Guerra Civil: Marvel quase vetou luta do Capitão América e do Homem de Ferro no filme

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Guerra Civil: Marvel quase vetou luta do Capitão América e do Homem de Ferro no filme

Por Gus Fiaux

Universo Cinematográfico da Marvel se tornou um verdadeiro referencial no que diz respeito ao planejamento e à integração de grandes franquias no mercado de Hollywood. Muitos elogiam o trabalho de Kevin Feige, que não só é presidente da Marvel Studios como também supervisiona a área criativa de todos os filmes e séries que fazem parte dele. Porém, isso não quer dizer que o estúdio não tenha alguns atritos com a Marvel Comics

Recentemente, foi publicado o livro The Story of Marvel Studios: The Making of the Marvel Cinematic Universe, um compilado de informações e entrevistas dos bastidores dos longas da Casa das Ideias. Em um artigo publicado pela SlashFilm falando sobre os conteúdos do livro, descobrimos sobre um grande embate que a Studios teve com o comitê criativo da Comics acerca do final de Capitão América: Guerra Civil.

A equipe de produção do filme – o que inclui os Irmãos RussoKevin Feige e os roteiristas Stephen McFeely e Christopher Markus – queriam fazer um embate fiel ao final da saga que baseia a trama, com uma luta épica entre o Sentinela da Liberdade e o Vingador Dourado. Esse embate serviria para acentuar as diferenças entre ambos os heróis e mostrar o “fim dos Vingadores”, com a equipe despedaçada por esse confronto.

Contudo, o comitê criativo da Marvel Comics não queria deixar a ideia passar. Em vez disso, eles queriam que o filme terminasse com os Vingadores reunidos para enfrentar o Barão Zemo e o exército de Supersoldados, que estava congelado em uma base da Sibéria. Assim, as duas facções da batalha se reuniriam mais uma vez e tudo ficaria bem para a equipe.

Comitê da Marvel Comics queria que os Vingadores se unissem no final para enfrentar os Supersoldados e o Barão Zemo.

Quem foi veementemente contra essa ideia foi o roteirista Stephen McFeely, que disse (trecho retirado do livro):

“Nós tivemos que fazer um rascunho onde todos eles lutavam em uma base submarina com cinco Supersoldados.”

Depois, o co-diretor Joe Russo também comentou, falando sobre como essa era uma ideia genérica para um filme qualquer de super-heróis:

“Nós continuamos dizendo: ‘Não há nada de interessante sobre esse filme. Não estamos aqui para fazer esse filme. Não estamos interessados em contar outra história de super-herói. ‘Guerra Civil’ começou uma guerra civil dentro da Marvel. Mas quando nós definimos os nossos lados, ficou claro que ou a companhia voltaria de onde veio ou então começaria a ir para um novo território.”

No fim, o Chefe Criativo da DisneyAlan Horn, foi chamado para ouvir os dois lados e resolver a disputa, fazendo o papel de mediador do conflito. De um lado, ele ouviu Feige, os Russo e os roteiristas, mas também teve que lidar com as demandas do comitê da Marvel Entertainment, que era composto por Ike Perlmutter, o diretor da Marvel Comics Alan Fine e os editores e roteiristas Joe Quesada, Brian Michael Bendis Dan Buckley.

A “guerra” instaurada por Guerra Civil trouxe muitos frutos para Kevin Feige, inclusive sua emancipação da Marvel Entertainment.

O próprio Joe Russo vendeu uma analogia bem interessante para provar para Horn que estavam tentando fazer a coisa certa em Guerra Civil:

“A maior coisa que eu costumava dizer o tempo todo era: ‘As pessoas te dizem o quanto elas amam sorvete de chocolate. Você dá a elas seis dias durante a semana, e elas vão vomitar na sua cara no sexto dia. E o problema é que, se você dá três sorvetes de chocolate em uma lata que custa US$ 200 milhões, você está ferrado. É melhor começar a pensar em como ser disruptivo’.”

Como a história já deixou bem claro, Alan Horn acabou ficando do lado de Feige e dos Russo. Porém, isso não foi tudo. A discussão entre esses dois lados acabou resultando em uma boa saída para Feige e para a Marvel Studios, já que a partir dali o estúdio foi “emancipado” da Marvel Entertainment e tinha autonomia para agir fora do conselho. Depois desse momento, Kevin Feige deixou de ser submisso a Ike Perlmutter.

Desde então, a Marvel Studios só precisa consultar o chefe criativo da Disney para decidir o que vai fazer ou não em seus filmes. Esse foi um bom momento para os fãs, especialmente levando em conta como Perlmutter costumava tomar algumas decisões questionáveis – como não produzir filmes de minorias e mulheres por achar que isso iria afetar a venda de bonecos.

Capitão América: Guerra Civil está disponível em DVD, Blu-Ray e mídias digitais, além de estar no catálogo do Disney+.

Abaixo, relembre as maiores brigas nos bastidores dos filmes da Marvel:

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux