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Mulher-Maravilha: Patty Jenkins fala sobre “guerra interna” na Warner durante desenvolvimento do filme

Por Evandro Lira

A diretora Patty Jenkins lançou recentemente o segundo longa-metragem da Mulher-Maravilha, 1984. No entanto, para chegar até aqui, a primeira adaptação cinematográfica da heroína da DC sofreu com as batalhas internas travadas na Warner Bros.

Segundo Jenkins relatou durante sua participação no podcast WTF de Marc Maron, o estúdio não estava seguro sobre que caminho seguir com a personagem, o que levou a um desenvolvimento longo e conturbado, com diversos roteiros, contratações, demissões e desentendimentos dentro da empresa.

Jenkins lembrou que, após o sucesso do seu filme Monster: Desejo Assassino, ela estava procurando seu próximo emprego quando foi atraída pela Warner Bros., que queria lançar um filme sobre a icônica amazona em 2004.

“Chegou o momento em que a Warner queria que eu fizesse o filme, mas houve uma época em que eles queriam fazer uma história para a qual eu não era a pessoa certa, então eu saí e disse: ‘Não pode ser eu”, e eles contrataram outra pessoa por um tempo. Eu disse a eles que tipo de filme eu queria fazer. Eu falei: “Não acho que essa é a história que vocês deveriam contar com a Mulher-Maravilha’, mas eu não queria ser a única a entrar em uma briga sobre isso por anos.”

Durante anos, vários roteiros para um primeiro longa da Mulher-Maravilha foram escritos, e Patty Jenkins, por dentro de tudo que estava sendo planejado, não tinha fé que nenhum deles poderia dar certo:

“Durante aquele período, houve muitos roteiros que eu podia ver que não funcionariam. Era uma guerra interna em todos os níveis sobre o que a Mulher Maravilha deveria ser.”

Gal Gadot como Mulher-Maravilha em poster do filme

Foi preciso de muito tempo de desenvolvimento para que a Mulher-Maravilha ganhasse seu próprio filme

Quando Jenkins foi oficialmente contratada para o filme de 2017, ela se lembra que sua relação de trabalho com a Warner Bros. era tomada de tensão e desconfiança:

“Eles queriam me contratar como uma barba; queriam que eu andasse pelo set como mulher, mas era a história e a visão deles. E minhas ideias? Eles nem queriam ler meu roteiro. Havia tanta desconfiança sobre uma maneira diferente de fazer as coisas e de ver as coisas. Então, isso definitivamente aconteceu, mesmo quando eu entrei para o Mulher-Maravilha, foi tipo, ‘Hmm, sim, ok, mas vamos fazer desta outra maneira.’ Porém, eu pensei, ‘Mulheres não querem ver isso. Ela sendo rude, durona e cortando a cabeça das pessoas, não é isso que deve ser – eu sou uma fã da Mulher-Maravilha e não é isso que estamos procurando.’ Ainda assim, eu podia sentir aquele nervosismo instável da parte deles sobre o meu ponto de vista.”

Mulher-Maravilha foi lançado em 2017 e se tornou um dos filmes mais aclamados e bem sucedidos da franquia. O segundo filme, por sua vez, lançado no fim de 2020, se viu prejudicado pela pandemia de COVID-19 e recebeu críticas mistas por parte do público e da imprensa.

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sobre o autor Evandro Lira

Editor, bacharel em Cinema e Audiovisual, bruxo nascido trouxa, filho dos filhos do átomo, mestre dos quatro elementos, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira