Agentes da S.H.I.E.L.D.: 5×03-04 – O Enigma de Outro Mundo

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Agentes da S.H.I.E.L.D.: 5×03-04 – O Enigma de Outro Mundo

Por Gus Fiaux

Antes de mais nada, devo confessar que Agentes da S.H.I.E.L.D. continua sendo, para mim – mesmo em um mercado saturadíssimo de séries do tipo – a melhor série de super-herói da atualidade. Mas mais do que isso, é a série de super-heróis mais corajosa da atualidade (talvez, apenas empatada com Legião). E isso tem um peso muito grande, quando vemos produtos indo de encontro a uma mesma finalidade, quase sempre aproveitando um embalo em comum.

Mas até agora, tudo que S.H.I.E.L.D. fez, sem ter medo nenhum, foi se arriscar. Seja na segunda temporada, quando conseguiu ser uma série sobre inumanos mil vezes melhor que Inumanos; na terceira, quando começou a investir em vislumbres cósmicos; na quarta, quando abraçou ao mesmo tempo o misticismo do Motoqueiro Fantasma e a vertente de hard sci-fi de Aida e dos MVAs. Agora, na quinta temporada, ela coroa essa virtude indo onde nenhum homem já foi.

Mas isso não significa que tudo estão sendo rosas. Na minha review anterior – que saiu há muito mais tempo, e eu culpo a CCXP pelo atraso desta – eu já havia dito como o primeiro episódio havia sido de tirar o fôlego e o segundo tinha sido um tanto quanto… meh. E infelizmente, é algo que eu ainda senti bastante no terceiro e no quarto episódios. Mas, se tudo der certo, o jogo já está virando.

Em termos de narrativa, avançamos em passos lentos, apesar do fato de que cada episódio mantém a proposta de trazer uma grande reviravolta nos últimos momentos, servindo como um delicioso gancho para o que há por vir. No terceiro, seguimos melhor os agentes enquanto eles ainda estão sob o controle do maquiavélico Grill. A coitada da Simmons precisa cuidar de uma inumana que atua muito mal, e Daisy acaba sendo vítima de uma traição nas mãos de Deke a essa altura você já devia estar vacinada, mulher. Nem parece que conviveu quatro anos seguidos com Grant Ward!

O quarto, por sua vez, traz os agentes lidando com a descoberta de uma transmissão vinda da Terra. Mack começa a questionar seu papel nisso tudo, enquanto descobrimos que a traição de Deke tinha lá sua justificativa. Simmons e Daisy se reencontram, e o final fica ainda mais chocante quando revemos o cara que veio para salvar a pátria Fitz.

No que diz respeito aos quesitos técnicos – essa baboseira que vocês sabem que eu sempre falo –, a série se mantém competente ao extremo. As cenas situadas nas naves em busca de algo no espaço são verdadeiramente fantásticas, dando um gosto real de como o orçamento está rechonchudo e os produtores não estão querendo entregar qualquer coisa às pressas.

A parte sonora é impecável, como sempre foi em Agentes da S.H.I.E.L.D.. Desde os sons da própria trama à trilha sonora, tudo é feito para envolver o espectador da melhor forma possível, e é um trabalho que poucas séries se dão, uma vez que isso não é tão pensado para a mídia televisiva.

Elogiar o elenco é chover no molhado. Chloe Bennett, Clark Gregg, Ming-Na Wen… todo mundo está excelente, para variar um pouco. Ainda assim, eu fico chocado com o talento de Henry Simmons. Se ele surgiu apenas como um brutamontes que ninguém gostava muito, nessa temporada ele está dando tudo de si para trazer o pacote completo. Apesar de ser o membro mais engraçado da equipe, com uma piadinha feita aqui e acolá em quase todas as suas aparições, o ator também consegue passar um drama visto pouquíssimas vezes. E as preocupações internas se mostram visíveis em seu rosto, algo que eu realmente não esperava dele.

Infelizmente, fico triste com a direção que estão dando a Elizabeth Henstridge aqui. Eu gosto do fato de estarem desassociando Simmons um pouco de Fitz, uma vez que não há muito para estabelecer de relação entre os dois aqui, mas o que poderia ser uma chance de finalmente mostrá-la de forma pura, acabou se tornando o núcleo mais chato da série. Tudo bem que Kasius é uma figura ameaçadora e excêntrica, mas nem sua presença grandiloquente consegue salvar uma trama que parece nunca avançar. E é uma pena ainda maior que Simmons apenas “exista” nesses momentos, uma vez que nem pode falar ou esboçar alguma reação.

No que diz respeito ao avanço narrativo, essa temporada me preocupa um pouco. De quatro episódios, é difícil sentir diferenciação entre eles. Todos parecem apenas “capítulos de algo maior”, o que não é nenhum demérito em séries televisivas, mas que causa estranhamento em S.H.I.E.L.D., onde, nas temporadas anteriores, cada episódio tinha uma voz própria e marcante. Felizmente, com a aparição de Fitz e o próximo episódio sendo focado em sua jornada solo, isso pode mudar.

Por outro lado, a série está fazendo um trabalho absurdo de construção de universo, seja em pequenos detalhes ou em elementos maiores. Finalmente fomos apresentados ao conceito clássico de Multiverso, e isso pode trazer reviravoltas fascinantes para o futuro, caso a série seja renovada para novas temporadas. Em termos de easter-eggs, o Capitão América ficaria feliz com o tanto de referências plantadas.

Temos uma menção grandiosa ao número 616, como é batizado o universo regular da Marvel nas HQs, e conhecemos Flint, um Inumano bem importante nas HQs dos últimos anos, e que deve ganhar ainda mais destaque na série no futuro. Além disso, há pistas aqui e acolá do que pode vir para o futuro.

Porém, o verdadeiro elogio que preciso tecer para esses episódios é como a série está realmente aproveitando as consequências do que aconteceu no passado. O Framework ainda é mencionado constantemente, por ser algo muito recente na memória dos agentes, e por ter deixado cicatrizes cruéis. Ao mesmo tempo, temos as referências ao Monólito da terceira temporada e até mesmo ao Motoqueiro Fantasma e seu pacto com Coulson.

Isso mostra que os produtores e roteiristas reconhecem a jornada dos personagens até aqui, e não caem no clichê padrão das séries de super-heróis atuais de ficar reciclando tramas e arcos pessoais como se eles já não tivessem passado por aquela mesma coisa milhares de vezes. É nisso que S.H.I.E.L.D. se sobressai, e é por isso que ela sempre será, ao meu ver, a melhor série de super-heróis da atualidade: ao final de cada episódio, todos os personagens estão diferentes em relação a como começaram.

Enfim, por hoje é isso. Ainda precisamos esperar um pouco mais para ver aonde a temporada está se guiando. O começo está um pouco morno, mas até agora, todo começo de temporada para a série demorou um pouco para engatar – com exceção, talvez, do terceiro ano. E até lá, estaremos aqui, sempre admirando esses personagens que já marcaram seu território definitivo no Universo Cinematográfico da Marvel.

Abaixo, confira algumas imagens dos episódios mais recentes:

Agentes da S.H.I.E.L.D. vai ao ar às sextas-feiras. Não perca nossas reviews semanais às segundas, aqui na Legião dos Heróis.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux