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Bob Iger, ex-presidente da Disney, prevê mudanças negativas para os cinemas

Por Chris Rantin

A pandemia de Covid-19 parou o mundo e a indústria de entretenimento. Com isso, o cinema foi um dos grupos que mais sofreu. Afinal, uma sala fechada que aglomera pessoas por cerca de duas horas não combina com vírus que se espalha pelo ar. Mas para Bob Iger, o ex-presidente da Disney, as mudanças que afetam drasticamente o futuro do cinema começaram antes da pandemia — e a tendência é piorar.

Em uma entrevista ao The New York Times, Iger disse deixou claro que essa grande mudança começou com o serviço de streaming, que trouxe mais opções para os consumidores:

“Eu acho que o que o Covid fez, na verdade, ele acelerou a mudança no comportamento do consumidor, que já acontecia antes do Covid, quando tivemos um crescimento nesses serviços de streaming,” explica. “O que o Covid fez foi forçar as pessoas em casa, e as pessoas ainda querem sendo entretidas, então elas descobriram como usar [os stramings] basicamente. Eu chamo isso de televisão baseada em aplicativos ou entretenimento baseado em aplicativos. E eles ficaram confortáveis com isso. Eles não apenas gostam disso. Eles descobriram que há muita opção. Há uma tremenda quantidade de qualidade para todo mundo. O lado bom disso para os talentos [envolvidos] é que, por causa da tecnologia que permite uma distribuição e consumo maior, o que a indústria descobriu com o crescimento do consumo é o crescimento na produção. Então mais coisas estão sendo feitas.” 

Gavião Arqueiro, uma das grandes séries da Marvel, lançada no Disney+.

Isso, no entanto, faz com que ele preveja que o cinema sofrerá muito com essa mudança:

“Eu não acho que é a morte [do Cinema]. Eu acho que é um machucado grave que talvez não se cure. E o que eu quero dizer com isso é que não será fatal. Pode ser fatal para alguns. Vamos começar com a experiência de ir ao cinema, para dizer algo sobre isso. Eu acho que as pessoas ainda querem ir para o cinema. No entanto, acho que eles serão muito mais seletivos com qual tipo de filme eles querem ver fora de casa. Você provavelmente já perguntou a você mesmo: ‘espera aí, esse é um filme que eu preciso ver em uma tela grande e tudo mais, ou eu posso esperar, ou nem ao menos esperar por isso, para vê-lo em casa?’ Sabe, Homem-Aranha [Sem Volta Para Casa], que é algo que a Marvel e a Disney produziram com a Sony, quando ele saiu haviam pessoas no mundo todo esperando para assisti-lo no primeiro fim de semana. E existem filmes assim. Mas também há filmes que não se encaixam nessa categoria, ou que não precisam realmente serem assistidos nessa experiência grandiosa. Então eu acho que nós veremos cada vez menos filmes sendo lançados para o cinema.” 

Vale lembrar que essa redução de conteúdo já está acontecendo por conta do Covid-19. Como o Comicbook ressaltou, antes a média de lançamentos por ano para o cinema norte americano era entre 550 e 600 filmes. Em 2020 esse número caiu para 280, tendo um pequeno crescimento em 2021, que atingiu a marca de 350. Será que a tendência é que essa nova média se mantenha, mesmo sem a pandemia?

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"