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[CRÍTICA] A Noite do Jogo – Diversão nada familiar

Por Felipe Vinha

Imagine juntar alguns bons atores de Hollywood em um filme tecnicamente barato e com a premissa de ser uma diversão que não te tome muito tempo e nem torre muito seus neurônios. Essa é mais ou menos a ideia de A Noite do Jogo, um longa “vendido” como uma história sobre amigos que jogam jogos de tabuleiro toda semana, mas que, na verdade, escala para algo muito mais elaborado e “aventuresco”, por assim dizer.

Passeando entre a comédia e alguns momentos de ação, A Noite do Jogo é exatamente isso. Ele não tenta dar um significado extra às suas pretensões, ainda que isso seja também seu maior erro. Leia a crítica completa e entenda melhor.

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Ficha Técnica

Título: A Noite do Jogo

Ano: 2018

Lançamento: 10 de maio de 2018 (Brasil)

Direção: John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein

Duração: 100 Minutos

Sinopse: Max e Annie participam de um grupo de casais que organizam noites de jogos. Quando o irmão de de Max, Brooks, chega, ele decide organizar uma festa de assassinato e mistério. Quando Brooks é sequestrado, eles acreditam que tudo faz parte da misteriosa brincadeira. Os seis amigos competitivos precisam resolver o caso para vencer o jogo, cujo rumo vai se tornando cada vez mais inesperado.

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Como sempre, analisar um filme despretensioso e sem qualquer ligação com grandes franquias, em épocas onde o cinema está lotado de blockbusters, não é a tarefa mais grata. Você ainda tem que olhar para estes longas com olhos críticos, mas sem cair na tentação de compará-los com outros sucessos do momento.

E, para o que se propõe, A Noite do Jogo faz até muito bem. É um filme que sabe o que está fazendo, mas que tem alguns inimigos internos, como por exemplo a esquizofrenia de seu enredo: foi “vendido” como suspense, passou por comédia e tem inúmeras pitadas de filme de ação.

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Talvez isso seja explicado pelos diretores, John Francis Daley e Jonathan Goldstein, especialistas em fazer comédias e “filmes família”, ainda que A Noite do Jogo fuja um pouco deste gênero – vou explicar isso, mais adiante.

O roteiro é de Mark Perez, que tem carreira de escritor em filmes como Herbie: Meu Fusca Turbinado e As Aventuras de Frank McKlusky. É possível ver algumas semelhanças no gênero de comédia leve, mas aqui a saga pende mais para o lado adulto.

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A Noite do Jogo tem aquele estilão de “comédia absurda”, que era muito comum nos anos 90. Max (Jason Bateman) e Annie (Rachel McAdams) são pessoas normais e críveis, mas passam por muitas situações forçadas para ajudar a te fazer rir.

O elenco de apoio está ali apenas para gerar piadas que se repetem ao longo do filme inteiro, e isso é bem ruim. Apenas os protagonistas são desenvolvidos – nem tanto assim –, enquanto os coadjuvantes figuram como meros objetos.

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Em determinado momento você até vê os outros personagens em ações que podem sinalizar alguma importância na história, mas ela é rodeada de uma piada que já foi repetida pelo menos cinco vezes no filme, só para reforçar o quanto aquele personagem é engraçado.

Só que… Isso cansa.

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Mas tudo bem. A Noite do Jogo se assume como uma comédia adulta, e nada familiar – ou seja, tire as crianças da sala, antes de começar a assistir (ou não vá com elas ao cinema… Bem, você entendeu, espero).

Há algumas piadas de cunho sexual e, por mais que pessoas mais jovens estejam cada vez mais precoces, há situações que só adultos podem entender melhor, e dar risada a respeito. O relacionamento do casal principal é alvo de alguns dos principais momentos de riso, e também de lições interessantes.

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Em termos de elenco, além de McAdams e Bateman, se destacam ainda o excelente Jesse Plemons, que faz um policial extremamente bitolado e lunático. A feição do ator ajuda – o vimos no primeiro episódio da recente temporada de Black Mirror, USS Callister, lembra?

Jeffrey Wright, o Bernard de Westworld, faz uma participação extremamente inesperada, ainda que pontual, além de Michael C. Hall, o Dexter, em um papel que não vou detalhar muito para não estragar algumas das poucas surpresas que a projeção reserva. Tudo que interessa saber é que é bom ver Hall atuando novamente, principalmente após seus problemas de saúde recentes.

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Em relação aos pormenores técnicos, A Noite do Jogo tem algumas tomadas bem trabalhadas, que simulam jogos de tabuleiro – que eram para ser a temática do filme (mais sobre isso, adiante).

Utilizando efeitos “tilt-shift”, a câmera faz prédios e veículos parecerem brinquedos, como se os personagens estivessem se movendo por um grande tabuleiro, enquanto realizam suas tarefas durante a aventura.

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Mas, como citei no início, o filme se perde um pouco em relação à sua premissa básica. Você pensa que ele terá foco em noites de jogos, tabuleiros, ainda que com pitadas de suspense e ação, mas ele logo esquece o assunto inicial e vira uma perseguição implacável.

Isso é um pouco ruim, é verdade, mas o resultado que sai dessa “fuga” é também satisfatório. É minimamente divertido e vai te arrancar algumas risadas legítimas na sala de cinema.

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Conclusão

A Noite do Jogo promete uma coisa e entrega outra. Seus coadjuvantes são fracos e só servem para repetir as mesmas piadas ao longo da história.

Porém, contudo, entretanto, ele é também um filme que se sai bem no comando de sua história, por mais que a premissa inicial seja abandonada de maneira rápida – e praticamente esquecida, talvez.

No final das contas, serve para aquele cineminha de fim de semana em casal, ou com parentes que curtem uma comédia bem desbocada.

Nota: 3 de 5

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Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha