Os 10 melhores títulos de dezembro da Nova e Diferente Marvel!

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Os 10 melhores títulos de dezembro da Nova e Diferente Marvel!

Por Gus Fiaux

Em comparação com os meses anteriores, de outubro e novembro, esse mês foi relativamente fraco, tanto em relação à quantidade quanto à qualidade das revistas. O que significa que, apesar dos destaques, alguns títulos da lista enquadraram por serem os “menos piores”. Isso, obviamente, levando em conta a opinião do autor da matéria (no caso, eu).

Para a lista, analisamos não apenas os roteiros, mas também arte e a proposta de cada revista. Para que mantivéssemos uma ideia fixa apenas nos começos, analisamos unicamente as primeiras edições de cada título aqui presente, ainda que alguns, por serem publicados em formato quinzenal, já tenham ganhado continuações.

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The Totally Awesome Hulk

Quando anunciaram que o novo Hulk seria alter-ego do jovem coadjuvante Amadeus Cho, a internet se dividiu. Muitos vieram com a eterna ladainha de "mudar etnia não pode", como já foi feito inúmeras vezes. Contudo, a história do novo Hulk surpreendeu.

Ainda que não seja a melhor edição dessa repaginada da Marvel, o "Totalmente Incrível Hulk" serviu para mudar um pouco os ares do personagem. Sai o doutor perturbado por conviver com o monstro. Entra um jovem cheio de vida e inteligência que usa o melhor do físico e do cerebral para resolver seus problemas e salvar o mundo.

Além disso, destaque para a fluidez da história. Talvez, pelo fato do próprio Greg Pak ter criado Cho, há uma interação maior com o personagem. Além disso, a arte de Frank Cho continua muito boa. Não é seu auge, mas definitivamente não é de se jogar fora.

Nota: 6,8

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Starbrand and Nightmask

Estigma e Máscara Noturna foram apresentados no volume anterior de Vingadores, na excelente fase escrita por Jonathan Hickman. Os dois personagens, amplamente misteriosos tiveram um química muito boa juntos, o que os fez ganhar um título próprio agora.

Mas não espere os mesmos heróis sisudos de Vingadores. Aqui, tanto Estigma quando Máscara Noturna são vistos de modo mais cômico e isso funciona bem aqui. A dinâmica dos dois na universidade é uma mistura interessante de Anjos da Lei e A Escolha Perfeita, com um humor mais inocente.

A arte não me agradou completamente, e a revista tem problemas de construção, especialmente relembrando os personagens que já tínhamos conhecido anteriormente, mas nada que barre um entretenimento catártico e despreocupado.

Nota: 6,8

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Spidey

2017 está trazendo um novo filme do Homem-Aranha. E dessa vez, não será o Aranha já saindo do Ensino Médio e prestes a entrar numa universidade. É o Homem-Aranha popular da década de 60, com mil e um problemas dentro da escola. Mas 2015 é um ótimo ano pra revisitar esse Homem-Aranha nos quadrinhos.

Spidey funciona em duas frentes: é uma maneira de voltar aos tempos de colegial de Peter Parker, ao mesmo tempo em que, através de pequenos retcons, percebemos uma maneira de atualizar a história do personagem.

A arte de Nick Bradshaw também atualiza muito bem o personagem. Ao mesmo tempo que relembra um pouco o Aranha clássico de Ditko e os personagens presentes em sua história, a arte dá uma agilidade que faltava aos quadrinhos originais do personagem.

Nota: 7,0

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All-New Inhumans

Ainda que não tenha começado tão bem quanto o outro título, Uncanny Inhumans, os Novíssimos Inumanos apresentam bem a equipe liderada por Cristalys e que conta, entre outros membros, com Gorgon na formação.

A trama circula ao redor do mistério de dispositivos curiosos aparecendo ao redor do mundo, ao mesmo tempo que introduz os Inumanos como os novos "mutantes" da Marvel, alçando ao máximo a ideia do preconceito contra a espécie depois da Terrigênese global.

Contudo, a arte peca e não pouco. Feita por Stefano Caselli, parece um trabalho preguiçoso do autor que já havia feito algo decente, por exemplo, em Vingadores de Hickman, ou em Guerreiros Secretos.

Nota: 7,0

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Squadron Supreme

O Esquadrão Supremo é uma equipe que sempre teve diversas versões dentro do Universo Marvel. Agora, com o final das Guerras Secretas, uma nova reunião dos personagens se fez necessária. E eles estão atrás de vingança!

James Robinson e Leonard Kirk compõem uma dupla que já demonstrou potencial anteriormente, em Quarteto Fantástico. Aqui, eles entregam uma história ainda mais promissora, que promete ser melhor desenvolvida no futuro.

Com títulos solo do Hipérion e do Falcão Noturno logo adiante, não é de se esperar que a equipe - já vista com desconfiança pela população e pelos Vingadores - tenha um papel fundamental nas bases do Universo Marvel. E estamos ansiosos por mais.

Nota: 7,9

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Daredevil

Depois de vários anos com Mark Waid comandando o Homem Sem Medo em uma abordagem mais leve, retomando os princípios da criação do personagem por Stan Lee, a ideia da troca de roteirista deixou os fãs ansiosos.

Mas julgando apenas pela primeira edição, todos podem ficar sossegados. Charles Soule retorna o personagem em uma atmosfera de suspense e violência popularizada por escritores como Brian Michael Bendis e Frank Miller.

A arte de Ron Garney combina bem com isso. A colorização parece tentar imitar a textura de um jornal, mostrando um tom mais sombrio. Além disso, os enquadramentos são quase cinematográficos.

Nota: 8,2

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Patsy Walker, A.K.A. Hellcat

Depois do enorme sucesso de Trish Walker na série de Jessica Jones, é a hora da personagem voltar a ocupar sua posição de direito nos quadrinhos. Mas não se engane e espere a mesma heroína que viu na série.

A revista aposta num humor irreverente, e isso é facilmente ilustrado pelos desenhos de Brittney Williams, sempre referenciando o lado mais gatuno da personagem.

Aqui, temos uma Patsy colhendo os problemas de ser uma heroína clássica num mundo atual. Sofrendo com emprego - ou a falta dele - e interagindo com excelentes personagens coadjuvantes, dentre os quais podemos mencionar a Mulher-Hulk e outras figuras importantes do passado da heroína.

Nota: 8,6

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Red Wolf

É sempre bom manter as expectativas baixas a respeito de algo. Então, quando você não conhece determinado personagem, e nem sabe o que esperar de uma revista solo dele, o resultado é ainda melhor.

Red Wolf é, possivelmente, a revista que mais teve relação com as Guerras Secretas até o momento. E, ao mesmo tempo, é uma história distanciada e incrível. Sempre detestei faroestes, exceto quando o protagonista era alguém improvável, e aqui, a dose se repete e é excelente de se comprovar.

A revista pretende jogar o personagem no presente do Universo Marvel, e isso está sendo feito de uma forma bem interessante, de modo que ele logo passará por situações nada fáceis de lidar.

Nota: 8,9

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Weirdworld

Weirdworld é uma revista extremamente honesta no que se propõe a fazer. Ela irá contar a história de um mundo esquisitíssimo. E uma pessoa tentando sair de lá. Ponto.

É um título que se afasta quase por completo de todo o Universo Marvel que conhecemos, e por conta disso, ele funciona muito bem por si só. Sam Humphries, que é um roteirista que confesso não gostar muito, finalmente aparenta estar a vontade e criando algo realmente produtivo.

A arte de Mike Del Mundo, por outro lado, é fantástica. Psicodélica, surreal e que ajuda a criar ainda mais a profundidade do estranhamento, é algo digno de nota.

Nota: 9,4

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Scarlet Witch

Com um novo visual incrível feito por ninguém menos que o talentosíssimo Kevin Wada, a nova revista da Feiticeira Escarlate traz um frescor que a editora já tinha explorado em títulos como Visão, Karnak e o próprio Weirdworld. Ainda que tenha em letras garrafais o selo da Marvel, é uma revista que transborda conteúdo independente e autoral.

Escrita por James Robinson, aqui vemos uma Feiticeira Escarlate que não víamos desde a época da Cruzada das Crianças. Uma Wanda de raiz, relembrando seus dons arcanos e sua origem cigana, além de estar em contato com uma das maiores figuras místicas da Marvel: Agatha Harkness.

A arte da primeira edição - desenhada por Vanessa Del Rey, mas por artistas diferentes ao longo das próximas - pode ser incômoda para alguns. Particularmente, acho que casa perfeitamente com o tema proposto por essa história específica, e tira a "limpeza" da imagem, dando espaço a um traço mais sujo e intimista, até.

Nota: 9,9

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux