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10 coisas que você precisa saber sobre trailers de filmes de super-heróis!

Por Gus Fiaux

Aqui, analisamos algumas curiosidades que você deveria saber sobre os trailers e sua importância no mercado contemporâneo, voltado especificadamente para os filmes de quadrinhos!

Quem faz?

Muitas pessoas tem o costume de achar que os trailers são feitos pelos mesmos artistas que produzem o filme. Em grande parte dos casos, eles estão errados. Há uma parcela grande de artistas que se compromete com a realização dos trailers de seus próprios filmes, como é o caso - falando de quadrinhos - de Bryan Singer e Christopher Nolan, por exemplo.

Porém, grande parte das prévias são produzidas por empresas de marketing especializado, conhecidas como trailer houses. Elas recebem material bruto dos estúdios e podem trabalhar neles de modo a produzir o conteúdo dos trailers que vemos.

Cenas e diálogos que não vão para o filme

Você já deve ter se pego revendo um trailer após ter visto o filme e notado que algumas cenas e diálogos que acabaram não indo para o produto final. Ao analisar mais trailers, verá que isso tem se tornado uma prática comum. Mas afinal, dá pra ser considerado propaganda enganosa?

Bem, aí vai da interpretação de cada um. Porém, esse fator ocorre justamente por conta da venda de material bruto para as trailer houses, ou então pelo fato dos trailers serem feitos antes do corte final de um filme, de modo que tudo que é utilizado para promover um filme pode acabar sendo mudado na sala de edição. Porém, às vezes, isso é feito de modo proposital. Alguns filmes de terror criam sustos especiais para trailers, de modo que os jumpscares do filme permaneçam como surpresa. Vale a menção também o trailer do filme Festim Diabólico de Alfred Hitchcock, que contava com uma cena inteira anterior aos acontecimentos do filme.

Dá pra ver a história toda de um filme?

Sim. Logo de cara, essa é uma resposta que precisa do máximo de sinceridade. Muitos trailers mal executados conseguem contar toda a história de um filme, e ainda por cima, revelar seus plot twists e surpresas, mesmo que seja apenas uma cameo de alguém em especial, ou um easter-egg que funciona no conjunto da obra.

A exemplo disso, temos o recente Exterminador do Futuro: Gênesis, cujos trailers foram duramente criticados pelo uso de reviravoltas narrativas importantes. Muitas vezes, os trailers também conseguem estragar momentos específicos de tensão, como a cena do Homem de Ferro despencando no trailer de Os Vingadores. No filme, a cena perde o impacto e a tensão porque, na prévia, sabemos que o Hulk irá salvar o Vingador Dourado.

Quanto mais, melhor

Para nós, fãs, há um consenso geral de que uma quantidade absurda de trailers e prévias promocionais pode acabar estragando a experiência cinematográfica, mas, num contexto geral, isso não é algo compartilhado pela visão dos estúdios.

Ao mostrar mais e mais cenas, o estúdio consegue ampliar o alcance do público, que pode acabar se interessando por uma cena específica, e assim, aumentando o lucro de bilheteria de um filme. Além disso, quanto mais material divulgado, maior o buzz de um projeto cinematográfico, o que aumentam as chances do lucro fora das salas de cinema - através de produtos licenciados, artigos de marketing e coisas do tipo.

Trilha sonora do trailer?

Às vezes, ficamos emocionados ou vidrados quando uma música específica de um cantor ou banda que gostamos vai parar no trailer de um filme famoso. Porém, nem sempre isso quer dizer que a canção pode estar vinculada à trilha sonora oficial do filme.

Muitas empresas costumam usar músicas apenas para a finalidade de promoção, de modo que o artista só é pago para ceder os direitos de sua obra para o trailer, e não para o filme como um todo.

Manipulação de expectativa

Se um trailer consegue fazer você pensar em algo quando o filme está querendo seguir por uma direção completamente diferente - e isso é feito de uma forma proposital -, pode ter a certeza de que ele está cumprindo seus objetivos da forma certa. O propósito do trailer, atualmente, vai além de uma prévia, e funciona como um complemento anterior a um filme.

Dessa forma, podemos dizer que a partir do momento em que você assiste a um trailer e começa a criar teorias e conspirações a respeito da história de um filme, você já está imerso na criação de expectativas e manipulação de atenção do mesmo. A ideia por trás de todo trailer que se preze é não apenas oferecer um bom vislumbre do que esperar de algo, mas também fazer com que o público se surpreenda com o produto final.

Ilusão ou confusão?

Como dito anteriormente, essa criação de uma atmosfera ilusória é usada como função principal de um trailer - se feito de modo proposital. Contudo, alguns trailers são verdadeiras ilusões contrárias ao que o filme se propõe a fazer. Geralmente, isso é visto na diferença de tom - leveza e seriedade - entre um trailer e o filme.

Nesse caso, raramente a escolha é proposital, e acaba se apresentando como uma falta de sincronização entre a edição do filme e a edição do trailer. Normalmente, isso se dá pelo que dissemos nos primeiros itens, a respeito da montagem do filme ser concluída posteriormente à montagem do trailer.

Tempo

Não há muita certeza a respeito dos métodos de promoção de um estúdio. Contudo, depois de alguns anos analisando a indústria, começamos a notar padrões que se repetem, e isso pode ser visto principalmente na campanha publicitária promocional.

Por exemplo, geralmente, a Warner Bros. lança os primeiros teasers de seus filmes com um ano a nove meses de antecedência. A Marvel Studios, por sua vez, produz algo com um lapso temporal de sete a cinco meses anteriormente, enquanto a Fox opta por espaços ainda menores. O mais curioso é notar que campanhas antecipadas não necessariamente significam altas bilheterias.

Classificação indicativa

Já notou como alguns filmes de temática adulta possuem trailers que diminuem conceitos como violência e sexo, de modo a parecer um filme completamente diferente? Pois bem, até para trailers, a classificação indicativa vigora. Para que possam ser passados em cinemas e em programas de TV, ou como anúncios de Internet em que o público é mais amplo e pode contar com crianças, é recomendado a exibição de trailers de classificação indicativa livre.

Contudo, quase todo filme mais "pesado" possui os chamados "red band trailers", que são prévias contendo material que não poderia ser utilizado para divulgação ampla. Normalmente, esses trailers são passados em sessões de filmes com classificação indicativa elevada, ou então divulgados apenas pela internet.

Nenhuma relação entre mostrar pouco e lucrar muito

Há algum tempo, criou-se a ideia de que trailers que mostram pouca coisa conseguem uma arrecadação maior nos cinemas do que trailers que escancaram a história ou momentos chave do filme. Contudo, em muitos casos, isso se provou errôneo. O melhor a se admitir, no entanto, é que não há uma relação clara entre esses dois fatores.

Basta usarmos como exemplo os trailers de Titanic. Mesmo contando com mais de três minutos e apresentando toda a história do filme de modo linear, isso não impediu o filme de se consagrar como a atual segunda maior bilheteria da história do cinema.

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux