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Review: WarioWare Get It Together é caótico e acelerado do melhor jeito possível

Por Melissa de Viveiros

Mario é uma das principais franquias da Nintendo, mas o protagonista original não é o único que possui séries de jogos de sucesso. Um dos vários personagens a protagonizar outras séries, Wario ganhou seu primeiro game em 1994, mas a franquia WarioWare só estreou anos depois, em 2003. Este ano, o nono título da série chegou exclusivamente ao Nintendo Switch, trazendo uma experiência bastante caótica, da melhor maneira possível.

Com uma história simples e minigames bastante diversos, o jogo é garantia de horas de diversão, principalmente em grupo. A jornada principal é só o início de um título com vários modos, personagens e opções, feita para agradar desde os jogadores mais experientes aos menos talentosos.

Ficha Técnica

Título: WarioWare: Get It Together!

 

Data de Lançamento: 10 de setembro de 2021

 

Desenvolvedora: Nintendo

 

Distribuidora: Nintendo

 

Plataformas: Nintendo Switch

 

Gênero: Party game

 

Modos: História (1 ou 2 jogadores), Wario Cup (1 jogador), Variety Pack (1 a 4 jogadores)

Caos na medida certa

Quem conhece os jogos da franquia WarioWare sabe que, apesar de serem categorizados como Party Games, a proposta deles é um tanto diferente mesmo em comparação com outros títulos da Nintendo do mesmo gênero, como Mario Party. Os minigames apresentados na série são bastante simplificados, apresentando apenas um comando por meio de um verbo como “Run” ou “Eat”, que indica o único objetivo que cada fase apresenta. Este permanece sendo o caso em Get It Together!, que mantém o foco na velocidade cada vez mais acelerada dos joguinhos.

A princípio, o jogador precisa passar pelo Modo História antes de ter a liberdade de explorar os vários modos e personagens presentes no game. Não há tentativa de fazer o jogo parecer mais sério que é, e mesmo ao longo da história, o tom bobo e por vezes absurdo do game é sempre mantido. Sem levar a trama a sério, é possível rir dos comentários metalinguísticos sobre o desenvolvimento de jogos assim como de elementos engraçadinhos, como uma cientista que gosta de cantar música pop ou um robô-karaokê. Um ponto bastante positivo é que completar este modo leva muito pouco tempo, sendo possível terminar em cerca de 2 horas e meia. Se estender demais poderia tornar tudo exagerado e cansativo, mas o novo WarioWare sabe fazer as coisas na medida certa.

Modo História de WarioWare apresenta um mapa com diferentes áreas temáticas de cada personagem.

Outra facilidade bem-vinda é que basta avançar nesse modo para liberar todos os personagens, que são apresentados em fases dedicadas ao tema de cada um. Assim, é uma tarefa simples adquirir todo o elenco disponível, possibilitando usá-los nos outros modos de jogo. Nem todos os personagens são muito diferentes entre si, com vários tendo habilidades focadas em pulos, ou voando e atirando coisas, entre outras. Ainda assim, há variedade o bastante para que o jogador logo tenha seus favoritos — e aqueles que não gosta tanto assim.

Certos temas se destacam mais que outros, algo que nem sempre tem relação direta com o personagem com o qual são apresentados. Um dos temas mais interessantes é o que se baseia em jogos da Nintendo, apresentando várias referências a grandes títulos da empresa. Entrar em fases conhecidas de outras produções é muito prazeroso, principalmente ao se surpreender com o que vem por aí na primeira vez em que cada um deles é revelado.

Alguns dos minigames mais legais fazem referência a outros jogos da Nintendo, como Super Mario World.

Além do modo história, o grande destaque do jogo é o modo Variety Pack, que pode ser jogado com até 4 jogadores, e é onde a festa realmente começa. Dividido em várias categorias que reúnem minigames de determinado tipo, aqui é possível jogar ao lado de ou contra outras pessoas. A rapidez com que tudo acontece torna a competição ainda mais animada e bagunçada, o que certamente é uma vantagem para um título que tem como objetivo apenas entreter.

Nem todos os minigames são interessantes, com alguns sendo fáceis ao ponto de serem desinteressantes. Mais uma vez, é o ritmo acelerado do jogo que garante que isso não se torne um problema grave. Antes que isso possa acontecer, a fase já foi concluída e o jogador tem que estar focado no próximo desafio, e essa velocidade aliada ao grande número de minigames disponíveis garante que o desinteresse passe depressa.

Com uma grande diversidade de minigames, algumas são mais divertidas que outras.

Um jogo feito para o co-op

Como o próprio título do game deixa claro, Get It Together! é uma experiência feita para ser compartilhada. Apesar de não ser obrigatório jogar com outra pessoa, a possibilidade está presente desde o início, ao longo do modo história — e o jogo se torna muito menos interessante com apenas um jogador. Ainda que a possibilidade esteja presente, sua adição parece ser mais uma obrigação do que algo orgânico.

O mesmo ocorre com o modo Wario Cup, onde os jogadores podem participar dos joguinhos de modo competitivo. Exclusivamente em single player, este modo foi feito com o objetivo de atingir pontuações altas e participar de ranqueadas contra outros jogadores online. A opção de não ativar as ranqueadas existe, mas jogar nesse modo torna tudo cansativo rapidamente. 

Tudo é mais interessante com dois jogadores, mesmo quando cada um completa seu minigame separadamente.

Outro ponto negativo é que, por não estar disponível em português, o game pode se tornar desnecessariamente complexo para certos jogadores. Todo o ponto de WarioWare é a rapidez, e sem a compreensão imediata dos comandos que aparecem em cada fase, é possível que quem não sabe algum dos idiomas em que o jogo foi localizado possa se frustrar até entender o conceito de cada minigame.

Nota

WarioWare: Get It Together! se destaca por sua energia caótica e ritmo acelerado, fazendo com que mesmo os momentos menos interessantes do game passem despercebidos na maior parte do tempo. Para o melhor e para o pior, o jogo foi feito para o co-op. Na prática, isso resulta em uma experiência extremamente positiva quando várias pessoas jogam juntas, mas tornam os modos single player muito desinteressantes. Ainda assim, há um pouco de tudo na produção, que conta com muitas opções de modos e minigames, garantindo que exista algo que agrade aos mais diferentes jogadores de party games.

Nota: 8 de 10

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sobre o autor Melissa de Viveiros

Graduanda em Letras na UFMG. || What is infinite? The universe and the greed of men. || @windrunning_