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10 motivos para ler Thor: O Deus do Trovão!

Por Gus Fiaux
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Arcos

Thor: O Deus do Trovão, na época de lançamento dos títulos da Nova Marvel, foi uma revista esperada com fervor pelos fãs. Assumindo os roteiros estava Jason Aaron, que é um autor competente, mas ainda não tinha muita experiência com o Filho de Odin, porém, devido aos seus trabalhos anteriores, já havia uma certa expectativa por algo bom... mas não algo tão bom.

A série é divida em arcos bem fechados e estruturados, que permitem com que possamos ler um deles e apreciá-lo individualmente, mas também entendermos melhor tudo ao ler toda a série. E apesar de uma decaída do meio para o final - ainda que essa "decaída" ainda tenha nos presenteado com histórias de alta qualidade -, resta na memória a qualidade de arcos como "O Carniceiro dos Deuses" e "Bomba Divina".

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Questões filosóficas

Se há uma série da Nova Marvel que vem para quebrar o paradigma de que "quadrinhos de super-heróis são para criança", é, sem dúvidas, Deus do Trovão. E isso é algo que pode ser visto principalmente no arco da "Bomba Divina", com todo o embate filosófico entre o(s) Thor(s) e Gorr, o Carniceiro dos Deuses.

Aqui, vemos o quanto a religião, de modo geral, corrobora para a criação de deuses e monstros, e o quanto, na procura por assassinar todos os deuses, Gorr se torna uma divindade, entrando em um paradoxo com suas ideologias. Além disso, temos questões interessantes abordadas em histórias como "Dias de Vinho e Dragões" e no arco "Os Últimos Dias de Midgard".

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Temas adultos

Ainda que a série seja pontuada com a história de um herói, é possível dizer que o run de Jason Aaron retratando a vida e as aventuras do Filho de Odin é um dos títulos mais adultos já voltados para o Filho de Odin na continuidade principal da Marvel. E se o item anterior não exemplificou bem isso, temos outras ideias.

O arco "Os Últimos Dias de Midgard" revela bastante a respeito de corrupção empresarial, descaso ecológico, enquanto nos mostra o verdadeiro amor de Thor pela Terra e seus habitantes, representando a esperança do planeta. Além disso, o nível de violência e tensão na série é muito grande, algo que pode ser visto já nas primeiras cinco edições, e vai sendo aprofundado com as histórias seguintes.

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Temporalidade

Uma das questões mais interessantes abordadas pelo título é a ideia de uma exploração de várias eras do Thor. Logo nos encontramos com um Thor jovem, ainda muito arrogante e pomposo, o Thor do presente, como foi construído ao longo dos anos nas histórias da Marvel e o Rei Thor, o futuro Pai-de-Todos de Asgard, e sucessor de Odin.

É interessante notar como esses três personagens são jogados na mesma narrativa contra o Carniceiro dos Deuses, e como eles acabam interagindo na ação e depois continuam sendo explorados, ainda que individualmente, mas sempre se relacionando com a história do outro. É uma ótima maneira de mostrar a mudança de personalidade do personagem e como ele se transformou, física e psicologicamente, ao longo de sua mitologia.

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Vilões

Surgido nas páginas de Thor: O Deus do Trovão #2, Gorr, o Carniceiro dos Deuses logo entrou para o hall dos melhores vilões já criados para o Filho de Odin. Sua crueldade, aliada do seu desejo psicótico de assassinar os deuses é algo que vai além de um conceito puramente nietzschiano, e o transforma em alguém realmente perigoso, capaz de gerar medo até mesmo no deus que dá nome à série.

Mas ele não é o único. Aqui, somos reapresentados à Malekith, o maldito, que retorna como uma ameaça interessante, trazendo o caos para a paz dos Nove Reinos. Galactus também é outro que tem um papel fundamental, e não podemos esquecer de Dario Agger, o corrupto empresário da Roxxon que se transforma no Minotauro.

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Ficção científica

Aproveitando a forma como o personagem foi apresentado no Universo Cinematográfico da Marvel, com os conceitos de magia sendo substituídos por ciência que vai além do potencial humano, Jason Aaron aproveita para seguir algo similar durante sua fase à frente das histórias do Thor. Porém, ele faz do jeito certo.

Somos apresentados a uma magia científica que realmente funciona, pendendo para os dois lados da equação, e não servindo apenas como se magia fosse uma palavra para definir ciência avançada, e sim um misto das duas. O visual é construído de forma que conseguimos reconhecer magia e ciência, sem que uma obscureça a outra.

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Fantasia

Ainda que a ficção científica seja uma ideia recorrente, vale lembrar que a série puxa um viés muito mais fantástico do que algo puramente mecânico. Em "O Carniceiro dos Deuses", somos apresentados a diversas divindades de religiões diferentes em todo o universo, algo que representa um alto tom fantástico por si só.

Porém, o arco que mais explora conceitos de fantasia é, sem dúvidas, "O Amaldiçoado", onde Malektith ressurge como ameaça central, o que faz com que Thor reúna a Liga dos Reinos, uma equipe formada por um representante de cada raça mística que habita os Nove Reinos de Yggdrasil.

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Ideias para o futuro

Um dos aspectos mais instigantes de toda a série pelas mãos de Aaron é a forma como ela se auto-referencia e cria uma série de elementos que serão utilizados no futuro próximo, seja no arco do escritor ou em séries externas, como "Pecado Original", que também tem autoria de Aaron.

Para exemplificar isso, temos o surgimento dos Thors do passado e do futuro, que aparecem mais de uma vez e com papeis fundamentais para além do desenvolvimento dos primeiros arcos. Outra ideia é apresentada em "Thor: O Deus do Trovão" #11, que nos reintroduz uma personagem - cujo nome preservaremos - que agora sofre com uma doença terminal e que será extremamente importante para a Marvel depois da série "Eixo".

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Nova abordagem

O maior mérito de Thor: O Deus do Trovão é saber desconstruir e reconstruir a imagem e a representação do Filho de Odin, especialmente no contexto atual da Marvel. Sempre visto como uma divindade próxima da Terra, aqui compreendemos o quanto ele, por ser uma divindade por si só, é distanciado do sentimento de humanidade, ainda que tente compreendê-lo.

Na série, também conhecemos as diversas facetas temporais do personagem, algo que corrobora para nos mostrar várias personalidades diferentes. Como jovem Thor, reconhecemos mais de sua arrogância e notamos o quanto suas aventuras o influenciaram a isso. Como Rei Thor, vimos alguém que possui a responsabilidade de Odin e o amor pela Terra. E nos três (incluindo o Thor atual), reconhecemos um traço novo no personagem: medo.

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Arte

É simplesmente impossível e inaceitável comentar a respeito de Thor: O Deus do Trovão e não falar da arte da série, que apesar de ser feita por diferentes artistas, mantém a qualidade e nos apresenta o melhor do personagem.

Temos, principalmente, a arte de Esad Ribic, que funciona como algo extremamente épico e fantástico. No terceiro arco, somos apresentados aos traçados de Ron Garney, algo que cai bem com a história. Além disso, podemos conferir a participação de artistas como Butch Guic, Nic Klein, Das Pastoras, RM Guerra e Simon Bisley.

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux