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[CRÍTICA] O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos – Falta alma nesse conto de fadas!

Por Guilherme Souza

No próximo dia 1º de novembro, chega aos cinemas mais uma adaptação do clássico balé de Tchaikovsky, O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, que promete redefinir o que conhecíamos e nos dar uma nova abordagem de personagens clássicos, contudo, será que essa nova adaptação conseguiu cumprir seu papel de inovar e de dar uma sobrevida ao clássico?

Descubra em nossa crítica SEM SPOILERS.

Créditos: Walt Disney Motion Pictures

Ficha Técnica

Título: O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

Ano: 2018

Lançamento: 1 de novembro de 2018 (Brasil)

Direção: Lasse Hallström e Joe Johnston

Duração: 1h40min

Sinopse: Clara, uma jovem esperta e independente, perde a única chave mágica capaz de abrir um presente de valor incalculável dado por seu padrinho. Ela decide então iniciar uma jornada de resgate que a leva pelo Reino dos Doces, o Reino das Neves, o Reino das Flores e o sinistro Quarto Reino.

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Em O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, acompanhamos a história de Clara, uma garota astuta que tenta superar a perda de sua mãe enquanto lida com a dor de seu pai, que está lutando para conseguir criar os três filhos sozinhos.

Embora o longa adote uma dinâmica narrativa inicial ao do conto clássico, logo de cara conseguimos notar algumas diferenças, principalmente na personalidade de Clara, que mostra que tem muito mais atitude e opinião do que a versão original, seguindo uma linha similar ao de adaptações recentes da Disney, tais como Alice no País das Maravilhas e Malévola.

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Depois de tantos anos de sua invenção e adaptações, praticamente todo mundo conhece os conceitos básicos de “O Quebra-Nozes”, onde Clara acaba entrando em um mundo paralelo onde seus brinquedos ganham vida e estão em guerra com os ratos.

A nova adaptação da Disney ainda segue essa premissa básica, porém como dito anteriormente, vemos algumas mudanças pontuais que buscam dar uma nova roupagem para a trama. A principal diferença, como esperado pelo título do longa, é dar um pouco mais de destaque para os quatro reinos mágicos (Flores, Diversão, Doces e Neve). Infelizmente, essa abordagem maior dos reinos acaba sendo feita de forma muito rasa e previsível.

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Apesar da produção ser claramente destinada às crianças, ela deixa a sensação de estar subestimando até mesmo a inteligência de seu público-alvo, na verdade, ela parece mais uma trama requentada de outras produções recentes da Disney, se parecendo extremamente com filmes como Oz: Mágico e Poderoso, Alice no País da Maravilhas e por aí vai.

As similaridades são tanto em termos narrativos quanto estéticos, já que parece que a Disney resolveu adotar um padrão para esses contos de fada em live-action que não são remakes de suas adaptações antigas, fazendo com que eles percam um pouco de sua identidade própria e acabem se tornando uma mistura pasteurizada e linear.

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Mesmo com essa tentativa de se reinventar e inovar, o longa ainda conta com breves momentos que remetem à origem da história, o balé. Curiosamente, esses são alguns dos momentos mais atrativos e poéticos, que remetem à obra original e mostram o quanto a trama poderia ser melhor trabalhada se fosse uma modernização do balé ao invés de uma recriação ambiciosa com cenários digitais e tudo o que acompanha as grandes produções hollywoodianas.

Por falar nos cenários, a equipe de produção fez um bom trabalho em construí-los, porém eles acabam ficando artificiais e pouco-críveis quando aplicados na trama, o que mostra mais uma vez que efeitos práticos e mais simples talvez fossem uma solução melhor.

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Por mais que a equipe tente dar um pouco de substância para os figurinos, mais uma vez, temos a sensação de uma colcha de retalhos formada por influências de outras produções, o que acaba tirando um pouco do impacto que eles queriam causar (ou talvez não quisessem causar nenhum impacto e só selecionaram figurinos que se encaixavam na trama, ao esmo).

No fim das contas, temos uma mistura bizarra entre cenários e figurinos espalhafatosos, que acabam brigando entre si pela atenção do espectador. Tudo isso, aliado à uma computação gráfica sofrível, que deixa tudo ainda mais artificial.

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Para quem é fã da obra original, o maior problema de O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos talvez seja sua trilha sonora. A trilha do balé é memorável e transcende geração, contudo, a adaptação da Disney não é um musical, o que torna compreensível o fato de não vermos sequências inteiras sonorizadas, porém isso não parece correto. Embora a produção use trechos da trilha original, por muitas vezes sentimos falta de um espaço maior para elas, que permita que elas se façam presentes da maneira correta.

Por mais que muitos quesitos técnicos do longa não sejam um primor, devemos elogiar a equipe de fotografia, que soube dosar bem a iluminação e as paletas de cores, bem como os enquadramentos, que atenderam bem à proposta da trama.

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Outro problema gritante da produção é o mau-uso de seu elenco impecável. Contando com nomes como Mackenzie Foy, uma jovem estrela em ascenção, Morgan Freeman, Helen Mirren e Keira Knightley, o longa acaba explorando de forma risível o talento dos atores e faz com que eles entreguem performances desconcertantes.

Knightley, intérprete da Princesa de Açúcar, é a que mais se destaca negativamente, falhando ao tentar passar a doçura exacerbada de sua personagem e entregando uma personagem irritante e nada convincente. Quanto aos demais, Foy faz o possível para segurar a trama e ela até se sai bem no papel, mas o roteiro fraco claramente não a favorece.

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Fica difícil defender a produção com um roteiro que não a favorece em nada, tanto na história quanto nos personagens.

A trama é tão previsível que logo no primeiro ato você já consegue identificar tudo o que vai acontecer, além de contar com piadas extremamente forçadas e clichês, nos quais até mesmo as crianças sentirão dificuldades em achar alguma graça. Isso afasta logo de cara qualquer identificação que tente ser criada com os personagens. A sensação é de que estamos vendo um remake do mesmo filme sendo lançado anualmente.

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O conjunto da obra acaba sendo bem medíocre e falhando em vários aspectos na tentativa de nos mostrar uma nova abordagem para a obra original. Em suma, temos uma produção pobre e repetitiva, que não consegue captar a essência do material original e tão pouco se sustentar como algo inovador.

Por mais que seja uma pena ver um nome de tanta força sendo mal-adaptado para as telonas, mais preocupante ainda é ver a Disney patinando em conseguir emplacar essas adaptações clássicas. Se pararmos para pensar, tanto Oz: Mágico e Poderoso, Alice no País das Maravilhas e o recente Uma Dobra no Tempo não foram boas adaptações e acabaram sofrendo com problemas similares.

Quanto tempo mais irá demorar para que a Disney identifique e corrija esses problemas? Além disso, quantas obras clássicas precisarão passar por essa onda de adaptações ruins?

NOTA: 2/5

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Guilherme Souza

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