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Reintroduzindo Mary Jane na nova franquia

Por Gus Fiaux

Com essa nova leva crescente de fotos da produção sendo lançadas direto, nós, fãs, temos a oportunidade cada vez maior de discutir sobre o filme que vem vindo e qual será o papel da ruiva mais amada dos quadrinhos no tal. Muitos ditos “fãs” reclamaram do problema da falta de sensualidade na nova atriz, Shailene Woodley,

Veja, independente se você goste ou não da caracterização da atriz, é razoável acreditar que Shailene tem algo a oferecer ao público, desde que ela faça esse papel de maneira grandiosa. A intenção aqui não é reabrir discussões anteriores, e sim definir uma coisa:

Como a maioria dos fãs concorda – ou deveria concordar – Não é só o papel de sex symbol que fez Mary Jane ser o que ela é através de todos esses anos. Óbvio que isso e algo que contribuiu muito para toda essa força e apelo da personagem, e indiscutivelmente, é óbvio que muitos fãs querem vê-la dessa maneira.

No entanto, para Mary Jane – uma personagem tão rica em histórias e versões, e considerando o modo como MJ pode se encaixar nesse novo Aranhaverso do Webb, dadas as circunstâncias que ele estabelece no primeiro filme, algumas questões permanecem: Que versão veremos? Como será adaptada essa MJ? Qual será seu papel significante na história?

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Os quadrinhos são um bom local para se começar a procurar respostas. Na linha 616 (O universo principal, onde 90% da magia Marvel acontece), Mary Jane é apresentada depois de um longo tempo no qual Peter evita conhecer a ruiva. Para sua surpresa, MJ estava longe de ser a garota desajeitada e sem graça que ele pensava ser, ao invés disso, é uma menina exuberante, extrovertida e festeira, que despertou a paixão de Peter. Nesse momento, Pete era um solteiro com 3 escolhas bem fortes – Gwen Stacy, Betty Brant e MJ. Peter acaba se identificando mais com Gwen e acaba namorando ela, apesar de MJ continuar mandando uns flertes brincalhões.

Porém, depois da morte de Gwen pelas mãos do Duende Verde, MJ começa a exercer o papel crucial de “Amor da vida” de Pete.

Embora Peter estivesse ainda relutante em confiar em alguém, ele encontra conforto nos braços de MJ, que também estava mergulhada em uma série de problemas pessoais. A agonia dos dois acabou funcionando como uma ponte, unindo-os mais ainda. Apesar de uma relação cheia de problemas, incluindo o senso de “Devo mentir pra ela sobre ser o Aranha” por parte de Peter, ele e MJ finalmente se casam, sendo que Mary Jane acaba sendo o papel passivo e reconfortante, que sempre soube a verdade sobre a vida heroica de Peter.

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Na linha Ultimate, Mary Jane se diferencia muito de sua contraparte 616. Ela continuava sendo a menina popular, estudava na escola de Peter, mas sua compreensão e meiguice foram exibidos mais ainda. Não era necessário nem olhar duas vezes para perceber seu amor e bondade. Posteriormente, o amor entre ela e Peter desabrochou bem mais rápido e de forma mais forte que a MJ 616. Desde cedo, ela aparentava o papel de amor de Peter e isso cresceu a um nível pessoal. Ele decide fazer a revelação de sua identidade secreta a ela, nas primeiras edições da série, e como resultado, os dois criam uma intensa relação de amor e confiança. Qualquer subsequente relação que Peter teve com outra garota falha, pois claramente os dois são feitos um para o outro

Agora, temos duas versões diferentes da ruiva icônica, ambas sendo importantes personagens, mas individualmente, fazem um diferente papel, ou preenchem o mesmo propósito de maneira diferente. Então, qual Mary Jane será traga a mesa por Marc Webb? 616? Ultimate? Talvez as duas? Como vai acabar?

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Assim como várias adaptações para a tela grande, várias versões de uma personagem são amalgamadas e trazidas a visão do diretor. Obviamente, Webb não pode dar uma versão totalmente fiel da MJ 616 ou da Ultimate. Ele precisa pegar um pouco de cada versão e jogar tudo isso numa Mary Jane que reflita sua visão, e puxar um novo rumo a personagem enquanto permanece linear as origens.

Realisticamente, faz sentido colocar uma versão similar a Mary Jane Ultimate aqui. Dado a experiência da Shailene em fazer meninas “populares” e boazinhas, como em “A Vida Secreta de uma Adolescente Americana”, é provável que ela faça uma versão mais light e mais sensível da ruiva, algo bem similar a MJ Ultimate.

O problema em seguir essa caminho é que a força da relação Peter-MJ está relacionada aos dois pessoalmente antes do namoro. Peter sempre foi subestimado pelas pessoas a seu redor, e Mary Jane serve aqui paralhe proporcionar consolo e conforto.

Em “O Espetacular Homem-Aranha”, Gwen já ocupa esse papel. Está claro que ela é a única que se iguala a Peter em intelecto, e eles mantém um estado de confiança e amor quando Peter revela desde cedo que ele é o Homem-Aranha. Se eles usassem MJ nesse papel, ocorreria uma redundância, sendo que caberia a Peter apenas escolher a mais atraente – ou a que vive mais.

Eu, assim como muitos fãs queremos a MJ 616! O papel de Woodley em “Os Descendentes” é na mesma linha da personalidade de MJ no universo 616. Nesse filme, ela é uma adolescente revoltada que se esconde debaixo das camadas de desafio e exuberância para enfrentar seus problemas pessoais. Soa familiar?

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Por outro lado, Kirsten Dunst já exerceu um papel parecido com a Mary Jane principal; suas aspirações, sonhos e até mesmo maneira de conseguir algumas coisas foram similares. Porém, Sam Raimi, na essência apresentou sua própria versão de Mary Jane, sendo que houveram várias coisas paralelas entre os quadrinhos e os filmes, assim como coisas totalmente diferentes. Felizmente, isso permite Marc Webb a fazer uma Mary Jane fiel a 616.

Há um grande potencial para essa versão, explorando além do que os olhos podem ver nessa Mary Jane renovada. Assim como nos quadrinhos, o público pode ser orientado a ver essa Mary Jane pela sua beleza e esperteza, porém, depois podem apresentar algo além disso, dando tom e profundidade a personagem. Essa é a melhor maneira de depositar camada sobre camada e representar uma personagem independente na nova franquia.

O problema aqui seria fazer com que essa importância de Mary Jane não se sobressaísse ao relacionamento Gwen-Peter. Ela não pode ser muito pegajosa como Peter a via antes de conhecê-la nos quadrinhos.

Além disso, se o estúdio quiser limitar a franquia a três filmes, haverá pouco tempo para transcorrer períodos consideravelmente grandes. Com a morte de Gwen, deve vir um grande período de relutância e com Mary Jane, uma maturação de Peter, e então um novo florescimento do amor de Peter, e isto é muito para se jogar em 2 filmes.

E vocês? o que acham?

Fonte: CBM

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux