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[CRÍTICA] Christopher Robin – Um filme de crianças feito para adultos!

Por Guilherme Souza

Muitos ficaram surpresos com a revelação de que a Disney estava trabalhando em uma versão live-action de sua aclamada animação do Ursinho Pooh. Embora isso não seja uma novidade para a linha de produtos atuais do estúdio, devemos dizer que a abordagem de Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível é muito diferente da que estávamos acostumados.

Em nossa crítica SEM SPOILERS, iremos comentar um pouco sobre o que esperar da trama e do longa em geral.

Ficha Técnica

Título: Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível

Ano: 2018

Lançamento: 16 de agosto de 2018 (Brasil)

Direção: Marc Forster

Duração: 1h e 44m

Sinopse: Christopher Robin (Ewan McGregor) já não é mais aquele jovem garoto que adorava embarcar em aventuras ao lado de Ursinho Pooh e outros adoráveis animais no Bosque dos 100 Acres. Agora um homem de negócios, ele cresceu e perdeu o rumo de sua vida, mas seus amigos de infância decidem embarcar no mundo real para ajudá-lo a se lembrar que aquele amável e divertido menino ainda existe em algum lugar.

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Desde os anos 60, a Disney adquiriu os direitos dos livros escritos por A. A. Milne para produzir materiais baseados no Ursinho Pooh e sua turma. Para quem não sabe, Pooh é um ursinho de pelúcia que vive no Bosque dos 100 Acres, cercados por outros brinquedos e animais de verdade.

Acompanhados pelo garoto Christopher Robin, Pooh e seus amigos vivem em inúmeras aventuras, em grande parte, motivadas pela fome insaciável do ursinho. No longa, conhecemos todos os personagens clássicos das histórias de Milne e das animações Disney, porém vemos um lado muito mais obscuro e realista.

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Ao contrário da atmosfera colorida e animada das animações, o longa busca mostrar um Christopher Robin que deixou para trás seus dias de brincadeira e imaginação no Bosque dos 100 Acres, para ter que lidar com a realidade (e os horrores da vida).

Christopher (Ewan McGregor), um garoto dócil e imaginativo, passa a ter que assumir as responsabilidades de um homem da década de 40, era onde a Guerra está em seu auge e homens que sonham com ursinhos de pelúcia não ficam vivos por muito tempo. Toda essa dureza no amadurecimento do rapaz acaba tendo consequências sérias em sua vida adulta.

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Depois que volta da Guerra, Christopher acaba conhecendo sua esposa, a adorável Evelyn (Hayley Atwell), que serve como um dos gatilhos para que a trama se desenvolva. Embora Pooh seja um personagem extremamente icônico para os fãs de animação e de literatura, a trama do longa é extremamente simples, resumindo-se a um adulto que se reconecta com sua criança interior.

Toda simplicidade acaba sendo, de certa forma, meio clichê e previsível, onde conseguimos adivinhar o plot logo no primeiro ato. Porém, temos que nos lembrar que, o fato do longa possuir uma mensagem muito forte e clara para os adultos, não faz com que ele deixe de ser um filme destinado ao público infantil, porém isso acaba sendo uma “faca de dois gumes”.

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Fica clara a intenção dos roteiristas e do diretor Marc Foster em mostrar o contraste entre a vida adulta e sombria de Christopher com seu passado alegre e animado, porém a mão acaba pesando demais em certos momentos, onde as crianças podem acabar ficando confusas e não absorverem a mensagem como ela deve ser.

Além disso, o longa acaba sendo muito extremista no que se refere a esses contrastes, fazendo transições bruscas entre os momentos leves e os sombrios e depressivos, algo que, em certo momento, acaba cansando um pouco.

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Algumas pessoas estranharam o visual de Pooh pelo que viram nos trailers, principalmente quando o Ursinho começava a falar, mas o produto final consegue ser bem satisfatório, onde temos um Pooh carismático e que arranca risadas e conquista a simpatia do público.

É claro, existem diversos momentos em que os Efeitos Especiais cometem alguns deslizes e o visual dos personagens acaba não sendo tão positivo, porém o saldo geral é aceitável.

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Quem também rouba a cena é a adorável Bronte Carmichael, que interpreta a adorável Madeline Robin, filha de Christopher e Evelyn.

Vemos o quanto a garota sofre pela vida conturbada de seu pai, que não lhe dá atenção e exige que ela seja sempre a melhor em tudo, não permitindo que ela vivencie os mesmos momentos alegres que ele teve quando criança, ao lado de Pooh e seus amigos. Obviamente, o longa se encaminha para que isso mude e que Christopher se dê conta de que ele está acabando com sua vida e com a vida de sua família.

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A fotografia de “Um Reencontro Inesquecível” é digna de aplausos, onde temos cenas muito bem enquadradas e um tratamento de cores excelente, que destoa bastante dos filmes de grande orçamento no qual estamos acostumados.

Outro ponto que se destaca é a cenografia, que recria a Londres dos anos 40 com maestria, além de toda a paisagem natural do Bosque dos 100 Acres e até mesmo um pouquinho de um campo de batalha da Guerra.

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A trilha sonora composta por Jon Brion, Klaus Badelt e Geoff Zanelli consegue transmitir muito bem as atmosferas da trama em nuances sutis e agradáveis, pensando nos momentos em que a carga emotiva fica mais intensa.

Podemos inclusive notar algumas cenas que são abraçadas pela tradicional melodia da animação clássica, levando os fãs para um vórtice de nostalgia espetacular.

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Conforme citado, Chirstopher Robin: Um Reencontro Inesquecível é um filme com uma trama extremamente simples, que é carregado por uma bela mensagem e personagens carismáticos.

Ewan McGregor mostra mais uma vez seu valor como ator, ao passar uma sensibilidade extrema, mesmo atuando ao lado de bonecos de pelúcia. O ator com certeza sai mais uma vez de sua zona de conforto e mostra que está trilhando sua carreira para algo que pode lhe render até mesmo um Oscar no futuro.

Se você é fã do Ursinho Pooh e busca um filme divertido para as crianças e que tenha uma mensagem direcionada aos adultos, a ida ao cinema é válida.

NOTA: 3,5/5

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Guilherme Souza

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