[Crítica] Rage 2 – O Deserto das boas intenções!

Capa da Publicação

[Crítica] Rage 2 – O Deserto das boas intenções!

Por Lucas Rafael

Em parceria com a Avalanche Studios, a ID Software (desenvolvedora conhecida por Doom) lançou Rage 2, um jogo de tiro em primeira-pessoa ambientado num amplo mapa-aberto pós-apocalíptico. Será vale a pena explorá-lo? Confira nossa análise!

O jogo foi testado em um Playstation 4.

Imagem de capa do item

Ficha Técnica

Nome: Rage 2

Plataformas: PS4, XOne, PC

Gênero: Tiro em primeira-pessoa

Quantidade de jogadores: 1

Estúdio: ID Software, Avalanche Studios

Publicadora: Bethesda

Data de lançamento: 14.05.2019

Imagem de capa do item

O mercado AAA de jogos de tiro é dominado por títulos que conhecemos bem, cada qual com suas particularidades e trejeitos específicos. Sabemos o que esperar de jogos como Call of Duty, Doom, Battlefield e Far Cry. Cada um deles ostenta um sabor muito único. Um chamariz.

Nessa grande fila do pão dos jogos de tiro em primeira pessoa, quem exatamente é Rage 2?

Imagem de capa do item

Rage 2 não possui nenhuma particularidade lá muito chamativa, além de uma jogabilidade cinética e bem polida (o que deveria ser o padrão para todo first person shooter que se preze).

O jogo basicamente pede que você explore um mapa-aberto considerável, repleto de inimigos e atividades que devem ser cumpridas para obtenção e melhorias de itens. O problema é que isso nunca é lá muito interessante.

Imagem de capa do item

Existe (ao menos para este que vos escreve) uma certa fadiga relacionada ao pós-apocalipse maluquinho a lá Mad Max que muitos jogos tem tentado encapsular recentemente e que é justamente o alvo no qual a ambientação de Rage 2 está mirando.

O tema anda meio batido e, Rage 2 parece que se apropriou da ideia um pouco tarde demais, sendo que o pós-apocalipse do primeiro título da franquia já sofria um pouquinho dessa síndrome de não-originalidade.

O mundo-aberto aqui é insosso, com algumas tarefas repetitivas a serem realizadas paralelamente aos objetivos principais (que, pra variar, se parecem um tanto demais com as missões secundárias).

O controle da direção do carro que você usa para navegar o grande deserto é bem alucinado com uma física meio esquisita. Dá pra tirar uns rachas, desbloquear veículos novos e aprimorar armas veiculares também.

Imagem de capa do item

O seu personagem é chamado(a) (você pode escolher o sexo do boneco na tela de início) Walker. Você faz parte de um grupo resistente à Autoridade, uma galera que como o próprio nome da organização deles indica, é bem autoritária. O que nunca é bom, pois queremos livre-arbítrio, certo?

Lutando contra a autoridade, você sai por aí enfrentando comboios, tomando arcas (que dispõem de armas ou melhorias para a armadura de seu personagem), liberando postos e derrotando chefes.

Imagem de capa do item

Rage 2 entende que sua história não é lá muita coisa, então ela vira uma auto-paródia esquisita e logo, o jogo não parece botar muita fé na própria narrativa. Um vilão fascistoide genérico, todo chefe sendo quase a mesma coisa; mutantes deformados do mal com algum nome e adereços engraçadinhos.

Existe uma trama manjada de vingança e resistência, mas nada com peso o suficiente pra fazer com que você se importe.

Imagem de capa do item

A falta de um desenvolvimento de mundo decente faz com que eu não ligue muito pro mapa-aberto de Rage 2, que é povoado por personagens cuja escrita tenta muito forte fazer com que sejam idiossincráticos, tornando todo aquele humor de habitante maluco/estoico ao relento de um pós-apocalipse insano um pouco batido.

E isso quer dizer que Rage 2 é ruim? Não, é um jogo tecnicamente bem polido, salvo umas quedas de frames ocasionais. A grande graça-salvadora aqui é a jogabilidade e todas as possibilidades que ela abarca.

Imagem de capa do item

Grande parte de Rage 2 consiste em você desbloquear e aprimorar novos poderes para a armadura de seu personagem. Essa miríade de habilidades, quando você as explora em combate, torna o ato de desferir tiros em mutantes e soldados da Autoridade pontualmente bem prazerosa. Vai da sua criatividade a melhor maneira de aliar seus poderes com o tiroteio.

Imagem de capa do item

A movimentação, o recuo e impacto das armas, seus golpes especiais como o Overdrive que transforma o jogo numa discoteca do mais puro batidão-tecno da morte; tudo isso é muito bacana e fica estritamente dosado às partes combativas.

Se você procura um First Person Shooter que possa ser descrito pelo adjetivo “bacana”, é fácil recomendar Rage 2.

Imagem de capa do item

Nota

Rage 2 é um jogo eficiente que não se preocupa muito em reinventar a roda. Pelo contrário, ele se apropria dela absorvendo elementos de diversos outros jogos, falhando em deter uma voz única no saturado mercado dos Jogos de Tiro em Primeira Pessoa.

Ele possui um mapa-aberto que nunca justifica a si próprio, com missões repetitivas e alicerçado sob uma construção de mundo pobre demais para evocar algum interesse genuíno.

A jogabilidade da ação é o grande chamativo aqui, que fica ainda melhor se você for criativo o suficiente na hora do tiroteio. Ainda assim, não é o bastante para redimir o título, que mais parece perdido, caminhando a esmo e sem rumo bem definido num deserto de boas intenções que ficam só na intenção mesmo, o que rende pra Rage 2 a nota de dois-As-anárquicos-e-meio de cinco.