Agentes da S.H.I.E.L.D.: 4.22 – O Fim do Mundo

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Agentes da S.H.I.E.L.D.: 4.22 – O Fim do Mundo

Por Gus Fiaux

Atenção: Alerta de Spoilers!

Quem tem acompanhado as reviews de Agentes da S.H.I.E.L.D. sabe que, para esse humilde autor, a série nunca esteve tão boa. A decisão de quebrar a história em três partes, e abordar temas tão fascinantes dos quadrinhos, como o Motoqueiro Fantasma, os MVAs e realidades virtuais como o Framework tornou essa temporada um prato cheio para os fãs, e na última terça-feira, acompanhamos o final do quarto ano, que indubitavelmente pode ser definido em uma única palavra: estranho.

Aqui, tudo chegou a um fim curioso. Primeiramente, Robbie Reyes volta de onde quer que tenha estado, e dessa vez, ele está com uma missão bem específica: resgatar o Tomo Negro e devolvê-lo para quem quer que tenha o criado. E a equipe está completamente em apuros. Coulson, May, Fitz, Simmons e Daisy lutam para encontrar e derrotar Aida, enquanto Yo-Yo resolveu se meter no Framework para salvar Mack, que se nega a deixar sua filha – ainda que ela não seja de verdade.

Do lado dos vilões, Aida se tornou uma inimiga megalomaníaca e disposta a tudo para derrotar seus rivais, principalmente Fitz, que a deixou para trás com um coração partido e diversas promessas vazias. Por isso, ela mais uma vez se alia ao Superior e a um novo MVA para poder forjar um ataque da S.H.I.E.L.D. e dos Inumanos para o mundo, dando início a eventos similares aos que aconteceram no Framework.

É aqui que ela envia uma duplicata mecânica de Daisy em uma reunião de representantes mundiais, e lá, o robô atira friamente na cabeça de Talbot, enquanto uma multidão de testemunhas assiste e fica aterrorizada com o ataque falso. Mas aí, os heróis da S.H.I.E.L.D. se reúnem ao Motoqueiro Fantasma – que até onde se sabe, é o único capaz de ferir Aida permanentemente – e partem para atacar os vilões, conseguindo derrotar os MVAs do Superior e seu ajudante, ainda que o estrago já tenha sido feito.

Quando Aida foge, eles voltam ao QG e precisam criar maneiras de extrair Yo-Yo e Mack do Framework, já que os vilões conseguiram criar uma forma de destruir toda a realidade virtual aos poucos. E depois de momentos emocionantes e inquietantes, onde vemos Mack perder sua filha de uma vez por todas, eles conseguem tirar os dois ilesos, com uma ajuda da consciência virtual do Dr. Holden Radcliffe, que parece definitivamente ter passado para o lado dos mocinhos, mesmo consciente de seu derradeiro fim.

Ao final do episódio, temos uma sucessão de reviravoltas mais imprevisíveis que as outras: Aida se teletransporta para o QG da S.H.I.E.L.D. e mata Simmons na frente de Fitz. Descobrimos que a Simmons morta era, na verdade, um MVA servindo como isca. Coulson faz um acordo com Robbie e se torna o Motoqueiro Fantasma por alguns minutos, o suficiente para derrotar Aida e fazê-la arder no fogo do inferno (literalmente).

E então temos algumas resoluções apressadas. Robbie vai embora junto com o Tomo Negro. Os agentes agora estão sendo perseguidos pelo ataque a Talbot – que sobreviveu por pouco –, e eles sabem que serão capturados, então aproveitam para ter um último jantar juntos. No restaurante, são descobertos por um grupo misterioso, que os aprisiona e usa um dispositivo capaz de fazê-los ficarem parados no tempo. E por fim, para a surpresa de todos, Coulson acorda no que parece ser uma prisão, mas com um detalhe: a prisão é no espaço, e o agente fala sobre continuar seu trabalho.

Para um final de temporada, “World’s End” – título do episódio – me deixou com mais interrogações na cabeça do que com respostas para as perguntas levantadas ao longo dos vinte e dois episódios desse ano de produção. E isso não é necessariamente algo ruim. Na realidade, arrisco dizer que, apesar de alguns problemas – comentarei mais sobre eles depois – esse pode ter sido o melhor final de Agentes da S.H.I.E.L.D. no que diz respeito a levantar ideias e teorias para a próxima temporada.

É muito curioso que, apesar de todas as apostas levantadas ao máximo, tivemos um episódio menos explosivo e catastrófico do que pensamos que iríamos ter. Em vez disso, essa season finale é mais contida e mais pessoal, focando-se em como os personagens precisaram passar por tudo isso. Não é surpresa que uma das cenas mais encantadoras seja o final de Radcliffe, que cita “The Hollow Men” de T.S. Elliot antes de desaparecer. “É assim que o mundo acaba. Não com uma explosão, mas com um suspiro”.

Ao mesmo tempo, é curioso pensar que o episódio lida pouco com as consequências do que cada personagem passou. De todos os que devem ter uma trama relacionada aos eventos da quarta temporada, o que mais se aproxima de ganhar uma continuidade para seu papel na série é Coulson, que carrega consigo uma série de perguntas – Onde ele está, afinal? Qual foi o acordo dele com Robbie? O que significa a frase que Robbie disse a ele antes de partir?

Mesmo outros personagens que passaram por maus bocados – como Fitz, May e Mack – parecem ter tido suas tramas “da temporada” já concluídas, em poucas cenas e diálogos, dando a entender que a quinta temporada não deverá se estender muito nos traumas causados por Aida ou o Framework.

Em termos técnicos, o episódio deu uma oscilada, mas nada que se tire o mérito de sua qualidade. Em termos de atuação, senti uma decaída em alguns personagens – sobretudo em Fitz, ainda que ele tivesse visto Aida matar um MVA de Simmons, o personagem não pareceu muito impactado por aquilo; e Mack, que por sua vez, saiu do Framework tão bem quanto entrou, sem dar o menor sinal de dor pela perda de sua filha após chegar ao “mundo real”. Contudo, creio que isso seja mais relacionado ao roteiro do episódio do que ao trabalho de Iain de Caestecker e Henry Simmons.

O mesmo não pode ser dito sobre Zach McGowan, que continua dando vida ao Superior – e suas milhões de cópias. Além de não ter um final definido – não sabemos ao certo se ele voltará ou não – o ator realmente não conseguiu deixar sua marca, excetuando-se as cenas em que sua marca era atuar de forma ruim e canastrona.

Para não reclamar apenas, preciso dizer que a última aparição de Gabriel Luna como Robbie Reyes realmente foi impressionante, com o ator imprimindo um pouco de seu charme e humor em um papel bem curioso. E Mallory Jansen ficou marcada como Aida/Ophelia/Agnes, e certamente deixará muitas saudades.

Com relação à direção, confesso que fiquei um tanto quanto decepcionado. O diretor Billy Gierhart foi responsável por alguns dos melhores episódios da temporada – incluindo o excelente “All the Madame’s Men”, e por isso, esperava algo grandioso e bem polido para a season finale. Apesar dos esforços do diretor, há uma queda brusca na qualidade da fotografia e na montagem das cenas, que acabou ficando um tanto quanto truncada.

O som, por outro lado, se mantém excelente, com uma produção sonora que privilegia o tom de espionagem da série, ao mesmo tempo que consegue transmitir carga emocional e um bom desenvolvimento entre os personagens e os eventos da série.

O que surpreendeu nessa semana – já que, no último episódio foi digno de uma menção negativa – foi a qualidade dos efeitos visuais. Todas as cenas trazendo o Motoqueiro Fantasma e seus poderes são impecáveis, com mais de uma sequência mostrando a transição entre Robbie – ou Coulson – para o anti-herói infernal.

Mais do que isso, vale mencionar também a quantidade de violência gráfica e gore presentes no episódio. Foi extremamente perturbador ver Robbie perfurando os olhos de um dos lacaios de Aida com uma furadeira – ainda que a vítima não passasse de um MVA. Não menos chocante que isso, a morte de Aida é algo que eu definitivamente não esperava ver em uma série como Agentes da S.H.I.E.L.D.

Com relação a easter-eggs, vale a pena ficar atento para alguns nomes e eventos que são mencionados aos poucos, mas nada chama tanto a atenção quanto a hora em que Robbie conjura um portal muito similar aos que vimos diversas vezes em Doutor Estranho.

E com isso, chega ao final a quarta temporada de Agentes da S.H.I.E.L.D., não com uma explosão, mas com um suspiro. Um suspiro que deve acompanhar os fãs por longos meses até que algumas perguntas sejam respondidas na quinta temporada.

Fique abaixo com algumas imagens do episódio:

Não deixe de conferir nossa crítica completa da quarta temporada, que deve sair em breve!

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux