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Shang-Chi e Mandarim quase estiveram no primeiro filme dos Vingadores, entenda

Por Raphael Martins

A Marvel Studios é conhecida por seu planejamento cuidadoso para seus filmes, sempre pensando no futuro para ligá-los de maneira competente e, ao mesmo tempo, preparar terreno para o que está por vir. Mas às vezes, esses planos são frustrados por questões burocráticas do mundo real. E foi por essa razão que Shang-ChiMandarim não apareceram no primeiro filme dos Vingadores.

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Chris Fenton, ex-presidente da DMG, uma grande divisão de filmes chinesa, lançou recentemente um livro onde contou como era complicado levar filmes feitos nos Estados Unidos ao mercado chinês. Uma das passagens mais interessantes desse livro (via Bleeding Cool), revela que Shang-Chi e o Mandarim quase apareceram em uma cena pós-créditos durante o primeiro filme dos Vingadores.

No livro, Fenton detalha uma conversa que teve com Tim Connors, ex-chefe de operações  do Marvel Studios, que ofereceu à DMG a chance de produzir uma cena os personagens no final de Os Vingadores, que seria feita especialmente para o mercado chinês.

O trecho diz:

“A equipe de desenvolvimento em Pequim sentiu que Shang-Chi seria um personagem mais seguro de promover, já que ele era um herói, enquanto o Mandarim era claramente um nêmesis do Homem de Ferro. Pensando estritamente sobre como o Ministério da Propaganda, que se reporta diretamente ao regime, veria isso, você sempre iria querer que o personagem chinês fosse o herói, não o vilão. Lembrem-se, a China é boa, o ocidente é mau. Era a mensagem que o regime queria. O país estava abrindo suas asas globalmente e queria ser visto como um amigo do mundo, não um agitador ou adversário usurpando fronteiras há muito estabelecidas através de uma estratégia imperialista. Mas a arrogância americana, comumente levava os estúdios a colocaram os chineses em um papel de antagonista. Além disso, Hollywood não queria desperdiçar o papel de um herói em um ator chinês. Mas um vilão? Sem problemas. E simplesmente colocar pessoas chinesas em um filme era um pensamento errado, visando lucro garantido e admissão na china. Então, os estúdios faziam isso.”

Fenton então escreve que, por medo dos altos riscos envolvendo o governo chinês, a DMG, a Marvel e a própria Disney, preferiram deixar a oportunidade passar, uma vez que os americanos claramente preferiam que o Mandarim aparecesse no final de Os Vingadores:

“Um antagonista da Marvel como o Mandarim era arriscado demais. Ele representava uma aposta muito alta, não apenas para nós, mas também para a Disney e a Marvel. Se desse errado, isso poderia proibir o lançamento do filme na China. Pior ainda, poderia prevenir ambos os estúdios de ganharem qualquer tração na China para outros filmes que viessem depois. Para nós, o uso errado de um personagem como o Mandariam poderia fechar as portas da DMG para sempre.”

O livro então detalha a conversa entre Fenton e Connors, com o executivo da DMG explicando que existia um temor muito grande de se usar o Mandarim por ele ser exageradamente estereotipado e por não existir nenhuma garantia de que ele apareceria no filme seguinte, já que os planos do Marvel Studios viviam mudando. Como todos sabemos, o vilão apareceu em Homem de Ferro 3 de uma maneira totalmente diferente, recebendo uma resposta bastante negativa vinda dos fãs.

Tanto Shang-Chi quanto o (verdadeiro) Mandarim finalmente terão sua chance nos cinemas em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, que tem previsão de estreia para 29 de abril de 2021.

Fique com nossa lista sobre o filme de Shang-Chi aqui embaixo:

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sobre o autor Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael