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Universal esclarece acordo histórico que tem gerado debate na indústria do cinema

Por Evandro Lira

O CEO da NBCUniversal, Jeff Shell, esclareceu o novo acordo do estúdio com a rede de cinema AMC, que nesta semana gerou algum debate na indústria do entretenimento. O contrato prevê que a Universal Pictures coloque seus filmes nas plataformas digitais após 17 dias de exibição nas salas de cinema.

Mas o empresário garante: esse não vai ser o destino de todos os filmes. Segundo ele, a ideia é lucrar mais ainda com a janela “pós-cinema”, que nos últimos anos vem gerando cada vez menos dinheiro.

“Os filmes são a nossa força vital”, disse o executivo da NBCUniversal. “Nos últimos dois anos, tornou-se cada vez mais difícil gerar os mesmos retornos nas primeiras janelas de lançamento. Acreditamos que o novo modelo nos EUA restaurará parte dessa economia, provavelmente não fará mais filmes, mas manterá os níveis de produção iguais aos do passado.”

Para o Deadline, Shell justifica também que há uma grande parcela da população que só consome filme de forma doméstica, e que com o novo acordo, as empresas vão conseguir aproveitar os dois tipos de público: os que vão ao cinema e os que não vão.

“A longo prazo, sempre acreditamos que há um segmento crescente da população por aí que não vai aos cinemas. Essa estrutura com a AMC nos permite tirar proveito das pessoas que vão ao cinema, já que haverá 17 dias de exclusividade no mínimo para as salas, mas logo depois na mesma janela de marketing, podemos aproveitar esse público muito grande que não sai de casa para ver filmes. E isso tudo dentro da janela do marketing gigantesco com o qual gastamos, que só é efeito para os cinemas. Portanto, achamos que essa estrutura nos permite explorar esse fluxo de receita incremental, permitindo que a AMC a compartilhe um pouco e, ao mesmo tempo, preservem a janela do cinema que é tão crítica para os negócios cinematográficos.”

Ele ainda afirma que tem esperança de que a maioria dos filmes fiquem em cartaz nos cinemas por muito mais que três semanas.

“Eu espero que os filmes fiquem nos cinemas por mais de 17 dias. Esse seria o tempo normal, mas podemos alterar isso com base no tipo de filme.”

Shell finaliza dizendo que acredita que esse novo modelo de lançamento pode ajudar os cinemas a se recuperarem durante a pandemia de COVID-19.

O acordo entre as duas empresas surge alguns meses depois que a AMC promoveu um boicote a Universal, alegando que o estúdio estaria prejudicando os negócios do cinema ao lançar Trolls 2 diretamente em plataformas on demand.

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sobre o autor Evandro Lira

Bacharel em Cinema e Audiovisual, potterhead das antiga, filho dos filhos do átomo, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira