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The Flash: 3.01-09 – Tudo igual, mas diferente!

Por Mike Sant'Anna

Desde sua estreia, nós já passamos por duas temporadas e meia acompanhando o Velocista Escarlate salvando Central City, o mundo, o universo e até mesmo o multiverso. Agora, chegamos ao fim da primeira metade da terceira temporada, que veio prometendo adaptar um dos arcos mais famosos e amados do Flash nos quadrinhos: Ponto de Ignição (Flashpoint). A segunda temporada termina com Barry Allen voltando no tempo e salvando sua mãe de ser assassinada por Eobard Thawne, com isso, os fãs mais assíduos dos quadrinhos já sabiam exatamente o que estava por vir.

Começamos a terceira temporada exatamente do ponto de onde precisávamos, conhecendo o novo mundo que Barry Allen havia criado como consequência de ter salvo sua mãe. Descobrimos que esse mundo tinha um novo Flash na forma de Wally West e seu uniforme clássico do Kid Flash, além disso, também descobrimos que como todo bom Flash, ele tinha um antagonista velocista, o Rival. No primeiro episódio da terceira temporada, intitulado “Flashpoint” estávamos todos curiosos por esse novo mundo, por descobrir o que havia mudado e fomos agraciados com boas referências e ótimas “brincadeiras” com a realidade, como por exemplo, Floyd Lawton, famoso por ser o Pistoleiro, agora sendo um policial ruim de mira. Porém ao fim do episódio vimos que Barry recorre ao seu prisioneiro Eobard Thawne para que ele possa voltar no tempo mais uma vez, ver sua mãe morrer mais uma vez, e fazer as coisas voltarem a ser como eram (por motivos que eu ainda estou tentando entender).

À partir daí nós vimos que as coisas “voltaram ao seu normal”, é então que nós entendemos a verdadeira trama dessa temporada pois, por mais que tudo parecesse normal, as coisas estavam diferentes. Alguns detalhes estavam errados de acordo com a linha do tempo original, o irmão de Cisco estava morto, Iris e Joe não se falavam, posteriormente descobrimos que Caitlin havia ganhado poderes e agora um homem chamado Julian (Tom Felton) dividia o laboratório com Barry – e eles se odiavam mortalmente por motivos que Barry desconhecia – mas o mais importante, havia um vilão novo conhecido como Dr. Alquimia que estava criando novos metas à partir das pessoas que possuíam poderes na realidade do Flashpoint. Mais tarde descobrimos que esse grande vilão servia um vilão ainda maior, Savitar, que se auto-denominava o deus da velocidade e se mostrando possuidor de um domínio da Força da Aceleração que Barry nem sonhava em ter até o momento.

Ao nos aproximarmos do hiato de fim de ano descobrimos que Alquimia era na verdade (obviamente) Julian e Barry contou com a ajuda de Jay Garrick para bolar um plano junto com o próprio Julian para se livrar de uma vez por todas de Savitar, plano esse que funcionou ao ponto de Barry acabar fazendo uma viagem para o futuro e ver sua amada Iris sendo morta pelas mãos de Savitar.

Essa temporada de The Flash tem levantado alguns sentimentos conflitantes nos fãs, começando pelo fato de que muitos disseram que o Flashpoint se resolveu muito rápido e durou apenas um episódio – como muitos temiam que iria acontecer. Porém o que muitos não entendem é que nem mesmo nos quadrinhos o Flashpoint era sobre a realidade alternativa que Barry criou, pois nos quadrinhos, Flashpoint é apenas uma transição e uma justificativa para os Novos 52, o novo universo que Barry criou quando consertou as coisas. E tal como nos quadrinhos, essa temporada se trata das consequências dos atos de Barry, não sobre uma realidade alternativa. A diferença é que nos quadrinhos nós tivemos um arco absurdamente bem feito, repleto de versões alternativas de grandes personagens – o que seria inviável para a CW por motivos mais do que óbvios – enquanto a CW resolveu focar sua trama no drama pessoal de Allen sendo responsável por tantas mudanças drásticas e catastróficas naqueles que o cercam, o que foi uma decisão sensacional por parte dos roteiristas, pois é trabalhar o “Efeito Borboleta” de uma maneira muito mais intimista, principalmente quando isso é facilmente escalável para grandes proporções por se tratar de uma história de super-herói.

Um dos pontos mais altos nessa temporada é a evolução de Barry, tanto como pessoa quanto como herói. Ao longo das duas temporadas passadas nós poderíamos sintetizar todo episódio de Flash com o resumo: Vilão aparece, Flash tenta impedir vilão, Flash não consegue impedir vilão, alguém faz um discurso motivacional para ele, Flash tenta mais uma vez agora motivado, Flash vence vilão, no final do episódio a vida pessoal de Barry está uma bagunça. Porém aqui entram as evoluções do personagem, pois cada vez mais Barry estava se sentindo confiante de seus poderes e capacidades, dependendo muito menos dos discursos motivacionais para conseguir alcançar a vitória nos episódios, o que acarretou em um herói que nós espectadores pudéssemos confiar mais e permitiu que o lado mais leve e descontraído do Flash se sobressaísse nos episódios, nós voltamos à rir com Barry Allen.

Em contrapartida ao lado heroico do personagem, sua vida pessoal ia muito bem, principalmente no quesito amoroso. Um grande reconhecimento precisa ser dado tanto aos roteiristas da série quanto aos atores Grant Gustin e Candice Patton (Barry e Iris) por fazer com que, em uma época onde rechaçar os casais da CW é normal, Barry e Iris sejam um casal muito fluido e natural, você realmente consegue se relacionar com o namoro dos dois, você consegue ver algo real no relacionamento dos dois ao invés de algo forçado simplesmente porque “era pra ser”.

E sobre a trama de Alquimia e Savitar? Essa é a grande pegadinha dessa temporada, pois quando temos a introdução de Dr. Alquimia na temporada nós voltamos MAIS UMA VEZ para a trama do vilão misterioso mascarado. Pior ainda quando Savitar é apresentado e nós também voltamos MAIS UMA VEZ para a trama do velocista do mal mais rápido que Barry. É aqui onde a própria trama da série se torna um “Flashpoint”, pois você pode achar que está tudo igual, mas detalhes cruciais e importantes estão bem diferentes! Por mais mascarado e misterioso que Alquimia fosse, nós descobrimos que Julian não é nem perto de ser um vilão e quanto à Savitar, Andrew Kreisberg cumpriu sua promessa de trazer algo em outro nível completamente, algo jamais visto na série, um vilão que mesmo sendo um velocista maligno, é impossível ser comparado com o Flash Reverso e Zoom.

The Flash repete a fórmula das temporadas anteriores de episódios muito mornos antes da midseason finale – o último episódio do ano antes do hiatus – e provavelmente vai continuar na fórmula onde os cinco últimos episódios vão ser eletrizantes o suficiente para termos uma temporada incrível e compensar os episódios medianos. A série, esse ano, veio trabalhando com maestria nos relacionamentos interpessoais dos personagens e em suas camadas mais intimas, vamos esperar a próxima metade para saber o que a série nos reserva para personagens como Wally, Cisco e Caitlin.

E vamos torcer pra não precisarmos ver a mãe do Barry morrer mais uma vez.

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sobre o autor Mike Sant'Anna

Eu sou o melhor no que eu faço, mas o que eu faço... É bem retardado.