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Os 10 melhores quadrinhos de 2015!

Por Leo Gravena

A lista foi criada a partir de uma compilação de listas presentes na revista Vulture, na lista pessoal do io9 e nas revistas online, Mental FlossPopOptiq – obviamente, com um pouco de escolhas pessoais no meio.

Se a sua favorita ficou de fora, não esqueça de deixar nos comentários e, quem sabe, ela não aparece aqui ano que vem?

Confira também a lista do ano passado aqui!

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10 - Ômega Men

por Tom King e Barnaby Bagenda, DC Comics

Quando a DC anunciou os quadrinhos desse ano, uma prévia acabou se destacando no meio de todas as outras, ela mostrava o Lanterna Verde Kyle Rayner, em algo semelhante a um vídeo terrorista, sendo degolado pela equipe que dá nome ao título. Assim como tudo sobre a nova revista, a cena não era exatamente o que mostrava.

Ômega Men foi um reboot surpreendente da DC Comics com um grupo de heróis espaciais. Sim, pode soar como apenas uma cópia de Guardiões da Galáxia, mas a verdade é que Ômega Men se saiu muito melhor do que a equipe dos heróis galácticos da Marvel nos quadrinhos; tornando-se uma incrível história de fantasia no espaço com nuances de thriller político cheio de situações tensas que exploram o quão longe as pessoas podem ir quando lutam contra um governo autoritário, enquanto ainda conseguem nos fazer torcer por eles.

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9 - A Imbatível Garota-Esquilo

Por Ryan North e Erica Henderson, Marvel

Sim, tivemos títulos mais complexos, adultos e tudo o mais. Porém, um dos fatores mais importantes ao avaliar qualquer tipo de arte, seja nos filmes, séries, livros e quadrinhos é: Qual era a intenção do(s) autor(res) ao criar tal peça?

North é um aclamado roteirista de webcomics de comédia, Henderson é uma incrível cartunista; junte os dois e obviamente você não está planejando trazer a vida o próximo Watchmen, mas sim um quadrinho leve, divertido, confiante e descontraído. A imbatível Garota-Esquilo é tudo isso e muito mais.

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8 - Wytches

Por Scott Snyder e Jock, Image Comics

Snyder é declaradamente um fã de Stephen King e a influência do autor fica clara em Wytches. Na trama, temos um problemático escritor que luta para salvar sua família de uma ameaça clássica dos filmes de horror.

Contudo, Snyder foge do clichê e apresenta elementos clássicos - conspirações em uma cidade pequena, uma adolescente perturbada e cabeça-dura - de maneira diferente, principalmente com a forma grotesca e primal a qual ele reimagina o mito das bruxas.

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7 - A Multiversidade

Por Grant Morrison e diversos artistas, DC Comics

O quadrinho iniciou-se no meio do ano passado e foi encerrado no meio deste. Em 9 edições, Morrison conseguiu criar algo que jamais foi visto anteriormente nos quadrinhos... E possivelmente, em nenhum outro lugar.

Morrison desceu pela toca do coelho e atingiu um nível de complexidade único nas HQs. Na trama, somos levados as diversas realidades do universo DC enquanto um ser temível e niilista ameaça corromper sua fundação.

O projeto mostra diversas primeiras edições de quadrinhos interligados que não existem (ainda) com um artista diferente por edição - tirando a edição de abertura e a de encerramento, ambos com arte do incrível Ivan Reis.

Cada edição é única, cada edição é uma experiência que você, provavelmente, jamais terá novamente. Cada edição de A Multiversidade é um atestado da capacidade criativa e geniosa de Morrison, no que facilmente pode ser considerada uma grande carta de amor a DC Comics.

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6 - Meia-Noite

Por Steve Orlando e ACO, DC Comics

Novamente, a DC pega um personagem desconhecido, o retira do limbo editorial e o transforma em um dos mais incríveis, e fodões, personagens da editora no momento. É um sucesso animador: Toda edição é extremamente presunçosa, violenta, divertida, com um ritmo que a maioria dos quadrinhos mainstream mataria para conseguir fazer igual.

Além disso, é interessante notar que apesar de sua irritante tendência em colocar mulheres em roupas reveladoras, a maior parte dos quadrinhos de heróis fica “tímida” quando fala sobre sexualidade, jamais colocando cenas mais sensuais ou até mesmo de sexo. Meia-Noite é uma trama inteligente e satisfatória, que se recusa a se afastar da sexualidade do protagonista.

Além disso, é incrível ver uma das gigantes da indústria apostando forte em um quadrinho com um herói homossexual no título; enquanto isso, a Marvel “esconde” a bissexualidade de Loki e Hércules; e diversos heróis gays, como o Estrela Polar, estão em um limbo editorial...

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5 - Novos Vingadores/Vingadores

Por Jonathan Hickman e vários artistas, Marvel

Se o universo Marvel como conhecemos iria realmente acabar (no fim, não mudou muita coisa, mas estavam vendendo dessa maneira), que fosse após essas 77 incrivelmente densas e intrigantes edições. Hickman criou uma trama relativamente simples - para os quadrinhos: Realidades estão colidindo e apenas uma sobreviverá. Medidas extremas tem que ser tomadas, temos guerra, traição e diversas vezes somos levados ao extremo do que os maiores heróis do planeta fariam para garantir a existência do universo Marvel-616.

“Heróis” clássicos como o Homem de Ferro, Pantera Negra, Doutor Estranho, Sr. Fantástico e Namor lutam contra o desespero e inevitabilidade do fim. O desespero revela traços falhos de suas personalidades que dificilmente veríamos em outras histórias da Marvel. A trama épica é um exemplo perfeito de como a narrativa pode afetar drasticamente o psicológico de personagens bem estabelecidos.

Ao fim, não existem Heróis. Todos eles falharam. O cara mau venceu. Todo mundo é um cara mau. O Universo Marvel “morre” e Hickman conclui sua trama de maneira crua, feroz e violenta.

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4 - Batgirl

Por Cameron Stewart, Breden Fletcher e Babs Tarr, DC Comics

Provavelmente, não há um quadrinho mais importante ou influente que a DC fez esse ano do que Batgirl. Quando a nova equipe criativa de Fletcher, Stewart e Tarr passaram a escrever o título em 2014, sua abordagem leve e mais divertida ao título foi uma brisa de ar fresco em comparação aos títulos mais sombrios e brutais que a companhia vinha trazendo.

Direcionado ao público feminino para o qual as editoras nunca pareciam se importar, o título pareceu despertar uma iniciativa na DC de criar mais HQs semelhantes (como Canário Negro e Prez), o que acabou não agradando algumas pessoas.

O visuais mais cartunesco não é tão caricato quanto o da revista da Garota-Esquilo, porém se distancia bastante do que a DC fazia no passado e funcionou perfeitamente com a nova direção dada a personagem. Eles deram uma chance a Babs Tarr e agora ela está se tornando uma das mais influentes artistas desta nova geração.

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3 - Saga

Por Brian K. Vaughan e Fiona Staples, Image Comics

Vaughan e Staples são uma das duplas criativas mais aclamadas na indústria dos quadrinhos no momento, e o que fizeram com Saga (sua obra-prima) neste ano - mostrando de uma maneira incrivelmente real e emocionante a maneira que o relacionamento e Marko e Alana foi se deteriorando e ambos acabaram se afastando - apenas mostra que é sim possível fazer com que três anos após seu lançamento, um título continue tão empolgante e incrível quanto no começo.

Afinal, nove indicações ao prêmio Eisner (considerado o Oscar dos quadrinhos) nos últimos três anos, tendo vencido oito deles, não é para qualquer um.

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2 - The Wicked + The Divine

Por Kieron Gillen e Jamie McKelvie, Image Comics

No papel, The Wicked + The Divine é algo que simplesmente não funcionaria. Uma história sobre deuses de várias religiões que reencarnam como pop stars por dois anos a cada noventa anos parece não parece ser algo que oferece uma trama forte o suficiente para ser trabalhada em suas paginas. Parece apenas uma história pretensiosa demais para funcionar corretamente - e talvez, até mesmo seja; porém, até o momento, o título não foi nada mais do que um sucesso.

WicDiv ficou conhecida principalmente pela maneira que integrava roteiro e arte de maneira quase que homogênea, e no terceiro volume, simplesmente abandonaram completamente sua identidade visual; além de trazer incríveis histórias sobre como os fãs acreditam terem propriedade sobre as celebridades, misoginia e patriarquia.

Os criadores dizem que o título é sobre “fazer arte”, mas isso é apenas metade da história. The Wicked + The Divine também é sobre as coisas dolorosas e conturbadas que ocorrem ao redor da arte e como, caso não tenhamos cuidado, elas podem nos destruir.

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1 - Ms. Marvel

Por G. Willow Wilson e Adrian Alphona, Marvel

Em seu segundo ano, a Ms. Marvel concluiu o arco do Inventor, onde Kamala Khan e seus amigos “jovens e preguiçosos” não se tornaram baterias humanas e tivemos o inicio de um triangulo amoroso entre o vilão inumano Kamren, Kamala e seu amigo de longa data, Bruno. Nessa história, Kamala não trai seus amigos, família e crenças apenas para ter mais poder, além de ter seu coração quebrado.

Contudo, a série atinge seu ápice nas ultimas edições antes do relançamento, que mostram o heroísmo simples de Kamala diante da destruição do universo Marvel; além de termos, finalmente, o encontro entre Ms. Marvel e Capitã Marvel - Carol Danvers deu a Kamala suas bênçãos como uma super-heroína em uma história emocionante.

G. Willow Wilson captura todos os altos e baixos de ser adolescente em Ms. Marvel através das metáforas dos poderes transmorfos, Inumanos e até mesmo o apocalipse. Ela dá a Kamala Khan uma forte conexão com sua comunidade, o que é útil quando ela ajuda Jersey City enquanto os Vingadores lutam na ultima incursão e salvam Nova York.

Como parte da Novíssima e Diferente Marvel, Ms. Marvel ganhou um relançamento, porém continua tão incrível quanto antes, mostrando Kamala balanceando seu novo status como Vingadora, enquanto vai para a escola, patrulha Jersey City e lida com o fato de sua imagem ser usada sem sua permissão por uma companhia de gentrificação que está destruindo os negócios e casas de seus amigos para transforma-los em apartamentos e condomínios de luxo.

Isso mostra ainda mais como Wilson, Alphona e Takeshi Miyazawa possuem um claro objetivo de contar histórias divertidas, porém com relevância real para jovens e pessoas em todo o mundo. Principalmente no atual cenário político, é importante e empoderador ver uma jovem heroína muçulmana, de origem paquistanesa enfrentando grandes corporações, inumanos terroristas, supervilões e até mesmo o fim do mundo com um sorriso e um grande soco.

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Menções Honrosas:

Contudo, não foram apenas estar as melhores revistas de histórias em quadrinhos desse ano, também podemos citar:

  • Kaptara,

  • Bitch Planet,

  • Star Wars,

  • Darth Vader,

  • Thor,

  • Gavião Arqueiro,

  • Sex Criminals

  • e Morning Glories.

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Leo Gravena

Editor | Ele/Dele | @LeoGravena
Escrevo sobre cultura geek na internet desde 2012
"Don't look back -- the past is exactly where it belongs."