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Review: Sem firulas, Sonic Origins é melhor forma de revisitar os clássicos para quem está disposto a abrir a carteira

Por Gabriel Mattos

Sonic está com tudo esse ano! Após o sucesso merecido de Sonic 2: O Filme, a franquia se prepara para dar o próximo passo com Sonic Frontiers. Mas antes, para celebrar o passado do ouriço mais amado dos jogos, chega Sonic Origins — uma coletânea com os jogos que deram início ao maior acerto da Sega, cheia de bônus para os fãs mais dedicados.

Ficha Técnica

Título: Sonic Origins

Desenvolvedora: Team Sonic

Distribuidora: SEGA

Plataforma: PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S|X, Nintendo Switch e PC

Lançamento: 23 de junho de 2022

Gênero: Plataforma, coletânea e retrô

Tradução para o Português: Sim

Modos: Clássico, Aniversário, História, Missão, Boss Rush e mini-games

A experiência clássica de Sonic com Tails e Knuckles.

Nostalgia bem feita é a definição de Origins. Exatamente no dia em que a franquia completa seus 31 anos, o novo jogo do ouriço reúne Sonic The Hedgehog (1991), Sonic The Hedgehog 2 (1992), Sonic CD (1993) e Sonic The Hedgehog 3 & Knuckles (1994).

A jogabilidade continua tão gostosa quando era na era de ouro dos videogames, priorizando a sensação de velocidade e a ação frenética, sem deixar de oferecer diferentes rotas para os veteranos. Revisitar o design de uma era mais simples dos jogos é uma viagem reconfortante, especialmente no Modo Clássico que mantém a experiência tradicional intocada.

Este modo conservador é ótimo para quem quer reviver as memórias da infância, da forma mais pura possível. Mas claro que o filtro da nostalgia torna estes jogos retrô um pouco melhores nas nossas lembranças do que elas realmente eram, então de certo modo acaba sendo um choque de realidade ver como algumas pequenas decisões datadas de design da época se tornaram estranhamente irritantes na era moderna.

Repetições que seriam irritantes com o sistema de vidas se tornam parte do aprendizado no novo modo.

Mesmo que de forma sutil, o Modo Aniversário traz melhorias que evoluem a experiência clássica para algo mais de acordo com os melhores jogos de plataforma da atualidade. Vidas são deixadas de lado, a perspectiva é expandida para encher toda a tela e todos os jogos podem ser jogados usando não só o Sonic, como Tails e Knuckles. Nada de Amy ou personagens inesperados, mas o trio clássico já é bem satisfatório.

Em conjunto, estas novidades ajudam a tornar a experiência mais fluida, com menos gargalos. Ainda mais quando todos os jogos são combinados em um só modo história, que traz uma atmosfera mais coesa para a experiência.

Este é o jeito definitivo de jogar os clássicos e é perfeito para conquistar novos jogadores, que estão tendo contato com o início da história do Sonic pela primeira vez. Para mim, Sonic CD foi completamente novo e desbravar cada mapa através do passado e futuro foi uma sensação mágica, especialmente por ter a chance de controlar Knuckles por toda a jornada.

Sonic vs Knuckles revigorado, como em Sonic 2: O Filme.

Pode parecer superficial, mas as animações no estilo de Sonic Mania trazem um charme extra, transformando momentos icônicos da franquia em algo ainda mais impactante. Um exemplo claro é a briga entre Sonic e Knuckles no terceiro jogo que ganha um novo nível de emoção na abertura. O capricho é notável, mesmo que as cenas sejam bem escassas.

Não me incomodaria ver algumas adições na história com cenas inéditas expandindo o escopo dos títulos originais, adicionando contexto a fases que já são cheias de personalidade. Esta sensação de que a experiência geral poderia ser elevada ainda mais é constante e levanta o questionamento se, pelo preço do pacote, não poderiam ter sido incluídas ainda mais novidades.

Novos estilos visuais para curtir cada aventura seria muito bem-vindo. Poder jogar toda a história clássica de Sonic com os visuais tridimensionais de Sonic Generations ou a arte pixelada mais trabalhada de Sonic Mania seria um bônus incrível que traria mais valor ao pacote oferecido.

Os desafios divertem bastante, enquanto desafiam os limites dos jogadores.

De modo geral, Origins traz muita coisa interessante para os fãs mais hardcore, que vão surtar em rever as caixas de jogos obscuros do herói ou artes conceituais. O museu é bem robusto e pode ser expandido para liberar coisas bastante especiais, como uma gravação da orquestra de 30 anos do ouriço. Porém, quando o quesito são novidades palpáveis para o público geral, não tem muito que justifique o preço.

Enfrentar os chefes em sequência é um desafio interessante, por algum tempo. Entretanto não traz tanta empolgação quanto algo completamente novo. O que chega mais perto disso, de trazer um novo jeito inventivo de revisitar os clássicos, é o modo de missões.

Nele, o jogador precisa enfrentar pequenos desafios com condições específicas que brincam com as possibilidades. Lembra ligeiramente NES Remix, de Nintendo Wii U, mas com uma execução mais contida. Há conteúdo suficiente para entreter os fãs por um bom tempo, só seria legal ter visto tanta criatividade em outros aspectos da coletânea.

Nota: 8/10

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sonic Origins traz o esperado de uma celebração do passado da franquia, mas nada mais. Não tenta inovar com uma festa surpresa. Não é um remake ou um remaster, a proposta é bem honesta — apenas trazer os clássicos para os novos consoles com uma jogabilidade atualizada. Quem está disposto a gastar uma grana em jogos retrô sabe exatamente o que esperar: mais do mesmo. No fim, cabe a cada um decidir se vale a pena o investimento ou não.

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Gabriel Mattos

Editor, repórter correspondente de Wakanda, caçando Pokémon por onde eu vou! Sempre nas lives da Legião! • @gabeverse