[Crítica] Hyrule Warriors: Age of Calamity leva uma verdadeira guerra ao mundo de Zelda

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[Crítica] Hyrule Warriors: Age of Calamity leva uma verdadeira guerra ao mundo de Zelda

Por Gabriel Mattos

Hyrule Warriors: Age of Calamity tem a difícil tarefa de carregar o legado de dois dos jogos de maior sucesso da franquia: Hyrule Warriors e Breath of the Wild. Para tornar tudo ainda mais complicado, esses jogos não poderiam ser mais diferentes. Será que a nova aventura de The Legend of Zelda consegue unir o melhor de dois mundos?

Desenvolvedoras: Koei Tecmo, Omega Force

Publisher: Nintendo

Plataformas: Nintendo Switch

Lançamento: 20 de Novembro

Gênero: Musou

Modos: Single player, multiplayer

Para a felicidade dos fãs de Breath of the Wild que não se aguentavam de esperar uma sequência, Age of Calamity é um spin-off de combate mais que digno de carregar o legado desse clássico moderno.

O jogo aprende com os erros de seu antecessor e, ao invés de tentar abraçar o mundo, pensa numa experiência bastante coesa. Até relaxante, eu diria. Se antes precisávamos estar ligados em dezenas de objetivos simultâneos que atacavam a ansiedade de qualquer um, aqui o principal objetivo é tudo que importa: guerra.

Guerra é a essência do jogo. Onde quer que você vá, em seus inúmeros mapas super detalhados, o conflito te seguirá.

Age of Calamity abre mão de tudo que poderia quebrar sua imersão do mundo que ele quer criar. Diga adeus à um sistema de rankings, modos secundários e qualquer coisa que não te ajude a enfrentar a Calamidade.

A Calamidade que dá nome ao jogo está sempre presente. Logo em sua abertura, somos lembrados de como ela impactou o mundo de Breath of the Wild e tudo no jogo é uma artimanha para se preparar para enfrentá-la. Missões secundárias, golpes extras e até o treinamento fazem parte do modo principal como formas de se planejar para o inevitável confronto final.

Ao longo do seu caminho para enfrentar Calamity Ganon, será necessário enfrentar diversos adversários tirados diretamente de Breath of the Wild. Os inimigos menores podem ser facilmente ignorados, uma vez que não contribuem para o progresso das missões. Mas isso não quer dizer que eles não terão uma estratégia para te derrotar.

Uma das maiores críticas a esse gênero é a falta de estratégia, como tudo pode ser resolvido com um mero apertar de botões, e Age of Calamity aproveita sua herança mista para resolver isso.

As estrelas dos combates são os chefes espalhados pelos mapas e derrotá-los requer um certo nível estratégia. Seus golpes regulares não serão muito efetivos. Para ter alguma chance contra eles será necessário primeiro quebrar sua defesa.

Existem alguns jeitos de fazer isso e todos exigem o domínio de alguma mecânica nova. É possível esquivar no momento certo e desacelerar o tempo para punir o adversário a vontade. Ou então, usar o sistema de runas desse jogo que substitui os itens de uma forma fenomenal.

Cada personagem usa as runas do seu próprio jeito. Enquanto o Link, por exemplo, lança uma rajada de bombas, Daruk lança uma bomba enorme que se divide em pequenas explosões de lava. Além de agregar variedade ao combate, se usadas no momento certo, podem contra-atacar os golpes mais poderosos dos chefes.

Esse é só um exemplo de como a variedade no combate está incrível. Você sente a todo momento total liberdade de enfrentar novos desafios como bem entender. Depois que você domina o básico do combate, o céu é o limite.

Infelizmente os esforços do jogo em melhorar o combate acabam indo por água abaixo devido a problemas técnicos. Você pode acabar se deparando com leves problemas de processamento ao longo da sua jornada, como objetos surgindo no meio do nada e quedas de frame rate. Mas o verdadeiro problema é como foi implementado a câmera. Ela simplesmente não consegue focar na batalha e vai te deixar na mão.

Nem isso é o suficiente para apagar o brilho dos demais aspectos de Age of Calamity. Visualmente, o jogo é um espetáculo. Repetindo com excelência o que foi visto em Breath of the Wild. A música é uma agradável surpresa, com novas melodias que combinam bem com os momentos chaves da trama.

A trama em si é uma das coisas que mais fascina. Em um primeiro momento, pode parecer uma história bastante direta sobre a guerra contra a Calamidade, mas o enredo esconde diversos temas sutis que agregam bastante valor a história.

A história é sobre a Zelda, não tem como negar. Ao longo do game, vemos ela amadurecer de uma jovem entusiasta de tecnologia, tímida demais para seguir seus sonhos, em uma verdadeira líder pronta para guiar seu povo à guerra. Paralelo a isso, entendemos sua relação com o luto, uma vez que a protagonista está sempre refletindo sobre a perda dos entes queridos.

É uma narrativa intimista que complementa bem a grandiosidade do arco geral do jogo.

Fãs de Ocarina of Time ainda vão perceber elementos familiares na história do jogo. As implicações na linha do tempo da franquia vão deixar os fãs discutindo por meses a fio.

Ainda que tente, Age of Calamity não se livra das amarras simplistas que vêm com o gênero Musou, mas consegue surpreender ao emular uma genuína experiência de The Legend of Zelda.

Para quem é fã da franquia ou só está procurando por um competente jogo de ação, esse é um jogo praticamente obrigatório, fechando bem o ano do Nintendo Switch. Age of Calamity conquistou com bravura 4,5 estrelas da Legião, e deixou esse redator ainda mais ansioso com o futuro da franquia.

Já jogou Breath of the Wild? O que achou de Age of Calamity? Não deixe de comentar!

Hyrule Warriors: Age of Calamity já está disponível na Loja Nintendo para Nintendo Switch. A eShop Brasileira chega no dia 7 de dezembro.

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sobre o autor Gabriel Mattos

Editor, repórter correspondente de Wakanda, caçando Pokémon por onde eu vou! Sempre nas lives da Legião! • @gabeverse