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O que é um vilão? Somos heróis ou vilões?

Por Gus Fiaux

Primeiramente, cabe a nós analisar a origem de cada vilão, e ver o que ele é, qual sua marca, sua impressão nas HQs, livros, cinemas e etc. Então, parafraseando o Coringa, um dos maiores vilões ficcionais existentes, “Vamos logo com isso, tempo é dinheiro, dinheiro é bom, eu sou bom, logo, eu sou o tempo”.

a74ac85dbb3595834b150255f54b273bExistem três clássicos modelos de vilão, o Psicótico, aquele cuja única função é fazer o mal, sem nenhuma razão específica, um verdadeiro agente do caos. O Heroico, que sempre se vê como um herói, chegando até a fazer o certo, mas da maneira errada, e por fim, o Renegado, aquele que tenta ser uma pessoa boa, mas o estopim de um evento liberta toda maldade aprisionada em suas entranhas, tornando-lhes os mais perspicazes vilões.

É interessante fazer associações as classes, por exemplo, sabemos que o Coringa, o Zsasz, Alex DeLarge e até mesmo Norman Osborn, (que sempre teve índole questionável) são exemplos claros dos Psicóticos, assim como Destino, Ozymandias dentre outros, são os Heróicos, e temos também vários como Kang, Bane e até mesmo o Ciclope recentemente, ocupando o título dos Renegados.

O mais… digamos, intrigante, é quando um vilão consegue unir as três coisas dentro de si, e aqui temos aquele que sempre o maior desafio para os mocinhos. Aqui temos Magneto, Vader e o Andrew do recente e excelente Chronicle, que são a princípio pessoas boas, que a partir de um evento, agem como se fossem heróis, da maneira mais psicótica possível.

Batman_Villains_01As classificações variam, mas os vilões são sempre os mesmos… os carinhas que tentam destruir os heróis… mas, será mesmo?

É óbvio que não. O vilão, é, sem dúvida, a peça central em qualquer trama que se preze. As HQs, o cinema e os livros podem até conseguir viver sem um herói definido, mas o papel do vilão é essencial, para que haja desenvolvimento, continuação numa história.

Então por que eles são tão odiados? O que leva eles a serem essas figuras tão desprezíveis pelos super-heróis e quase sempre menosprezados? A resposta aqui é clara. O mundo, seja fictício ou não, ainda é muito demarcado pelos costumes certinhos, vide Comics Code Authority. Não, não estou dizendo que é certo matar e torturar pessoas, praticar terrorismo… não, não digo nada disso, apenas tente retirar tudo isso da figura do vilão, e o que restará? Por mais incrível que pareça, um herói.

Isso é explorado arduamente na história de um personagem específico: Magneto, que depois de muito tempo como vilão, percebeu que ele havia se tornado aquilo que mais odiava, e à custa de seu ideal, o que faz com que ele entre numa das maiores reflexões de sua vida, em busca do “O que é certo?”

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Pode parecer controverso, mas ele é um dos maiores vilões e ao mesmo tempo inspiração para muitas pessoas, não devido a sua maldade em si, mas pela sua história de luta, baseada na vida de Malcom X, um dos maiores expoentes na luta pelos direitos dos negros. E nesse momento, as HQs encontram a vida, pois se prestarem atenção, Malcom X era a nêmese de Martin Luther King, assim como Magneto é a nêmese do Professor Xavier, numa das melhores metáforas imaginadas por um quadrinista.

Vilões, são, nada mais nada menos, que heróis que se utilizam de sentimentos negativos (raiva, ódio, dor) para se fortalecerem, além de uma cega, porém não totalmente sem sentido busca pelo poder. Eles são muito mais que simplesmente os piores inimigos de cada herói, são complementos de cada um, a força bruta necessária para fazer o que os heróis não fazem, e isso incluir matar pelo que é certo, as vezes, parafraseando aqui outro vilão que é muito admirado pelos fãs (Doutor Destino): “Eu não machucaria uma criança por nada nesse mundo, mas pelo universo, tenho minhas dúvidas…”

2372569-780px_dane_dehaan_stars_as_andrew_detmer_in_chronicle_2012Aqui faço menção especial a um filme pela segunda vez, que apesar de recente, é muito bom e joga na cara do espectador o que é ser um vilão. Trata-se de Chronicle, traduzido aqui como Poder Sem Limites, que conta a história de três amigos, que de certa forma desenvolvem poderes telecinéticos, e o mais jovens dos amigos, Andrew (vivido por Dane DeHaan, o futuro Harry Osborn da continuação de Amazing Spider-Man) e também mais habilidoso, começa uma jornada na qual tem que lidar com vários problemas, dentre eles a rápida passagem de “perdedor” na escola para popular, o pai violento, a perda de um ente muito querido, dentre outras coisas, que o transformam numa criatura de puro ódio.

Outro filme fantástico é Laranja Mecânica, do visionário Stanley Kubrick, que não se foca exatamente em um vilão, mas um garoto psicopata que é moldado pela sociedade futurista presente no filme.

justiceRecomendo a todos que leiam Justiça, desenhada pelo brilhante Alex Ross, onde se vê um grande questionamento em torno do que os heróis fazem para ajudar a sociedade, uma história que garante aos observadores muita reflexão em cima desse tema.

“Há luz e trevas, em cada um de nós”, dizia Sirius Black, e essa é a verdade. Não há um mundo com heróis e vilões. Há um mundo com pessoas que fazem o certo da maneira certa, e pessoas que fazem o errado da maneira errada, vilões são aqueles que fazem o errado da maneira certa ou o certo da maneira errada. Confuso, não?

Que o (lado negro da) força esteja com vocês.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux