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10 vezes que Westworld usou música para contar sua história!

Por Márcio Jangarélli

Atenção: Alerta de Spoilers!

Westworld, a grandiosa odisseia robótica da HBO, voltou para sua segunda temporada e existem vários motivos pelo qual você, caro leitor, deveria retornar ao parque para uma nova narrativa. Entre eles está a forma como a série usa sua trilha sonora como um elemento para contar sua história.

A primeira temporada trouxe vários elementos narrativos fora do padrão: seja o título dos episódios, a linha temporal fragmentada ou, no caso, a música. A música é um elemento fundamental em Westworld, para o desenvolvimento da trama em si e para o espectador entender aspectos do que está sendo mostrado. Aqui, nós reunimos 10 vezes que Westworld usou música para contar sua história! Só estamos falando sobre a primeira temporada, então sem spoilers do novo episódio!

Imagens: Divulgação
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Reverie L. 68

Estou em um sonho... O sonhar é algo que permeia toda a história da primeira temporada de Westworld; desde as primeiras linhas de diálogo da Dolores, até a atualização que fez os Hosts começarem seu despertar: “Reveries”, cuja tradução é “devaneio”.

A ideia do sonho também está presente na música. Clássica, inclusive. Uma das composições centrais da trama é justamente Reverie L. 68, de Claude Debussy. Além de ser uma música composta para simular a sensação do sonhar, Reverie L. 68 é usada em momentos chave da história, que ajudam o espectador discernir o que é real das ilusões e memórias dos Hosts.

Escutamos Reverie L. 68, por exemplo, quando o Teddy se lembra da versão alterada do seu passado. Quando ele recorda a verdadeira história, a música é interrompida. Reverie também é a música usada pelo Ford e pelo Arnold como um controle final sob os Hosts: vemos isso no primeiro despertar da Maeve, quando o Ford usa a música para acalmá-la, e essa é a música que o Arnold usa para levar a Dolores a dar o tiro final.

Reverie pode ser ouvida em vários momentos da série, sempre sinalizando o sonhar ou um momento distante da realidade. Vale citar que o compositor da trilha sonora de Westworld comentou sobre a música em entrevista para a Vulture; "Pareceu apropriado e ela também simula a emoção da mente sonhando. Pode ser parte do loop, parte da programação, parte do Host se conectando com suas memórias. E, então, você pode se perguntar: 'Isso faz parte do sonho?"

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Noturno Opus 9 nº 2 em Mi Bemol Maior

Outro exemplo de música clássica contando uma história em Westworld é Noturno Opus 9 nº 2 em Mi Bemol Maior, de Chopin. Essa composição faz parte dos noturnos, músicas que evocam a sensação da noite, do escurecer. Noturno Opus 9 nº 2 é o noturno mais famoso de Chopin e pode ser ouvido quando as coisas estão se encaminhando para uma direção obscura na série.

Ouvimos a composição na conversa em que a Charlotte força a aposentadoria no Ford, momento que desencadeia todo o final da primeira temporada. Essa música também se liga à nova narrativa do parque, “Journey Into Night”, que é onde a história segue para um lugar mais sombrio.

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No Surprises

Não são só as composições clássicas que importam na narrativa de Westworld. Músicas modernas foram usadas como instrumental durante a temporada, pontuando jornadas dos personagens e momentos. Vale citar que a banda central do primeiro ano da série foi Radiohead.

A primeira música do Radiohead que aparece na série é "No Surprises", no episódio 2, sinalizando o início da jornada da Maeve. Essa é uma escolha certeira, quando a canção, entre outras interpretações, discorre sobre insatisfação, com trechos como “Um trabalho que te mata lentamente”, “Você parece tão cansado e infeliz”, “Derrube o governo, eles não falam por nós”; toda a música conversa com a personagem e o rumo que ela começa tomar a partir desse episódio.

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Fake Plastic Trees

Na verdade, boa parte das músicas modernas na série fazem parte da jornada da Maeve. Por exemplo, "Fake Plastic Trees", hit do Radiohead, é outra que entrou para o enredo.

Fake Plastic Trees é uma canção sobre a artificialidade da vida e não poderia se encaixar melhor em Westworld, quando parte da série é exatamente sobre o que é ser real; uma transição do artificial para o real. E quando a música surge, o momento é certeiro também: ela começa tocar no piano no início do episódio 6, quando no final do 5 a Maeve acordou no laboratório e descobriu o mundo real.

Assim, quando Fake Plastic Trees aparece, ela pontua o sentimento da personagem diante do seu próprio mundo, agora que ela despertou e sabe que aquilo é artificial e que ela própria vivia uma vida artificial.

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Back to Black

Outra música que casa completamente com a série é "Back to Black", da Amy Winehouse - a trilha sonora final ainda conta com Rolling Stones, The Cure, entre outras bandas e músicas clássicas.

Essa aparece no episódio 8, também no arco da Maeve. Back to Black é uma música sobre luto, no contexto da canção, de um amor perdido. Mas não apenas: ela fala sobre um loop infinito de sofrimento, pontuado com o trecho “Eu morri mais de cem vezes”.

Em Westworld, Back to Black é usada no momento em que a Maeve está para começar seu plano de fuga. Ela está esperando a invasão do Hector acontecer e sabe que, para escapar, depois de ter morrido muito mais de 100 vezes, ela precisa morrer mais uma vez para ser reconstruída sem a bomba em sua nuca. Isso tudo depois de ver o que vem após sua morte, conhecer sua própria criação e falsa mortalidade. Serve também como um sinal do fim do loop original da personagem.

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Motion Picture Soundtrack

Mas, como dito, é Radiohead quem comanda a série. Uma das melhores cenas da primeira temporada é quando a Maeve decide e insiste em conhecer “o andar de cima”, onde os Hosts são feitos. É quando ela entende sua própria criação**.

Isso está no episódio 6 e a trilha desse momento é "Motion Picture Soundtrack". O importante aqui fica para, além da música, seu título: é nessa sequência que a Maeve descobre a completa artificialidade da sua criação; tudo o que ela viveu até então não passou de um entretenimento para o público, como um filme e sua trilha sonora.

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Exit (For a Film)

Para finalizar as músicas do Radiohead na série, a última canção da banda não é para a Maeve e sim para o Dr. Ford. Aqui também vamos direto no título: "Exit (For a Film)”. É o instrumental dessa música que está tocando nos momentos finais da produção, quando o Ford faz seu último discurso.

É a marca de uma grande saída: além de finalizar a série, a música fecha todas as narrativas antigas do parque para dar início à nova história do Ford e pontua o fim da vida do criador.

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O piano

No fim das contas, desde o início a música está intrincada na narrativa de Westworld. A abertura da série e vários momentos durante a temporada mostram o piano automático - uma alusão ao velho oeste, sim, mas à própria natureza dos Hosts também.

Esse piano exemplifica de forma simples a vida dos hosts: ele possui uma partitura que roda de novo, de novo e de novo, que pode ser trocada, mas que o leva novamente a um loop infinito e inescapável. Várias vezes o piano ganha destaque, principalmente para começar as cenas da Maeve, que é a personagem que mais vemos tentando fugir do seu próprio loop.

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Quebra no loop

Aliás, o piano é tão importante que ele também marca uma quebra no loop - ou uma tentativa, pelo menos. Depois de conhecer seus criadores e entender sua própria existência, no episódio 7 a Maeve entra no Mariposa e a primeira coisa que faz é desligar o piano, deixando claro que não vai mais viver em um loop.

O primeiro trailer da segunda temporada também usou o piano para sinalizar uma mudança. Nesse caso, ele está tocando, mas a partitura está manchada de sangue. Isso serve para mostrar de forma clara que o novo ano será mais violento.

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Runaway

Falando sobre a segunda temporada, os trailers já começaram usando música para ditar suas intenções. O trailer principal do novo ano, exibido durante o Super Bowl, possui uma escolha de trilha curiosa: "Runaway", do Kanye West.

O refrão de Runaway é ideal para a segunda temporada; é sobre reconhecer seus inimigos, se tornar maior que eles e assustá-los. Esse é exatamente o novo caminho da Dolores na nova história.

Vale nota que os criadores da série afirmaram que a trama agora terá um pouco mais de hip hop na trilha sonora - usado da mesma forma que o Radiohead na primeira temporada. Assim, esse foi apenas um gostinho do que está por vir.

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Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.