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[CRÍTICA] Punho de Ferro: 2ª Temporada – Trilhando o caminho do Dragão!

Por Gus Fiaux

Punho de Ferro parecia uma causa perdida quando a série chegou à Netflix no ano passado. A primeira temporada foi alvo de tantas críticas e comentários negativos, de forma que um segundo ano estava quase fora de cogitação para os fãs. No entanto, a série finalmente retornou na Netflix, com um novo produtor e uma equipe técnica diferente… E valeu a pena ter esperado!

Créditos: Netflix

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Punho de Ferro - Trilhando o caminho do Dragão!

De todas as séries do núcleo dos Defensores, nenhuma outra trouxe tanta desconfiança para os fãs do Universo Cinematográfico da Marvel quanto Punho de Ferro. Produzido às pressas e sem grande planejamento, o primeiro ano da série é tido até hoje como uma das piores parcerias entre a Marvel e a Netflix.

No entanto, o estúdio nunca concebeu a ideia de se livrar da Arma Imortal de K'un-Lun, de forma que ele já retornou à ativa em Defensores e no segundo ano de Luke Cage. Agora, Danny Rand tem uma segunda chance de se provar nessa franquia - e aqui, finalmente vemos um herói próximo àquele que queremos desde o início.

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A segunda temporada da série não possui uma trama muito visível ou "fixa". Em vez disso, as situações se desenrolam e acabam transformando-se em uma história maior - o que pode ser um ponto negativo para alguns, já que muitas vezes, parece que ainda não há firmeza sobre qual narrativa precisa ser contada em primeiro plano.

Mas, para compensar por isso, a série finalmente soube corrigir um dos problemas mais fundamentais de seu ano de estreia: os personagens. Agora, temos figuras com as quais nós realmente conseguimos nos importar, que soam humanas o bastante, e não apenas pessoas melodramáticas além do necessário com vidas desinteressantes.

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Finn Jones melhorou consideravelmente em sua interpretação de Danny Rand, o Punho de Ferro. O astro agora está bem mais confortável no papel, e torna isso visível ao trazer mais naturalidade e leveza aos seus diálogos. Contudo, não há como negar que o destaque da temporada é Colleen Wing, vivida por Jessica Henwick.

A personagem assume o protagonismo ao lado de Danny, e o resultado é incrível - uma vez que ela possui grande potencial e um carisma inabalável. Vê-la ao lado de Misty Knight é um alento carinhoso para os fãs, que finalmente podem imaginar com mais detalhes como seria a reunião das Filhas do Dragão.

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O restante do elenco está bem à altura, novamente. Jessica Stroup surpreende ao retornar ao papel de Joy Meachum, trazendo mais fragilidade e vulnerabilidade à personagem. O mesmo pode ser dito sobre Ward, o personagem de Tom Pelphrey. Embora seu arco pareça desinteressante, a princípio, logo se torna um dos pontos altos da temporada.

No que diz respeito à vilania, temos Sacha Dhawan retornando como Davos, o Serpente de Aço. Como antagonista, ele é bem competente e consegue de fato trazer uma ameaça significativa. Infelizmente, o maior pecado está no visual, já que ele não é imponente o bastante e sua presença física também não se destaca. Suas roupas o fazem parecer um capanga qualquer.

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No entanto, quem realmente merece ser aplaudida de pé é Alice Eve, que interpreta a famosa vilã dos quadrinhos Mary Tifoide. A atuação de Eve pode parecer um pouco estranha de início, mas logo percebemos as diversas camadas sob as quais a atriz enterrou a verdadeira essência de sua personagem. Ao fim dos dez episódios, só podemos esperar por um retorno breve da vilã.

Mary demonstra de forma bem clara o grande tema que circunda todos os personagens da temporada: o trauma. Aqui, vemos cada uma das figuras mencionadas anteriormente tendo que lidar com algum problema grave do passado - e isso serve para compor personagens bem interessantes, ao mesmo tempo que serve de metáfora para o "trauma" dos fãs à primeira temporada.

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A maneira de lidar com esse "trauma" é que é bem interessante. Basicamente, a série faz de tudo para "re-apresentar" seus personagens. Isso não significa que a primeira temporada é descartada - na verdade, ela tem uma grande importância. Mas a ideia aqui é criar algo diferente, que não se aproxime muito da catástrofe lançada no ano passado.

Nesse sentido, a melhor decisão foi remover Scott Buck - considerado por muitos como a pior coisa que já aconteceu ao Universo Cinematográfico da Marvel - e trazer Raven Metzner, que ao menos parece ter uma noção básica de personagens e do que o público gostaria de ver nas telas - pois ao menos parte disso é muito bem-entregue.

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As cenas de ação são um ponto altíssimo. Aqui, vemos coreografias muito mais intensas e com uma direção bem mais afiada. O trabalho dos atores é bem visível, e dessa vez, são pouquíssimos os momentos onde as batalhas não parecem reais. Destaco a luta do nono episódio, em que Colleen Wing enfrenta quase dez pessoas sozinha - provavelmente a melhor cena de ação da série até agora.

No entanto, ainda há o problema dos efeitos visuais. A série parece realmente não ter o menor investimento nesse sentido. As cenas em que Danny Rand usa seu Punho de Ferro são grotescas, e muitas delas tentam desviar o foco para outro lugar, apenas para não mostrar totalmente a falta de recursos necessários para compor um elemento tão simples.

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Aliás, o visual continua sendo o maior problema da série. Quando colocada ao lado de Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage, vemos que Punho de Ferro não possui uma personalidade. Tanto em visual estético quanto em sua própria direção de arte, a série é genérica, pouco interessante e sem nenhum elemento chamativo.

Até mesmo as cenas em K'un-Lun - que são pouquíssimas, vale pontuar - não chamam atenção alguma. Para uma cidade mística perdida pelo tempo, o local parece apenas um centro de reuniões exótico. Pesa mais ainda ver que não há o menor esforço de tentar trazer elementos clássicos, como o traje heroico ou até mesmo inimigos mais "mirabolantes".

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Ainda assim, a melhora da segunda temporada de Punho de Ferro é, de fato, significativa. Por mais que a história e a estética não se destaquem, a simples mudança de direção em relação aos personagens é impressionante, e faz parecer que temos aqui uma série totalmente diferente do primeiro ano, com mais vida e menos drama.

Além disso, por mais que menospreze elementos clássicos das HQs, a série se mostra apta a desenvolver ainda mais a mitologia do Punho de Ferro - e o episódio final nos oferece um gostinho disso, com menção direta a um nome que vai fazer os fãs perderem a cabeça. Mais do que isso, temos aqui uma preparação de terreno excelente para um futuro brilhante.

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Em poucas palavras, Punho de Ferro ressurgiu como uma fênix - ou, neste caso, um dragão. Munida de figuras bem mais interessantes e coroada pelas performances de Jessica Henwick e Alice Eve, agora temos uma série que sabe valorizar seus personagens e que não segura a mão na hora da ação.

Ainda há um evidente espaço para melhora. Mas agora, nós finalmente temos - de fato - uma "temporada de estreia", que nos traz Danny Rand da forma que gostaríamos de ver. Claro que ainda há um bom caminho a ser trilhado pela Arma Imortal de K'un-Lun. Mas o futuro é promissor, e a série finalmente escolheu seu destino.

NOTA: 3,5/5

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux