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Army of the Dead: Deborah e Zack Snyder contam as inspirações para o filme

Por Cristiano Rantin

Chegando ainda este mês na Netflix, Army of the Dead: Invasão em Las Vegas é o novo filme de Zack Snyder. Misturando gêneros ao apresentar um filme de assalto em Las Vegas no meio de uma epidemia de zumbi, o longa é uma das grandes apostas da plataforma de streaming.

Em nome da Legião dos Heróis, fui convidado a participar de uma coletiva de imprensa com o elenco e a equipe criativa de Army of the Dead. Durante a conversa, Deborah Snyder, produtora do projeto, e Zack Snyder, que assume o papel de cineasta, produtor, roteirista, diretor e diretor de fotografia, revelaram as inspirações por trás do filme e como foi o processo criativo.

Um longo processo

Segundo Zack, a ideia por trás de Army of The Dead surgiu há muitos anos, quando ele trabalhou em Madrugada dos Mortos em 2004. Inspirado por filmes de ação e sobre os questionamentos em turno dos clichês do gênero, Snyder passou muito tempo pensando neste projeto.

“Acho que a ideia começou comigo. Nós fizemos um filme há um tempo chamado ‘Madrugada dos Mortos’, que era um remake do filme clássico de George Romero. Durante o filme eu meio que mergulhei fundo no gênero e nos clichês dele, assim como o que é um filme que sabe que é um filme,” conta. “E quando eu o finalizei, alguns anos depois disso, eu criei essa ideia de um filme onde o zumbi vem da Área 51 e eles acabam em Las Vegas e então eles criam um muro ao redor de Vegas. E isso meio que misturou vários filmes como ‘Fuga de Nova York’ e ‘Planeta dos Macacos’ e ‘Alien’, junto de obras  como ‘Duro de Matar’ e esse gênero mais intenso. Eu meio que fiquei fascinado com as regras desses filmes e o que o eles querem que o público aceite dentro dos seus clichês. Tipo, quando você faz um filme de zumbi, o quão longe o público vai com a gente nesses mundos? E foi assim que começou, [Army of the Dead] esteve conosco por anos.” 

De acordo com Deborah, o processo não foi executado logo em sequência por causa de Zack. Depois do seu trabalho em Madrugada dos Mortos, o diretor não acreditava ser capaz de voltar ao gênero:  

“Nós desenvolvemos Army of the Dead para outro diretor e Joby Herold escreveu o roteiro inicial. Mas por vários motivos, isso simplesmente não deu certo,” revela. “Então todos esses anos se passaram e nós acabamos fazendo esses filmes de super-heróis e brincando nesse gênero. E nós ficamos tentando descobrir o que faríamos depois. Eu me lembro que Zack disse ‘Bem, que tal Army? Tipo, e se nós déssemos uma olhada nisso? Eu acho que já deu um bom tempo e eu consigo fazê-lo agora.’” 

Foi por conta do seu trabalho com filmes da DC Comics que Zack Snyder voltou a pensar na ideia dos gêneros cinematográficos e seus clichês, o que acabou ajudando que ele mergulhasse fundo em Army of the Dead:  

“Francamente, eu acho que ter feito todos esses filmes gigantes de super-heróis, eu senti que era uma conversa que eu estava tendo. E sabe, a maneira que as pessoas olham para as regras do gênero… Minha fascinação com esse tipo de ideia voltou atualizada. E então nós conversamos com a Netflix e eles gostaram.” 

Trabalhando sem roteiro

Com uma nova visão em mente, ele conta que decidiu reescrever o projeto do zero, descartando totalmente o rascunho inicial. “Eu queria apenas reescrever o roteiro, sem nem olhar para o velho rascunho,” relembra. “E então, é claro, isso evoluiu porque eu estava diferente depois de um ano. Então foi um tipo diferente de prática.” 

Por conta dessa decisão, Army of the Dead entrou em fase de preparo ao mesmo tempo em que o roteiro era escrito. “A Netflix teve muita fé no nosso trabalho para autorizar isso,” explica Deborah. “Mas eu sei que eles queriam que o filme fosse filmado no verão, então nós começamos com um esboço e ficamos ‘ok, nós vamos preparar o filme baseado neste esboço do roteiro, enquanto o roteiro é finalizado.’” 

“Mas eu disse que era um filme de zumbi sobre um grupo de matadores de zumbis que vai invadir um banco em busca de dinheiro,” justifica Zack. “Então não era como se eles [da Netflix] ficassem ‘oh, eu tenho que fazer esse filme que ninguém vai querer ver.” 

O coração do filme

Quando questionados sobre como equilibraram os diferentes temas do filme, misturando drama, ação e comédia em um único projeto, Zack Snyder confessa que utilizou sua relação como pai para poder trabalhar algumas questões de Army of the Dead:  

“Sendo humano, eu evolui e tive minha relação com meus filhos. Sendo um pai, trabalhar essa parte do filme realmente se tornou mais importante pra mim do que talvez seria 15 anos atrás, sabe? E é tão divertido ver como a parte dramática do filme e como o ponto principal do filme em muitas formas. É o coração do filme.” 

Para o diretor, foi importante tratar a carga mais emotiva de cada personagem, fazendo com que isso se tornasse a principal trama do longa:

“O personagem de todo mundo meio que é a estrela do filme. Seja Zeus, o Zumbi Alfa, e eu estou muito interessado nas emoções dele, no que ele está sentindo, ou o personagem de Dave [Bautista] tentando se reconectar com sua filha. No fim, todos esses personagens e como eles estão lidando com suas emoções, isso se torna a peça central do filme,” explica. “Ainda que você possa dizer sim, é um filme de assalto com zumbis, ele também é, no fim, um filme sobre esses personagens.”

Encerrando sua participação na coletiva, Deborah Snyder aproveitou o momento para reafirmar como está feliz com o resultado de Army of the Dead:

“Eu realmente estou orgulhosa desse filme. Eu acho que todo mundo consegue notar que foi feito com amor não apenas por nós e pelo elenco maravilhoso, mas por essa equipe incrível – na qual muitos trabalham conosco há muitos anos. E é essa confiança que as pessoas colocam no Zack e em nós, isso é algo que temos que proteger e guardar em um lugar seguro,” disse. “E eu estou muito orgulha do projeto. Eu acho que mostramos o amor e o carinho durante a produção. Estou muito ansiosa para que o público assista.” 

Army of The Dead: Invasão em Las Vegas chega na Netflix no dia 21 de maio.

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"