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[CRÍTICA] Perdidos no Espaço: 1ª Temporada – Uma odisseia no espaço

Por Felipe Vinha

Perdidos no Espaço chegou “como quem não quer nada” na Netflix. Com pouco alarde, o remake da série original, que é da década de 60, serviu para apresentar a já clássica Família Robinson a uma nova geração de espectadores.

Sua missão principal: atualizar todos os conceitos utilizados no antigo seriado e ainda se manter fiel à premissa de ser um produto legítimo de ficção científica familiar. Tudo colabora para isso: roteiro, fotografia, elenco.

Saiba mais em nossa crítica da temporada completa, a seguir, sem spoilers!

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Perdidos no Espaço começa de maneira bem diferente da série original. Em vez de já apresentar os Robinson em outra galáxia, sem saber para onde ir, voltamos bastante no tempo e vemos a origem da viagem, bem como seus primeiros momentos.

A bordo da Jupiter 2, na estação espacial Resolute, vamos Judy, Penny, Will, Maureen e John Robinson jogar cartas, prestes a sofrer um grave problema, ocorrido por motivos desconhecidos.

A partir daí eles são lançados a um planeta, onde precisam aprender a sobreviver e lidar com outros problemas que surgem pelo caminho, enquanto não retornam à Resolute.

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Como já citamos em nossa análise dos episódios iniciais, os Robinson desta versão não são mais os mesmos. Eles não seguem aquele conceito de “Família Margarina”, onde cada um tem seu papel bem definido, onde Penny só serve para sonhar por um namorado, onde Maureen não mete a mão na massa e onde John é o único líder.

É claro que o Perdidos no Espaço original era um produto de sua época, onde esses papeis eram bem definidos dentro das famílias. Felizmente, o mundo real mudou e o seriado reflete isso. Todos os personagens possuem importância igual entre si, mesmo o pequeno Will, que ainda é uma criança de 11 anos, mas age como um adulto na maioria das situações de perigo.

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O elenco ajuda na formação da personalidade de cada um. O Will Robinson de Maxwell Jenkins é ótimo e não te faz querer esganá-lo, como era a versão do filme da década de 90. As meninas da família também estão incríveis. Mina Sundwall tem 16 anos na vida real e, de fato, faz uma Penny Robinson adolescente, sem pender para os clichês. O grande destaque fica por conta de Taylor Russell como Judy Robinson, a filha mais velha de Maureen, vinda de um outro casamento.

Judy é médica e tem certeza de como agir em diversas situações, apesar de ter passado por um trauma logo que a aventura começa. Mais tarde temos as adições de outros membros clássicos ao elenco, como Don West (Ignacio Serricchio) e Dra. Smith (Parker Posey), e é justamente sobre ela que queremos falar.

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Sim, você deve ter reparado, mas o Dr. Smith aqui trocou de gênero. Há uma boa explicação para isso ao longo da saga, na verdade detalhada ainda em seu início, mas foi uma boa pedida para quem queria realmente tentar algo novo.

Parker Posey faz um excelente trabalho no papel de Smith. Ela consegue te apresentar uma personagem verdadeiramente odiosa, como um vilão clássico, daqueles que você não nutre simpatia alguma, e começa a reclamar assim que ela aparece em cena.

Não por ser uma atriz ruim ou ter interpretação fraca – nada disso. Ela faz o que deve ser feito, chega nas cenas “na pontinha do pé”, como uma vilã de desenho animado da Hanna Barbera. É incrível o trabalho que ela fez e é uma das personagens que mais cresce com o tempo.

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Outra boa mudança feita nesta nova versão foi com o Robô. Também considerado um membro da Família Robinson, agora ele não vai na viagem desde a base, mas sim é encontrado durante a jornada.

Tudo por conta de sua nova origem: como explicado em sinopses e entrevista, o Robô é alienígena, e não criação humana. De fato, isso ajuda para o conceito de sci-fi da série: colocando os personagens em um contexto “pé no chão”, sem avançar muito no futuro e ainda permitindo que o fantástico faça parte da história.

E, sim, o Robô participa de algumas das melhores cenas do programa, ao longo da temporada.

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Como também revelado anteriormente, esta nova versão de Perdidos no Espaço conta com outros personagens ao longo de sua história. Por qual motivo eles estão ali? Isso você vai ter que assistir para descobrir, mas tudo faz muito sentido.

A história não fica forçada e, chegando em sua conclusão, ela justifica de maneira incrível algo que os fãs esperavam ao longo de todos os episódios. O roteiro ajuda bastante na hora de criar esse mundo e seus participantes.

Ainda quem uma ou outra figura no elenco esteja ali apenas para forçar um drama desnecessário.

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E os efeitos especiais, hein?

Tudo está em altíssimo nível, em termos visuais. Deu para ver que a Netflix gastou bastante com o seriado – o que, de certa forma, preocupa, já que seu futuro pode ser incerto, graças ao investimento.

Ainda assim, você não sente estranheza em nenhum momento. Mesmo o Robô, que é uma mescla de animatrônico com computação gráfica, se sai bem na tela e fica tudo muito natural. As cenas espaciais e as que envolvem outros tipos de criaturas também estão ótimas.

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A fotografia é outro ponto alto. Como a primeira temporada se passa praticamente toda em um ambiente alienígena, ela vem acompanhada de locais que não são comumente vistos na Terra.

Pastos com flores de cores bem diferentes, uma neve violenta que cai sem perdão, uma floresta tropical com detalhes únicos, entre outros ambientes que variam bem nesta primeira leva de capítulos.

Novamente, a produção se esforçou, não apenas em nível financeiro, mas também em termos técnicos.

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Na conclusão da temporada, temos um resultado bem satisfatório, apesar de deixar um gancho enorme para a continuação. Porém, se você parar para pensar, ela funciona igualmente como uma conclusão em definitivo, caso a série não continue a seguir.

Contudo, ao longo da jornada, temos detalhes que podem incomodar bem de leve. O seriado é extremamente lento. Sua narrativa segue o estilo de “problema da semana”, ainda que uma história maior seja contada, sempre.

O ritmo lento prejudica o ânimo de quem está assistindo em continuar vendo. Uma quebra de ritmo ocorre em maior quantidade do que deveria e esse é o maior inimigo do novo Perdidos no Espaço.

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Perdidos no Espaço da Netflix é uma odisseia inesquecível ao desconhecido.

Para quem gosta de ficção científica, é uma ótima oportunidade de ver uma boa produção neste sentido. A Família Robinson retornou com um formato incrível e os fãs da série clássica também vão pescar uma referência aqui ou ali.

A narrativa tem pequenos problemas conforme os capítulos avançam, mas o resultado final é muito satisfatório. Torcemos por uma segunda temporada, o quanto antes.

Nota: 4 de 5

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Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha