estava preparado pra ver tamanho desastre. Bat-Mamilos, Bat-Patins e Bat-Cartão de Crédito foram apenas alguns dos indícios de que tudo estava errado no filme protagonizado por George Clooney. Foi em Batman & Robin que um dos personagens mais icônicos já criados pela indústria de quadrinhos foi reduzido a um imbecil insensato.

›SEM BATMAN & ROBIN O CINEMA DE SUPER-HERÓIS SERIA OUTRO

Mas vamos ser honestos por um instante. Os filmes de super-herói, que são tão aclamados hoje em dia, nunca existiriam se não fosse por Batman & Robin. A infortuna recepção do filme é diretamente responsável pela mudança de visão a respeito das adaptações de quadrinhos. O estrago foi tão grande, que foram necessários três anos para que Hollywood deixasse de torcer o nariz para os super-heróis da Marvel e DC Comics.

Filmes adaptados dos quadrinhos de super-heróis, no entanto, tendem a ser uma grande fonte de renda e é isso que move Hollywood. A tentativa seguinte de levar super-heróis famosos para o cinema aconteceu com X-Men, de 2000. Porém, para que o filme da 20th Century Fox recebesse sinal verde, o diretor Bryan Singer precisou ir na contramão de tudo que fora feito anteriormente, adicionando temáticas mais sérias e delicadas nas entrelinhas de uma aventura baseada em personagens da Marvel. Fazendo paralelos com a realidade, os X-Men de Singer conseguiram restaurar o apelo do público por mais adaptações de quadrinhos.

Hugh Jackman como o Wolverine em cena de X-Men: O Filme

O resultado da aposta da Fox levou a Sony a investir em filmes do Homem-Aranha, que se mostraram grandes sucessos de bilheteria. Porém, a Warner Bros. demorou pra conseguir encontrar o caminho depois da morte de sua principal franquia baseada em personagens da DC. Houve até mesmo uma tentativa falha de resgatar a Mulher-Gato no cinema, mas os resultados ficam muito aquém do esperado.

›NINGUÉM QUER REPETIR OS MESMOS ERROS

Talvez o maior medo que Batman & Robin tenha infligido ao público foi a noção de que os filmes de quadrinhos inspirados pelos heróis da DC nunca mais funcionariam. Durante muito tempo, a franquia Batman foi considerada morta, até que Christopher Nolan conseguiu revitaliza-la com uma abordagem completamente nova sobre a história do Cavaleiro das Trevas, que se diferenciava em todos os aspectos do filme de 1997.

Sem a aparição da versão mais crível dos X-Men de Bryan Singer ou do heroísmo natural do Homem-Aranha de Sam Raimi, talvez o cinema de super-heróis nunca tivesse se recuperado do fracasso de Batman & Robin. Até hoje, George Clooney e Joel Shumacher pedem desculpas por terem ousado tocar nas orelhas pontudas do personagem. Porém, algo bom nasceu de tudo isso. Hoje, o cinema de super-heróis é levado a sério e há uma genuína preocupação dos estúdios em evitar a repetição dos erros de Batman & Robin.

 

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sobre o autor Felipe de Lima

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