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[CRÍTICA] Uma Aventura LEGO 2 – Tudo é incrível!

Por Gus Fiaux

Após um tremendo sucesso nas críticas e na bilheteria, Uma Aventura LEGO está retornando aos cinemas com sua continuação. E entre pecinhas montáveis, música pop chiclete e personagens adoráveis, a franquia mostra como ainda tem espaço e como consegue fazer algo igualmente épico e divertido.

Nós já conferimos o longa e agora podemos contar para vocês o que achamos de Uma Aventura LEGO 2, já em cartaz nos cinemas!

Créditos: Warner Bros.

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Ficha Técnica

Título: Uma Aventura LEGO 2 (The Lego Movie 2: The Second Part)

Ano: 2019

Data de lançamento: 7 de fevereiro (Brasil)

Direção: Mike Mitchell

Duração: 106 minutos

Sinopse: Já se passaram cinco anos desde que tudo era incrível, e agora os cidadãos enfrentam uma nova ameaça enorme: Invasores LEGO do espaço sideral, destruindo tudo mais rápido do que eles podem reconstruir.

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Uma Aventura LEGO 2 - Tudo é incrível!

Há alguns anos, quando Uma Aventura LEGO foi anunciado, as pessoas entraram em pânico, com um discurso de que "Hollywood está apelando para qualquer franquia para fazer dinheiro, e não traz mais criatividade alguma". Se isso é verdade ou não, é mérito para outro texto. Mas uma coisa não podemos negar: *Uma Aventura LEGO foi um baita filme criativo**.

Claro que o interesse por uma continuação estava ali presente. No meio-tempo, tivemos alguns "spin-offs", como o LEGO Batman: O Filme e LEGO Ninjago. Mas agora, Emmet, Lucy e várias outras figuras adoradas estão de volta. Mas será que o novo filme consegue reter a magia do original ou é só mais um caça-níquel disfarçado de sequência?

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A trama de Uma Aventura LEGO 2 começa exatamente onde o primeiro filme acabou: depois que o pai de Finn passa a deixar a irmã do garoto brincar com sua maquete de LEGO, a cidade onde vivem os heróis montáveis acaba sendo invadida por criaturas espaciais fofas, mas que não perdem tempo em destruir tudo que veem pela frente.

A partir daí, o que antes era um paraíso onde "tudo era incrível" se torna um cenário pós-apocalíptico. Heróis tentam atacar o inimigo, mas nunca retornam - como a Liga da Justiça -, e agora todos vivem à mercê do medo e do caos. Menos Emmet, obviamente. E então, tudo muda com uma emissária que quer levar cinco líderes para a Rainha Tudo-Que-Você-Quer-Ser.

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Emmet, considerado um bobão, fica para trás, enquanto Mega Estilo, Batman, Uni-Gata, Barba de Metal e o Astronauta são raptados e levados a outro sistema, onde descobrem que a Rainha tem planos para um certo... casamento real. E enquanto se preparam para a cerimônia, eles são enxurrados com música pop chiclete e muito glitter.

Já Emmet parte em sua própria missão de resgate, encontrando um novo herói: o solitário Rex, que comanda seu próprio exército de dinossauros e vai ajudar o jovem boneco de LEGO a resgatar seus amigos. Temos aqui o mote principal da aventura - que acaba se desenrolando com várias reviravoltas e surpresas escondidas.

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Muitas continuações, sobretudo de comédias ou filmes animados, tem a grande mania de repetir todos os elementos consagrados do primeiro longa, criando um filme que sobrevive à base da pura repetição. Uma Aventura LEGO 2 certamente faz isso - mas de um modo subversivo, quase ironizando o primeiro longa.

O melhor exemplo disso está na próprio música-tema. Se o primeiro filme nos presenteou com a adoravelmente irritante "Everything is Awesome", que tinha grande importância dentro do contexto da história, o segundo vai um pouco mais além na piração: também há outra música pop importante para a trama, que se chama "Catchy Song" - ou, literalmente, música chiclete.

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Mais do que isso, o filme já é inserido em um contexto onde sua própria história é feita para brincar com tudo o que deixa o primeiro filme tão gracioso. Às vezes, ele beira a auto-paródia, mas sem deixar de conquistar o público com seus personagens. E nesse sentido, quem rouba a cena é Lucy (ou Mega Estilo, se preferir).

Aqui, a heroína tem muito mais para fazer, e acompanhar seu arco dramático é incrível, especialmente porque ele traz consequências importantes para a história de Emmet. O protagonista continua bem divertido, e no segundo filme ele fica ainda mais engraçado por tentar se tornar um cara durão e seguro de si, com a ajuda de Rex.

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O que torna o filme mais interessante que o primeiro é justamente a dimensão do que está acontecendo no "lado humano" da coisa. Se no original, a revelação de que tudo não passava de uma brincadeira de uma criança acaba sendo um plot twist, em Uma Aventura LEGO 2, isso está presente desde o início do longa.

Assim, a história dos bonecos acaba soando quase meta-referencial, cheia de detalhes que são percebidos quando pensamos no que está acontecendo do lado de fora da trama, com Finn e sua irmãzinha, Bianca. E é justamente isso que consegue balancear tão bem o humor ao drama do longa, tornando-o igualmente engraçado e emocionante.

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Um exemplo perfeito disso é o terceiro ato, onde vemos algumas coisas bem tristes e emocionantes acontecendo com os personagens - e uma delas inclusive remete à trilogia Toy Story -, enquanto a dimensão humana é quase cômica, mesmo trazendo a "explicação" do que acontece com os brinquedinhos.

Visualmente falando, o longa continua espetacular. As técnicas de animação utilizadas para criar o 3D dos LEGOs estão ainda mais afiadas em relação ao primeiro filme. Por outro lado, há sequências - como no espaço - em que o cenário fica nitidamente borrado e mal-renderizado. Embora a intenção seja dar foco ao que está em primeiro plano, isso acaba incomodando.

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Ainda assim, Uma Aventura LEGO 2 já abre bem o ano para as animações. É um filme divertido, engraçado e cheio de vida. Seus personagens agora enfrentam novas situações e precisam lidar com lições que, ao mesmo tempo, são joviais e maduras. E isso por si só já vale o ingresso: lembrar que, mesmo através do lúdico, todos nós podemos aprender.

Em uma nota de rodapé, vale afirmar que a dublagem do filme para português é digna de aplausos. O estúdio não apenas conseguiu elaborar bem alguns trocadilhos com nomes de personagens e lugares, como também há um grande processo de adaptação, desde piadas específicas até às músicas do filme - que, diga-se de passagem, são ótimas.

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Com a força motriz de Phil Lord e Chris Miller - os diretores do filme original - no roteiro, Uma Aventura LEGO 2 pode até não ser tão original quanto o primeiro longa. Ainda assim, ele compensa pelo senso de aventura, pelo desenvolvimento de seus personagens e por uma trama um pouco mais complexa, que não cansa de surpreender.

Seja acompanhando Emmet e Mega Estilo, ou dando as boas-vindas a novos personagens como Rex e a Rainha, o filme nunca passa a impressão de ser um comercial-de-duas-horas-da-LEGO. Em vez disso, ele traz muita energia, criatividade e emoção. Hollywood pode depender de franquias para funcionar, mas não significa que elas não podem render frutos incríveis.

NOTA: 4,5/5

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux