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Os 10 melhores títulos de outubro da Nova e Diferente Marvel!

Por Gus Fiaux

Para a lista, o critério utilizado não se restringiu ao roteiro, mas também à arte e à proposta da revista. Para uma análise mais imparcial e justa, só foi levado em conta a primeira edição de cada revista, tendo em vista que algumas já receberam sua segunda edição (devido ao formato quinzenal) enquanto outras mensais continuam com uma.

Se você gostar da forma de avaliação e da proposta dessa lista, deixe nos comentários. Gostaria que fizéssemos mais listas mensais trazendo reviews de revistas, seja Marvel ou DC?

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The Astonishing Ant-Man

E eis que surge um Espantoso Homem-Formiga. A história tem grande influência do Universo Cinematográfico da Marvel, e a dinâmica do personagem principal (Scott Lang, em vez de Hank Pym) tem uma lógica similar àquela vista no filme solo do herói, lançado esse ano.

Na trama, o Homem-Formiga abre uma espécie de firma de segurança, contando com a ajuda de vilões reformados e procurando financiadores, enquanto tem de atentar para manter-se presente na vida de sua filha Cassie, ainda que ela não possa saber disso. Tudo chega a um ponto de virada quando Lang é atacado pelo Tufão, contratado por outro vilão que promete ser uma grande ameaça para a vida do herói.

A arte é interessante, ainda que não encha os olhos. O mais notável, entretanto, é o bom-humor do roteiro e a aproximação com um público novo, que só teve contato com o Homem-Formiga no filme. Fazendo uma análise mais ampla, a HQ poderia muito bem se encaixar como continuação dos eventos do filme, em alguns anos, ainda que não perca o tom referencial do restante do Universo Marvel.

Nota: 7,5

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Unbeatable Squirrel-Girl

A Garota Esquilo tem agora seu próprio time vigilante para ajudá-la no combate ao crime, enquanto deve conciliar sua vida como membro dos Novos Vingadores. Em seu tempo livre, ela leva sua nova colega de quarto para conhecer sua mãe, e de repente, são confrontadas por uma ameaça nazista.

O material em questão é ouro para quem quiser um pouco de diversão descompromissada. O roteiro exagerado e verborrágico beira um pouco o infantil, porém, isso não traz problema à trama, uma vez que é usado ao seu favor. Detalhe para as "notas de rodapé" presentes em toda a edição e uma constante reafirmação metalinguística (especialmente por ser o segundo título com o mesmo nome a ser iniciado só esse ano).

Porém, o maior "problema" se encontra na arte. Entre aspas porque não é uma questão universal. O traço de Erica Henderson é bem cartunesco e estilizado, e pode incomodar algumas pessoas, que podem acabar tendo a impressão de que a arte está "mal-feita".

Nota: 7,8

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Angela - Queen of Hel

Angela tomou posse do trono de Hela e agora é a nova soberana do Hel, o submundo para onde vão as almas dos Asgardianos que não morreram de forma digna, em campo de batalha. Uma vez lá, ela deve lidar com o ressurgimento de um amor perdido... e sedento por vingança.

Particularmente, eu acho incrível como Angela foi inserida na mitologia de Asgard, como uma espécie de "anjo". Trazê-la ao Hel como nova soberana - lembrando que ela é o "Anjo da Morte" - é uma ideia inteligente e o roteiro começa bem nisso, apesar de em momento algum desenvolver uma relação maior da personagem com o submundo que governa. Submundo esse que ganha uma conotação de personagem nas primeiras páginas, mas logo cai no esquecimento.

O trunfo são as histórias em flashback, de Angela com sua parceira Sera, antes da personagem dominar Hel. Essas partes, ilustradas pela magnífica Stephanie Hans, servem para desenvolver melhor os personagens e suas motivações. Além do mais, não parece ser algo tão pretensioso, como seria qualquer outra revista com premissa similar.

Nota: 7,8

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Howling Commandos of S.H.I.E.L.D.

Okay, procura diversão? Temos aqui. Procura monstros servindo à SHIELD como agentes especiais? Também temos aqui. Procura um roteiro e arte simples e diretos, que maneja bem a história e lembra bem outros clássicos da Marvel estrelados por monstros? Corre logo atrás dessa revista!

Sério, Howling Commandos of SHIELD é uma série que começou bem divertida. Se continuar nesse nível, dá espaço para tramas bem interessantes. Na história, vemos o Comando Selvagem da SHIELD (composto por monstros e liderado por Dum Dum Dugan) em uma missão para derrotar pessoas transformadas em Homens-Planta.

O nível de absurdo da história lembra bastante clássicos de terror escritos pela Marvel nos anos 50 e 60, o que é bem interessante, por esse resgate histórico de personagens criados para servir à cultura de um horror cinematográfico trash. O maior problema se encontra no foco dos personagens. Ainda que o líder seja Dugan, o peso da história recai muito sobre ele, e os demais personagens não tem chance para se desenvolverem melhor, o que pode ser um problema em uma revista de equipe.

Nota: 7,8

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The Uncanny Inhumans

Você pode me colocar na lista de pessoas que já não suportam mais essa invasão Inumana em tudo quanto é parte. Desde o fim de Infinito, Inumanos dominaram a Marvel e, enquanto muita coisa boa - Miss Marvel - sai disso, muita coisa ruim também brotou, o que me fez perder um pouco do apreço pela equipe.

Contudo, The Uncanny Inhumans é uma história que eu considero bem interessante. Há uma trama envolvendo um dos melhores vilões do universo Marvel - Kang, o Conquistador. E o modo como a equipe - e o jogo de intrigas interno - é trabalhado é bem interessante, ainda que certas decisões nos façam erguer as sobrancelhas. Sim, estou falando do romance entre uma certa Inumana e um ex-membro de outra equipe.

Destaque também para a prévia da outra revista associada aos Inumanos, presente nas dez páginas finais da edição. Um ponto fraco, contudo, é a arte de Steve McNiven. Um dos desenhistas atuais que eu mais gosto, é inegável ver que o traçado nessa edição está bem aquém do potencial do artista.

Nota: 8,0

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Sam Wilson: Captain America

Não tendo lido nada anterior do personagem no manto do Capitão América, é assustador notar a quantidade de comentários negativos em torno de Sam Wilson, o ex-Falcão. Contudo, a primeira edição de sua nova revista é digna de nota... e de controvérsia.

Sendo retratado pela mídia conservadora como "Capitão Socialismo", o novo Capitão América parte em prol de algo que os anteriores tratavam como uma espécie de tabu: a defesa de minorias e o confronto direto à certos grupos maioritários. Nisso, Sam deve resgatar um grupo de imigrantes atacados pela Sociedade da Serpente.

O grande mérito da edição encontra-se no roteiro ágil de Nick Spencer, que traz uma forma de humanizar o personagem e deixá-lo no nível das pessoas comuns - representado explicitamente nas cenas dentro do avião. A arte de Acuña é boa, porém não corresponde aos seus trabalhos anteriores. Mas todos os potenciais problemas são esquecidos com o chocante cliffhanger que promete um confronto ideológico bem interessante na segunda edição.

Nota: 8,5

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The Amazing Spider-Man

Com o anúncio e as prévias da revista, muitos se perguntaram como seria ver Peter Parker atuando em um status quo completamente diferente. Milionário, dono de uma empresa e utilizando um atualizado Aranha-Móvel. Depois de uma edição incrível com o dobro de páginas, a resposta é clara: foi ótimo ver Peter assim.

Escrita por Dan Slott e com arte de Giuseppe Camuncoli (graças a deus não é o Ramos), a história flui muito bem enquanto Peter, auxiliado pela Harpia, enfrenta membros do Zodíaco. Além disso, várias prévias menores de revistas da "Família-Aranha".

De todos os títulos dessa família lançados até agora (que incluem Spider-Gwen e Spider-Man 2099), The Amazing Spider-Man é sem dúvidas o melhor, deixando ganchos para arcos maiores no futuro, e trazendo o melhor do espírito aventureiro do herói. Que agora está com um trocado a mais no bolso.

Nota: 8,7

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Karnak

Se com os Inumanos eu já tinha um sério problema, com o Karnak nem se fala. Porém, o ressurgimento do herói não podia vir de forma melhor - e em mãos melhores. Investigando o desaparecimento de um jovem Inumano, Karnak se propõe a entrar em uma série de missões onde só ele pode reconhecer a fraqueza inerente nos planos e ações.

Escrito pelo sempre incrível Warren Ellis, o título traz uma história mais amadurecida e complexa a respeito do herói. E não vamos nem começar a falar das capas já reveladas de David Aja, que se mostram um show à parte que por si só já faria a revista merecer um lugar nessa lista.

A arte de Gerardo Zaffino é ágil e "suja", num bom sentido, e mesmo sendo bastante estilizada, não provoca incômodos e ajuda a narrativa a fluir de modo natural. Resta saber qual será o grande plano arquitetado por Ellis para o herói.

Nota: 8,9

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Invincible Iron Man

O título recordista de vendas dessa nova leva, Invincible Iron Man foi anunciado com um bocado de promessas, e é gratificante saber que todas elas foram cumpridas. Através do roteiro de Brian Michael Bendis e da arte sensacional de David Marquez, somos apresentados a um Tony Stark completamente novo.

Seja na armadura - que combina o melhor de todas as armaduras anteriores - ou na pose, o Homem de Ferro mudou, e enfrenta ameaças que não poderia prever. A série é eletrizante e novamente, é cabível elogiar a arte de Marquez.

Porém, vai uma recomendação: Não leia a história sem ter terminado as Guerras Secretas. Há um grande spoiler presente nas últimas páginas.

Nota: 9,2

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Doctor Strange

Por fim, uma das melhores primeiras edições lançadas pela Marvel nos últimos anos, Doctor Strange faz o favor de reformular o Mago Supremo para uma nova geração de leitores, resgatando detalhes de sua origem ao mesmo tempo em que nos mostra o Doutor em uma nova aventura, às portas de um completo apocalipse místico.

Ainda que não seja um bom condutor de mega-sagas e títulos de equipe, Jason Aaron sabe muito bem explorar personalidade dos heróis em títulos solo, e isso é admirável desde Thor: O Deus do Trovão. Com o Doutor Estranho, essa dinâmica não muda, e temos uma história recheada de humor, aventura, ação, mistério e, obviamente, misticismo.

A arte de Chris Bachalo - da qual eu realmente não sou fã - cai muito bem no título, trazendo um ar psicodélico que remete aos traçados de Steve Ditko nas origens do personagem. Além de tudo, é interessante notar que a revista pode ditar a personalidade e o estilo do Doutor Estranho nos cinemas, a ser vivido por Benedict Cumberbatch no ano que vem.

Nota: 9,7

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux