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[Crítica] Jump Force – Os fãs de anime mereciam mais!

Por Raphael Martins

Feito principalmente para comemorar os 50 anos da antologia japonesa Shonen Jump, que publicou (e ainda publica) alguns dos mangás mais famosos do mundo, Jump Force deixou todos os amantes da animação japonesa empolgados ao ser anunciado na E3 do ano passado. Mas será que ele é um jogo digno de uma homenagem tão importante?

Créditos: Bandai Namco

O game foi testado em um Playstation 4.

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A história

Existem universos paralelos. Um deles é o mundo Jump, onde vivem os personagens e mundos que são vistos nos mangás da Shonen Jump, como Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball e Naruto. Vilões vindos do mundo Jump conseguem ultrapassar a barreira das dimensões e invadem o mundo real, usando um exército de Venoms, humanos possuídos pelos cubos Umbra, para causar destruição.

Ao ser mortalmente ferido por Freeza, um desses humanos, seu avatar, é salvo por Trunks, que ao lhe dar um cubo Umbra, faz com que ele renasça com poderes. Depois de uma pequena luta, Trunks leva você ao quartel general da Jump Force, um esquadão formado por vários heróis dos mangás com o objetivo de impedir que os vilões do mundo Jump destruam nosso mundo.

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Você é parte da história

Após essa introdução, você começa a customizar seu avatar, que será parte da história daqui pra frente. A princípio você tem apenas opções básicas de customização, como formato do rosto, tamanho e voz, com opções de vestuário sendo acessíveis só depois.

Um diferencial bacana para os fãs de anime é a possibilidade de colocar feições dos seus personagens preferidos em seu avatar, como tatuagens, penteados e desenhos no rosto.

Mas você também pode fazer um personagem mais parecido com sua aparência real. Sempre quis encher a cara do Seiya de porrada? Eis sua chance.

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Tá, mas e os gráficos?

Chegamos agora no primeiro ponto crítico do jogo. Os gráficos deixaram bastante a desejar, especialmente em se tratando das animações dos personagens no modo história. Todos eles se movimentam como bonecos sem vida e estão sempre com a mesma expressão facial independente do diálogo que estão tendo.

Esse é um problema que passa mais despercebido quando se está em combate, mas mesmo assim é bem estranho ver os pedaços do cenário que você acabou de destruir desaparecendo no chão como num passe de mágica, ou ver seus golpes atravessando o corpo do seu adversário como se ele fosse um fantasma.

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Difícil de engolir

As cutscenes que detalham o desenrolar dos acontecimentos do modo história são difíceis de se assistir. A taxa de frames por segundo cai vertiginosamente em alguns momentos, algo simplesmente imperdoável para um game lançado em 2019.

Isso se torna ainda pior ainda quando os personagens, que são animados de maneira preguiçosa e se mexem de uma maneira travada, estão tendo diálogos chatíssimos entre si. Passar pelo modo história pode se tornar um martírio.

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Melhor esperar sentado

Existem muitas telas de carregamento neste jogo. Para cada coisa que você faz, para cada nova cutscene do modo história, há uma tela de loading. E como são demoradas essas telas...

A certa altura da campanha, eu cronometrei exatamente 47 segundos de carregamento, o que pode ser uma eternidade quando você já não está se divertindo e só quer liberar seus personagens e jogar contra a máquina com o elenco completo destravado.

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Então o jogo inteiro é ruim?

Não é bem assim. Onde mais interessa, o jogo acerta: na hora da porrada. Controlar seus personagens preferidos e enfrentar aqueles que você odeia utilizando comandos simples e rápidos é uma experiência muito divertida, que não exclui aqueles não muito acostumados a jogos desse tipo.

Se o modo história é chato, ele é relevado na hora dos confrontos destruidores, dinâmicos e velozes, que podem te empolgar bastante se eles envolverem um personagem do qual você gostsa muito.

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Você no controle

Os comandos são simples. Dois botões para atacar, um para ataques leves e rápidos e um para golpes mais pesados e destruidores. Se combinados com L1, esses botões disparam ataques especiais, que pode ser mudado e customizado no menu de opções de seu avatar. Alguns desses ataques provocam uma transformação no personagem, como o Goku se tornando o Super Saiyajin Blue ou o Seiya usando a armadura de sagitário.

Sobre os ataques especiais, a animação deles vem antes do ataque em si, o que ao mesmo tempo que é algo legal de se assistir, dá ao adversário o tempo que ele precisa para se defender, o que tira parte da graça.

Todos os comandos são fáceis de se pegar para uma diversão descompromissada, o que não dá muitas chances de o jogo figurar no cenário competitivo.

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Elenco estelar

São 42 personagens ao todo, que podem ser destravados ao serem derrotados no modo história, se você estiver disposto a encarar o desafio das intermináveis telas de carregamento e animações preguiçosas. A maioria deles vem de Dragon Ball, One Piece e Naruto, mas heróis de mangás como Cavaleiros do Zodíaco, Samurai X e Jojo´s Bizarre Adventure também estão incluídos.

Entre as surpresas inesperadas estão Dai, um velho conhecido dos fãs brasileiros, que o conhecem pelo nome de Fly, e Ryo Saeba, o hilário herói do mangá City Hunter.

Light Yagami e o shinigami Ryuk, de Death Note, também estão presentes, mas não são selecionáveis.

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Jogando acompanhado

O quartel general da Jump Force funciona como lobby para partidas online, onde você pode interagir com outros jogadores espalhados pelo mundo e disputar combates acirrados contra adversários humanos. Não tive nenhum problema nesse quesito, e vocês também não devem ter caso possuam uma conexão de banda larga eficiente.

Jogar ao lado de um amigo, também fã se anime, pode ser tão legal quanto. A empolgação será inevitável e com certeza lhe trará boas horas de diversão.

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Conclusão

Jump Force tem muitos problemas técnicos, com personagens mal modelados e animados de maneira preguiçosa, telas de carregamento que parecem durar para sempre, quedas vertiginosas de frames nas cutscenes e campanha tediosa. Apesar disso, ele diverte bastante na hora dos combates, reunindo alguns dos personagens mais amados dos mangás em duelos titânicos.

Pode ser bastante chato ter que passar pelo modo história para liberar todos eles, mas quando você o fizer, poderá curtir bastante o game se dedicando apenas aos duelos, seja online ou com um amigo do lado.

A nota final para Jump Force é 3 de 5.

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Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael