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As 10 maiores injustiças no Oscar de Melhor Filme!

Por Gus Fiaux

Acabamos de sair de uma das edições mais polêmicas do Academy Awards – a premiação cinematográfica popularmente conhecida como Oscar. Isso fez com que muitos de nós reavaliássemos os frutos das escolhas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Ao longo das 91 edições da popular premiação, tivemos diversos momentos icônicos – mas também muitas injustiças, especialmente no que diz respeito à categoria principal. E é por isso que decidimos reunir algumas das edições mais polêmicas para falar das maiores injustiças do Oscar de Melhor Filme!

Créditos: Divulgação

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Como Era Verde o Meu Vale (1941)

Como Era Verde o Meu Vale está longe de ser um filme ruim. Na verdade, trata-se de uma das obras mais importantes do cinema norte-americano, adaptando o clássico livro de mesmo nome escrito por Richard Llewellyn. Para colocar a cereja no bolo, o diretor foi ninguém menos que John Ford, um dos maiores cineastas de todos os tempos.

O problema aqui estava na concorrência. Por mais que o filme tivesse vários méritos técnicos, ele bateu de frente com ninguém menos que Cidadão Kane, de Orson Welles, um dos filmes mais influentes da história do cinema, que abriu precedentes para diversas técnicas e estilos que vemos sendo reutilizados até hoje.

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O Maior Espetáculo da Terra (1952)

Na década de 50, a Academia passava por momentos turbulentos, conforme os estúdios começaram a tirar o patrocínio do Oscar, uma vez que a premiação não estava resultando no aumento das bilheterias dos filmes indicados. Isso fez com que a cerimônia fosse voltada para longas que estavam "na boca do povo".

Por conta disso, o grande ganhador de 1953 foi O Maior Espetáculo da Terra, filme sobre um circo itinerante. No entanto, o longa até hoje tem uma das avaliações mais baixas por parte da crítica e caiu no ostracismo do público. Para se ter uma ideia, um grande clássico do ano - Cantando na Chuva - sequer havia sido indicado à categoria principal.

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Oliver! (1968)

O último musical em um bom tempo a receber o prêmio de Melhor Filme, Oliver! é uma vaga adaptação de uma das obras literárias mais famosas de todos os tempos: Oliver Twist, de Charles Dickens. Tendo recebido um grande lucro nas bilheterias, o longa até se estabeleceu bem - mas não entre os críticos, que o consideraram o pior da leva de indicados.

A história do jovem garoto que vaga pelas ruas da Inglaterra acabou destronando outros clássicos, como Funny Girl (protagonizado pela diva Barbra Streisand), Romeu e Julieta (considerada a adaptação mais fiel da obra de William Shakespeare) e O Leão no Inverno (épico histórico sobre a vida de Henry II).

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Carruagens de Fogo (1981)

Contando a história real dos atletas que competiram nas Olimpíadas de 1924, Carruagens de Fogo continua sendo um filme memorável - especialmente quando lembramos da clássica trilha sonora composta por Vangelis. No entanto, sua vitória acabou sendo considerada uma injustiça perto de dois concorrentes.

No ano, todos os críticos e analistas da premiação apostavam suas fichas em Reds, um épico histórico sobre a Revolução Russa. O filme havia sido indicado em 12 categorias e já havia ganhado diversos prêmios antes do Oscar. Outro concorrente de peso era Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, longa que acabou se tornando um marco do mundo nerd.

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Conduzindo Miss Daisy (1989)

Ao ser questionado sobre a vitória de Green Book: O Guia na última edição do Academy Awards, o diretor Spike Lee deu uma resposta bem divertida: "Parece que toda vez que alguém estiver dirigindo para outra pessoa, eu vou perder". Essa é uma referência à controversa vitória de Conduzindo Miss Daisy, em 1990.

O longa bateu de frente com nomes de peso na cerimônia, incluindo Nascido em 4 de Julho e Sociedade dos Poetas Mortos. O longa é criticado por sua visão higienizada sobre racismo e por ser um filme que não sai da zona de conforto. No ano, o aclamado Faça a Coisa Certa, de Spike, sequer chegou a concorrer à categoria.

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Shakespeare Apaixonado (1998)

Até hoje, essa é considerada a pior vitória da história do Oscar - e segundo relatos recentes, teve a ver com a influência de Harvey Weinstein nos bastidores da premiação. O longa segue uma história fictícia sobre a vida de William Shakespeare, um dos maiores poetas e dramaturgos da história, mas até hoje é tido como um filme extremamente "ok".

Para piorar, o longa passou por cima de O Resgate do Soldado Ryan e Elizabeth. Até mesmo A Vida é Bela, considerado o favorito do ano, acabou perdendo. Nós, brasileiros, temos um motivo maior para ter ranço do filme, já que Gwyneth Paltrow destronou Fernanda Montenegro (que concorria por Central do Brasil) na categoria de Melhor Atriz.

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Chicago (2002)

Após a virada do século, o Oscar continuou a sua tendência de prêmios polêmicos na categoria principal. E isso já podemos ver logo em 2002, quando Chicago acabou levando o prêmio de Melhor Filme - sendo o primeiro musical a conquistar a categoria desde Oliver!. No entanto, isso revoltou os cinéfilos.

Há quem diga que, entre todos os concorrentes, o filme era o pior - e há uma certa lógica nisso, tendo em vista que o musical disputou com O Senhor dos Anéis: As Duas Torres, O Pianista, Gangues de Nova York e As Horas. Não foi dessa vez que a Broadway conquistou o coração dos amantes da sétima arte.

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Crash: No Limite (2005)

Considerada outra vitória extremamente polêmica, rivalizando com Shakespeare Apaixonado, a edição de Crash: No Limite foi vista com maus olhos pelos críticos e cinéfilos. Isso porque o filme é considerado um dos mais insossos a receber o prêmio - o que indica não uma vitória por mérito próprio, mas a tentativa de boicote a outro filme.

No mesmo ano, O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee, havia sido indicado a Melhor Filme e era visto como o grande favorito. No entanto, diz-se que os membros da Academia não queriam dar o prêmio para um filme com temática LGBT tão explícita, e por conta disso, o longa acabou perdendo para o filme de Paul Haggis.

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O Discurso do Rei (2010)

Pouco depois que a Academia mudou as regras da premiação, permitindo até dez indicados em vez de apenas cinco, tivemos uma das vitórias mais amargas da década: O Discurso do Rei, dirigido por Tom Hooper. O drama britânico sobre o Rei George VI até ganhou a aclamação da crítica, mas acabou não sendo tão bem-recebido pelo público.

Além disso, no ano, tínhamos concorrentes de peso como 127 Horas, A Origem, Cisne Negro, A Rede Social e Bravura Indômita. Isso chocou até mesmo a parcela do público que achava que o prêmio poderia ir pela primeira vez para uma animação, com Toy Story 3. E o resultado disso é que O Discurso do Rei se tornou um vencedor pouco lembrado.

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Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014)

Birdman certamente é um filme que dividiu opiniões. O longa, escrito e dirigido por Alejandro González Iñárritu certamente tem seus méritos - como, por exemplo, a fotografia que emula a ideia de um plano-sequência durante todo o longa. No entanto, é difícil não considerar essa uma injustiça perto dos outros concorrentes do mesmo ano.

Em 2015, filmes indie como Whiplash: Em Busca da Perfeição e Grande Hotel Budapeste concorriam à cerimônia. No entanto, para o público, a maior decepção foi o filme ter passado por cima de Boyhood: Da Infância à Juventude, longa que demorou 12 anos para ser realizado e acompanha a vida de um menino durante esse período.

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux