Soul: Novo filme do Disney+ quase teve um final diferente

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Soul: Novo filme do Disney+ quase teve um final diferente

Por Evandro Lira

Atenção: Alerta de Spoilers!

A mais recente animação da Pixar, Soul, que estreou no Disney+ na última semana, tinha originalmente um final bem diferente, como conta os diretores do longa, Pete Docter e Kemp Powers.

No filme, Joe, um músico morre e tem sua alma enviada para um local onde os espíritos são formados. Lá, ele acaba vivendo uma aventura com 22, uma alma que ainda não está pronta para ter uma vida. Ao término do filme, depois de ajudar 22 a conquistar sua própria vida na Terra, é dada a Joe uma segunda chance de voltar a viver para que ele possa aproveitar ao máximo.

No entanto, no início do desenvolvimento do filme, Powers e Docter tinham outros planos para o final de Joe. Em uma entrevista ao ET, os cineastas dizem que inicialmente queriam que o “ato altruísta” do protagonista não fosse recompensado. Ao invés disso, ele não teria outra oportunidade de viver sua vida após aprender algumas lições valiosas.

Powers: Temos versões do final em que Joe não volta para seu corpo, onde na verdade permanece morto. Temos versões do final em que você vê Joe na Terra um ano depois. Cara, aquele final gerou mais debate do que qualquer outro elemento do filme.

 

Docter: Ah sim, definitivamente. Acho que as pessoas achavam que seria trapaça deixá-lo voltar. Por outro lado, em termos de história, você não pode ensinar esse cara a aproveitar a vida da maneira certa e depois roubar isso dele. Então, simplesmente não parecia o caminho certo a seguir, embora essa fosse a ideia do primeiro rascunho. Na época, eu estava pensando: o ato mais altruísta que ele poderia fazer é partir. Ele teve a chance. Já aproveitou a vida. Agora, ele daria isso a 22. Isso parecia poético e bom, mas no final das contas, no filme, cada cena era Joe dizendo, ‘Espere um segundo, eu não vivi isso da maneira certa antes.’ Portanto, no final não parecia certo dizer ‘Tudo bem, pode ir!’ Nessa versão ele estava, tipo, em paz e se foi. Mas houve outra versão em que ele realmente ia para o Grande Além, havia uma cena lá. E percebemos que provavelmente estávamos brincando com fogo, embora fosse muito esotérico. Não acho que tínhamos sido muito explícito em termos de ‘assim é a vida após a morte!’ era mais abstrato. Mesmo assim, decidimos: ‘Hm, provavelmente é perigoso.’ E, em última análise, não era certo para o filme, o mais importante.”

Imagem de Joe, personagem de Soul

Joe, o protagonista de ‘Soul’ é dublado originalmente por Jamie Foxx

Powers: A versão com Joe não voltando para seu corpo, ela basicamente acabava com ele se tornando um mentor da Escola da Vida, mas um mentor de verdade. Ele ficou e acabou sendo, tipo, o melhor mentor de todos os tempos, e ele apresentou muitas ideias novas a Escola da Vida. Ele meio que revolucionou a coisa toda. Foi muito fofo e engraçado e irritou algumas pessoas, mas você aprende tentando. Não funcionou, mas foi uma exploração divertida.

O final original com certeza teria sido menos satisfatório, já que o arco narrativo de Joe o teria levado praticamente a lugar nenhum. É gratificante para o público ver o personagem podendo colocar em prática os conhecimentos adquiridos ao longo do filme.

Soul teria tido um lançamento tradicional nos cinemas caso a Disney não tivesse optado por lançá-lo em sua plataforma de streaming em meio à pandemia de coronavírus. O longa dos estúdios Pixar é um dos mais elogiados de 2020.

E aí, o que você teria achado desses finais pensados para Soul? Comente!

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sobre o autor Evandro Lira

Editor, bacharel em Cinema e Audiovisual, bruxo nascido trouxa, filho dos filhos do átomo, mestre dos quatro elementos, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira